Briga entre irmãos: quando os pais devem interferir?

Desentendimentos entre irmãos são normais, mas não devem ser muito frequentes. Saiba o que fazer quando surge um conflito familiar.

Mostre aos filhos que as brigas constrangem e prejudicam toda a família.
Foto: Getty Images

Meus filhos, de 15 e 17 anos, vivem discutindo e chegam a ficar semanas sem se falar – o que constrange a família inteira. A partir de que ponto devo interferir nas brigas e como faço isso? (pergunta enviada por leitora)

Desentendimentos entre irmãos são comuns, especialmente durante a adolescência. Empenhados em se autoafirmar e se diferenciar dos outros, garotos dessa idade têm um desejo exacerbado de impor as próprias opiniões. Assim, pode ser difícil parar para ouvir, respeitar o ponto de vista alheio e relevar. Outro aspecto é que a competição é natural em relações fraternas. Quando os conflitos se tornam constantes ou há agressões verbais e físicas, no entanto, é necessário intervir. “Atue como mediadora, sem tomar partido. Foque apenas na situação e não use adjetivos”, ensina a psicóloga Claudia Lins Cardoso, da Universidade Federal de Minas Gerais. “Faça-os compreender que o diálogo é a melhor saída.”

A boa convivência deve ser estimulada desde cedo, já nos primeiros anos de vida das crianças, ensinam os especialistas. Deixe claro para os meninos que eles não precisam concordar em tudo, mas devem se respeitar sempre. “É essencial a mãe se colocar no lugar dos filhos para entender cada um, sem julgá-los nem culpá-los excessiva ou desnecessariamente”, observa a psicóloga Luiza Maria Braga Silveira, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. “Mostre que as brigas deles constrangem e prejudicam toda a família e pergunte o que cada um pode fazer para reduzir as desavenças.”

Procure compreender as razões de os ânimos estarem exaltados e resista à tentação de superproteger o mais novo, como se ele não tivesse condições de lidar com a situação. Ainda que você tenha a melhor das intenções. “Mais atrapalha do que ajuda pender para o lado de um dos filhos porque ele está passando por dificuldades como o término de um namoro ou notas baixas na escola”, avisa a psicóloga Claudia. Como mãe, você deve agir com objetividade e imparcialidade, além de nunca remoer problemas anteriores. E há ocasiões em que ambos estão com a razão, apesar de enxergarem a questão de maneiras diferentes. Tente ajudá-los a identificar o que incomoda no outro. Mas atenção: se achar que eles estão descontrolados e não há clima para conversar, proponha que cada um vá para seu canto pensar e os procure mais tarde, quando esfriarem a cabeça.

A iniciativa não só trará melhoras para a qualidade de vida da família como contribuirá para o futuro dos dois. Esse tipo de mediação é importante para que eles aprendam a resolver conflitos dentro e fora de casa, seja no ambiente escolar, seja, mais tarde, no trabalho. Se, apesar dos seus esforços, as confusões não cessarem, procure ajuda profissional. Em alguns casos, os especialistas até recomendam que o atendimento seja estendido aos pais, pois os filhos podem estar repetindo comportamentos deles.
 

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