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Como saber se é o momento de encomendar o segundo filho

Para saber se é o momento de encomendar o segundo filho, questões como desgaste fisíco e emocional, ajustes na carreira e no orçamento precisam ser colocadas na balança

Por Redação M de Mulher 8 nov 2010, 22h00 | Atualizado em 29 out 2016, 01h17
Daniela Venerando
Daniela Venerando  (/)
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Como saber se é o momento de encomendar o segundo filho

A recomendação médica é de um intervalo mínimo de um ano entre uma gestação e outra
Foto: Getty Images

Assim que Matheus, o primogênito, com­pletou 6 meses, a enfermeira paulistana Cinthia, 30 anos, não via a hora de encarar a segunda gravidez. Hoje, Matheus tem 1 ano e meio, e Cinthia está grávida de sete meses. Para ela, a pequena diferença entre as crianças é uma vantagem, pois irá facilitar os programas em família e fortalecer o vínculo afetivo entre os irmãos. “Só esperei por insistência da obstetra. Ela me alertou sobre os riscos e fui obrigada a sossegar. Caso contrário, teria engravidado antes”, conta. De fato, a recomendação médica é de um intervalo mínimo de um ano entre uma gestação e outra. “A mãe precisa de tempo para se recuperar fisicamente. O bebê exige muitos cuidados nos primeiros meses, além da própria amamentação, que deve ser mantida por pelo menos seis meses”, explica o ginecologista e obstetra Mariano Tamura, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Segundo ele, esse intervalo é necessário para haver uma regressão das alterações ocorridas na gravidez anterior e, no caso das mulheres que fizeram cesariana, para a boa cicatrização do corte no útero, diminuindo o risco de ruptura em partos subsequentes. Estudos indicam ainda que um período curto entre uma gestação e outra aumenta os riscos de o bebê nascer prematuro ou com peso abaixo de 2,5 quilos.

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Fazendo escolhas

A opção pelo segundo filho (e sobre o momento para tê-lo) envolve ainda questões práticas e emocionais. Dúvidas a respeito não faltaram para a engenheira agrônoma Ana Carolina Cunha, 38 anos, de São Paulo. Antes de engravidar pela primeira vez, ela e o marido, Nestor, 36 anos, planejavam dois filhos. Após o nascimento de Vito­ria, hoje com 1 ano e 9 meses, os dois colocaram o pé no freio. “O nascimento de Vitoria foi uma alegria, mas me deixou fora de eixo. Fiquei esgotada física e emocionalmente e conversamos muito antes de encomendar o segundo”, conta Ana, hoje grávida de quatro meses.

O primeiro filho é sempre um impacto na vida do casal, mas não necessariamente o segundo causa abalo semelhante. Afinal, os pais já sabem o que os espera e ficam mais relaxados. “Claro que precisarão estar dispostos a abrir mão de várias coisas para se dedicar aos filhos, principalmente nos primeiros anos. Mas é uma questão de escolha. Cada um deve analisar as consequências e medir a disposição para enfrentá-las”, avalia o psicólogo e psicanalista Marcelo Lábaki Agostinho, do Serviço de Atendimento a Famílias e Casais da Universidade de São Paulo.

Para Ana, a motivação para engravidar novamente foi a vontade de dar um irmão a Vitoria, que surgiu depois de umas férias na companhia de um casal amigo que tinha duas crianças. “Vi o quanto é legal ter um irmão para brincar junto e trocar segredos. Os dois podem se tornar grandes amigos e contar com apoio recíproco ao longo da vida”, acredita ela.

De fato, o primôgenito tem muito a ganhar com a chegada de um irmão. Ele aprende a dividir a aten­ção dos pais, experimenta uma competição saudável e fica mais bem preparado para os conflitos da vida adulta. “Mas é bom lembrar que cada filho tem uma personalidade e, às vezes, a desejada sintonia não se estabelece”, alerta a terapeuta de casal e família Magdalena Ramos, autora do livro E Agora, o Que Fazer? A Difícil Arte de Criar os Filhos (Editora Ágora).

