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Maternidade real: até que ponto postar experiências pessoais na internet?

Mulheres dispostas a repensar a forma como imaginamos o maternar estão falando sobre o assunto nas redes sociais; descubra o limite dessa conversa

Por Lorraine Moreira
8 out 2023, 06h04

Nasce uma mãe, nasce uma culpa ‒ ou milhares delas. Alimentação, saúde, roupas, educação e mais uma infinidade de preocupações recaem sobre esse grupo. Do outro lado, há um serzinho novo, pelo qual você sente um amor profundo e está ansiosa para acompanhar cada passo de sua vida. É nesse contexto que surge a maternidade real: ela mostra os dois lados da moeda. Quando influenciadoras começaram a apresentar a realidade, porém, surgiu a questão sobre até que ponto é válido compartilhar as partes negativas nas redes sociais.

Ser mãe está longe de ser fácil, mas há quem romantize esse processo. Olhar apenas para os pontos positivos traz danos para quem vivencia na pele essa experiência: além da cobrança para ser perfeita, é possível sentir que está errada quando emoções negativas aparecerem. A maternidade real busca transformar essa lógica, expondo essa dinâmica como ela é, sem romantização, segundo Angie Cunha (@maternidade.solo.real), mãe solo ativa na causa.

“A cobrança é 24 horas por dia, sete dias por semana. Não há trégua nas imposições”, analisa. Ser a mãe perfeita, criar filhos livres de defeitos e não deixar nada sair do controle são requisitados pela sociedade, com isso todos podem criticar qualquer coisa que julguem sair do correto. “Quando você cria seus filhos sozinha, sem rede de apoio, então, esse discurso é ainda mais adoecedor.” Realidade de pelo menos 11 milhões de mulheres só no Brasil, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia.

“O que leva as mulheres ao esgotamento e exaustão é a maternidade cheia de expectativas inalcançáveis, somada a um acúmulo de responsabilidades”, explica a psicóloga de mães Soraya Romano (@sorayaromano). Angie concorda: “A responsabilidade de criar um filho sozinha é imensa. Tudo é com você, e equilibrar todos os pratinhos para dar conta exige muito. Eu me viro nos 30”.

Até que ponto é saudável compartilhar suas vivências?

Neste ano, uma influenciadora publicou em sua conta do TikTok problemas associados à maternidade. Em determinada parte do vídeo, a criança aparece e a mulher continua a contar o que estava acontecendo e como ser mãe era uma função da qual ela não gostava. Não demorou muito para aparecerem pessoas falando que aquilo não deveria ser dito. Mais tarde, a própria criadora de conteúdo disse ter se arrependido.

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Outro ponto é que os vídeos permanecem na internet independentemente do tempo – ainda que sejam apagados por quem publicou, é possível haver cópias da publicação salvas ou em outros perfis. “O publicado se eterniza”, diz Soraya,

“Dependendo do teor das postagens, as crianças podem ver no futuro e se sentirem desconfortáveis. Avaliar se vale a pena postar determinada foto, vídeo ou comentário, fazendo um exercício de imaginação sobre como meu filho vai se sentir vendo isto é necessário”, pontua a psicóloga. O conselho não estimula que mães deixem de compartilhar suas experiências, mas que separem o que vale ser divulgado do que não vale.

Mulher cansada
Rede de apoio é fundamental para a mãe (Nataliya Vaitkevich/Pexels)

A exposição da vida das pessoas é uma realidade atual, mas é importante considerar que os filhos não escolheram se expor e não sabem das consequências em longo prazo dessa decisão, diferente dos responsáveis por elas. “Os adultos escolhem, já as crianças não entendem muito bem os efeitos dessa dinâmica.”

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Mas como descobrir qual é o limite? As redes sociais fazem parte da nossa vida social, portanto vale considerar outros espaços da sociedade, segundo a especialista. “Você falaria sobre isso com um grupo de mães? Como falaria? Qual o objetivo de falar sobre isso?”, exemplifica ela. Respondendo essas questões, é mais fácil ter clareza sobre o que postar. “A mãe precisa ter em mente que não é apenas a câmera a testemunha de um desabafo ou um assunto qualquer, são milhares de pessoas que podem ser alcançadas com uma postagem.”

Falar sobre maternidade real é necessário

Muitas mulheres relatam a solidão que sentem depois do filho nascer. Foi assim com Agnes: “A solidão materna é uma realidade presente na vida da maioria das mães. Além de me sentir bastante solitária, eu também sentia a necessidade de contar para as pessoas todas as lutas que uma mãe solo passa.” Para elas, as redes sociais são também redes de apoio entre mães, que conseguem interagir e somar forças por meio de interações nas mídias. 

“Criei minha página no Instagram motivada pela pandemia de abandono paterno. Foi um grito”, comenta a criadora de conteúdo, que completa: “formamos uma comunidade de mulheres que se identificam e, hoje, somos rede de apoio on-line. Desabafamos, conversamos e trocamos informações de qualidade.” Está justamente aqui a importância de pessoas falando sobre o processo de maternar: encontrar apoio, pois muitas vezes não acham isso perto delas.

Segundo a psicóloga, “trocar experiências com outras mães é essencial para nossa saúde mental. Além de manter um vínculo social, a rede de apoio nos mostra que não estamos sozinhas nesta jornada, que outras mães também passam pelo mesmo desafio”. Através da rede de apoio e das trocas de experiência a mãe se torna mais segura, aumenta sua percepção de pertencimento por fazer parte de um círculo social, acrescenta ela.

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