De menina sonhadora à líder que mudou leis no Brasil: quem é Maíra Liguori
Finalista do Prêmio CLAUDIA 2025, ela transformou sua trajetória em uma luta por dados, diálogo e políticas que ampliam a igualdade de gênero no Brasil
Nenhum desejo falava mais alto do que a vontade de ser independente. Maíra Liguori ainda era criança, mas já sabia que seguiria os passos da mãe. “Ela trabalhava, tinha seu próprio dinheiro, sua autonomia e muitas responsabilidades, mas responsabilidade nunca me assustou”, lembra.
A vida seguiu seu curso e, na fase adulta, Maíra assumiu responsabilidades à altura daquele impulso inicial. Hoje, ela é presidente da Think Olga, ONG de inovação dedicada à igualdade de gênero, e da Think Eva, consultoria voltada à equidade nas empresas, duas organizações das quais é cofundadora.
Agora, também é finalista do Prêmio CLAUDIA 2025 na categoria Direitos da Mulher, e falou sobre sua trajetória em entrevista à revista.
Como a infância e o jornalismo despertaram seu olhar para desigualdades
Sua infância foi em Atibaia, no interior de São Paulo, cercada pela natureza, pela liberdade de brincar na rua e por uma casa sempre cheia. “Havia sempre pessoas entrando e saindo”, diz. “Não era uma infância de abundância financeira, mas eu tive boas oportunidades de formação educacional.”
Foi na adolescência que se decidiu pelo jornalismo. “Sempre amei as palavras e sou muito curiosa. Encontrei no jornalismo uma forma de ler o mundo e escrever para quem também tivesse essa curiosidade”, explica Maíra. O estímulo para pensar, dentro e fora de casa, também a levou a querer entender injustiças e desigualdades.
Do jornalismo, seguiu para o planejamento estratégico de comunicação, e lá algo mudou. “Ao fazer pesquisas de campo, etnografia e conversar com pessoas muito diferentes, olhando no olho, percebi que havia espaço para conversas urgentes sobre feminismo e impacto social”, lembra.
O impacto da Think Olga e Think Eva e sua contribuição para criação de lei
O ano era 2014 e Maíra percebeu que seu conhecimento poderia gerar transformação. Em janeiro de 2015, já era diretora de inovação da Think Olga. Seis anos depois, assumiu a presidência da instituição, uma das mais respeitadas do país por promover debates fundamentados em dados e cuja atuação contribuiu, por exemplo, para a criação da Lei de Importunação Sexual.
“A pesquisa é essencial para revelar cenários. Uma amiga diz: ‘Sobre o que não há dados, não está dado’. Gerar dados é abrir conversas que reverberam em pessoas, políticas públicas e decisões nas empresas.”
Se o seu trabalho transformou a Think Olga e a Think Eva, o contrário também é verdade. “Nas discussões com nossa comunidade, me entendi como mulher no mundo. Passei a reconhecer situações que vivi como violências ou desigualdades, algo que antes eu não conseguia nomear. Entendi que o meu ofício podia, sim, gerar impacto social.”
O trabalho em conjunto a ajudou nesse caminho. “Construí essas organizações com minhas sócias [Jules de Faria e Nana Lima] a partir das nossas crenças e valores, com limitações e potencialidades, mas sempre de forma verdadeira e conectada com quem somos.”
O que Maíra deseja para o futuro
Para o futuro, Maíra aposta em duas frentes. “Quero continuar no trabalho de impacto social, sempre próxima do setor privado e buscando formas de amplificar o que fazemos em empresas, marcas e na sociedade. E hoje, um dos meus maiores propósitos é a sustentabilidade das organizações. A maturidade traz esse entendimento: precisamos estar vivas, saudáveis e de pé para fazer a mudança que desejamos.”
O sonho que a move permanece cristalino. “Que todas as meninas possam viver de forma plena e digna, seguras, reconhecidas em suas contribuições e potencialidades. Sonho com um mundo em que o cuidado esteja no centro, compartilhado entre todos, sem sobrecarregar meninas e mulheres. Um mundo em que cuidar das pessoas, das cidades, da natureza e do próximo seja o princípio das políticas públicas e das decisões coletivas.”
O Prêmio CLAUDIA 2025
O Prêmio CLAUDIA chega a sua 25ª edição, celebrando mulheres que transformam o Brasil em diferentes áreas. A edição 2025 será realizada em 9 de dezembro, às 20h, no Roxy Dinner Show, Rio de Janeiro, e destaca finalistas que se tornaram referência em cultura, educação, negócios, direitos da mulher, saúde, inovação, sustentabilidade, trabalho social, influência digital e impacto do ano.
O júri desta edição reúne nomes influentes e plurais, como Zezé Motta, Maria da Penha, Luiza Helena Trajano, Ana Fontes e a jornalista Aline Midlej, além das representantes da Editora Abril: Karin Hueck (editora-chefe de CLAUDIA), Helena Galante (diretora de núcleo da Abril) e Andrea Abelleira (VP de Publishing da Editora Abril).
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