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Dois filhos únicos

Para a farmacêutica Izabella, 40 anos, de São Paulo, a vontade de engravidar novamente só surgiu quando a primeira filha, Beatriz, estava com 10 anos. Ela e o marido, Hen­rique M. Júnior, 40 anos, haviam decidido ter apenas uma criança em função da falta de tempo. Aos poucos, porém, perceberam que a concentração de mimos e expectativas da família sobre a menina poderia sobrecarregá-la de cobranças no futuro. “Com o segundo, tenho esperança de que as atenções se dividam”, diz Izabella.

Grávida de sete meses, Izabella não contava com o ciúme extremado de Beatriz. Ao saber da gravidez, a garota reagiu como se tivesse sido traída. O jogo só começou a virar quando Izabella resolveu envolver a menina mais velha na escolha do enxoval e nos preparativos para a chegada do bebê. “Ela está adorando palpitar sobre tudo e já disse que vai ajudar a cuidar da ca­çula. Sei que, pela diferença de idade, cada uma delas vai ser um pouco filha única. Quanto a mim, estou bem tranquila. Afinal, o segundo já vem com um certo manual de instrução”, afirma.

Questões práticas

Foi pensando justamente no quanto seria mais simples criar dois de uma vez que a tradutora Ana Carolina, 35 anos, de São Paulo, resolveu dar um intervalo de apenas dois anos entre as filhas. Ela não queria se desfazer de berço, carrinho e roupas, para mais tarde começar tudo de novo. “Se eu não tivesse as duas gestações em sequência, perderia o pique e a coragem. A casa já tem todo um ritmo adaptado à presença das crianças e ainda dei a sorte de serem do mesmo sexo. É verdade que a Bruna, 1 ano, às vezes quer a boneca da mais velha, Giulia, 3 anos, mas essas disputas são básicas”, conta, rindo. O único inconveniente é que, depois do segundo filho, Ana não arranjou mais tempo para trabalhar – aspecto que, ela confessa, deixou de considerar quando decidiu engravidar novamente. “Mas é uma fase e não me arrependo. Financeiramente, sabia que meu marido daria conta. Então fiquei tranquila para ir em frente e tornar meu sonho realidade”, diz Ana.

Para Magdalena, planejamento é bom, mas no final os aspectos práticos influenciam pouco a decisão. “As pessoas inventam mil argumentos para ter ou não filhos. Mas, por trás das suas decisões, está o inconsciente de cada um. Ao desejar outro filho, a mãe quer repetir a sensação prazerosa de ter e criar um bebê – o que se revela gratificante para todos”, diz ela.

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Anticoncepcionais à sua escolha

Para evitar uma gravidez antes da hora, o uso de contraceptivo é liberado a partir de seis semanas após o parto. Conheça os métodos que não interferem no aleitamento, segundo a obstetra Rosiane Mattar, professora da Universidade Federal de São Paulo. É bom lembrar também que só a camisinha ajuda a prevenir aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Por isso, mesmo utilizando outro anticoncepcional, não a dispense. É a chamada dupla proteção.

Pílula com progestágeno: tem o poder de espessar o muco cervical, impedindo a liberação do óvulo. Sua eficácia, porém, diminui se a mulher não estiver amamentando. Não tem contraindicação, mas, para algumas mulheres, causa sangramento irregular, cefaleia e náuseas.

DIU de cobre: causa uma reação química que torna o ambiente hostil ao espermatozoide, impedindo a subida e o encontro dele com o óvulo. O DIU pode ser usado por dez anos. É contraindicado para mulheres imunodeprimidas ou com inflamações pélvicas e pode provocar corrimentos e cólicas.

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DIU medicado com progestágeno: impede o desenvolvimento do endométrio, a membrana que reveste o útero e permite a fixação do embrião. Mantém-se eficaz por cinco anos. É contraindicado para mulheres imunodeprimidas ou com inflamações pélvicas e pode desencadear acne, cefaleia e alterações de humor.

Injeção de progesterona trimestral: inibe o desenvolvimento do endométrio e impede a liberação do óvulo por um período de quatro meses a um ano. É contraindicada para diabéticas e pode ocasionar aumento gradual de peso.

Implante: causa espessamento do muco e atrofia o endométrio, impedindo a liberação do óvulo e a fixação de um eventual embrião. É contraindicado para diabéticas e mulheres acneicas.

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