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Choque ou realidade? Tem uma gorda nua na revista de moda!

Eu sempre quis ver o dia de uma gorda na capa de revista chegar, só não imaginava que EU mesma é quem seria essa pessoa.

Por Ju Romano (colunista) Atualizado em 21 jan 2020, 23h14 - Publicado em 5 Maio 2015, 14h30

Lembro até hoje da minha reação ao ver a Beth Ditto na capa da LOVE, com as gorduras aparecendo e totalmente pelada. Embora a foto estivesse completamente photoshopada, eu fiquei chocada. Afinal, não é todo dia que a gente vê gordura assim, escancarada na nossa fuça.

E, pra ser sincera, na época eu evitava ver a tal da gordura até sozinha na frente do espelho, para não sofrer. Mas, apesar da surpresa, senti uma alegria imensa de ver um corpo totalmente fora dos padrões estampando a capa de uma revista. Foi como soltar um berro: “viu só, a maioria das pessoas tem dobras! Elas existem! Não sou um E.T.”

Porque, no fundo, é assim que a gente se sente quando não é magra e nem tem a barriga chapada: uma pessoa absolutamente fora da realidade. Pois bem, há 6 anos montei o meu blog para lutar justamente por uma dose de realidade que a gente raramente via na mídia feminina.

E posso dizer, com alegria, que hoje fechamos com chave de ouro uma parte desse ciclo: tem uma gorda, pelada, sem Photoshop em uma das maiores revistas de moda do mundo.

Eu não achei que seria, mas essa gorda sou eu! Dentre as coisas que ouvi de parentes e amigos, a palavra coragem foi a que mais se sobressaiu. Eu sorrio e aceno, porque sou educada, mas me questiono: será mesmo que CORAGEM deveria ser o sentimento motivador para que as mulheres mostrassem seus corpos como eles são?

A autoestima da mulher é tão moída e esfarelada que ela precisa de um sentimento tão forte para mostrar a outras pessoas o que ela vê todos os dias no espelho? Que triste!

Eu não precisei de coragem, caso você esteja se perguntando. Eu vejo esse corpo aí da foto todos os dias no espelho e não tenho problemas que você veja também. Sua opinião – e a de quem quer que seja – não vai fazer eu acordar no dia seguinte com um corpo diferente. Esse é o meu corpo e eu não tenho motivos para querer mudá-lo…

Pois é aí que se dá o fechamento de um dos nossos ciclos: ter veículos como a ELLE e o MdeMulher como catalizadores e pulverizadores dessa ideia, levando para as mais diversas mulheres a mensagem de que elas são lindas como são, é tão realizador quanto salvar uma vida – e talvez essa mudança de pensamento realmente salve mesmo. E se não salvar vidas, que pelo menos as mulheres possam usar – e, por que não, investir – sua coragem para enfrentar problemas maiores do que, literalmente, o seu umbigo. 

 

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