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Conheça Luana Ozemela, Vice-Presidente de Impacto Social do iFood

A economista reflete sobre a experiência de equilibrar as suas ambições com a rotina da maternidade

Por Kalel Adolfo
Atualizado em 3 jun 2024, 16h00 - Publicado em 29 Maio 2024, 16h00

Luana Ozemela, Vice-Presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood, é alguém que poderíamos chamar de “super-heroína da vida real”.

A lista de conquistas e feitos notórios na carreira da economista é extensa: em pouco tempo, venceu o Prêmio Nacional Sim à Igualdade Racial 2023, esteve no top 100 Mulheres Inovadoras Brasileiras 2023, se tornou cofundadora da BlackWin, PreCapLab e GryndTech, e atualmente, figura entre as 500 pessoas mais influentes da América Latina.

Nas últimas semanas, Luana vem utilizando toda a sua expertise para encontrar maneiras de atenuar as consequências das inundações no Rio Grande do Sul (falaremos mais sobre isso em breve).

Em meio a todos esses eventos, a economista também precisa desempenhar um papel importantíssimo: ser mãe de Chigo, de cinco anos. Sem dúvidas, poucos indivíduos no mundo seriam capazes de desempenhar tamanha versatilidade com o nível de excelência entregue por Ozemela.

A seguir, você confere o nosso papo com a Vice-presidente de Impacto e Sustentanbilidade do iFood, que além de detalhar a sua trajetória profissional, também reflete sobre como é conciliar o desejo de estar cada vez mais próxima de sua família (sem abrir mão de suas ambições). Confira:

Entrevista com Luana Ozemela.
Atualmente, Luana coordena as ações do iFood para ajudar na recuperação do Rio Grande do Sul. (Pino Gomes/Divulgação)

CLAUDIA: Antes de tudo, me conte sobre como iFood vem atuando no Rio Grande do Sul. Quais estratégias vêm sendo aplicadas para dar suporte aos entregadores e funcionários da região?

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Luana Ozemela: Eu sou do Rio Grande do Sul, e venho liderando toda a resposta ao desastre. Vem sendo semanas duras, com certeza. Temos mais de uma centena de funcionários que vivem lá. Então, primeiramente, estávamos preocupados com a segurança de todas essas pessoas. Agora, já sabendo onde elas estão, demos todo o apoio financeiro possível, incluindo antecipação de FGTS, equipamentos, tudo o que fosse necessário para conseguirem se recuperar.

A nossa segunda ação tem a ver com os nossos entregadores: temos mais de quatro mil pessoas que fazem entrega através do iFood no Rio Grande do Sul. No momento, estamos trabalhando ao lado do sindicato de Porto Alegre para identificar a localização de todos, pois vários deles não se logaram na plataforma há algum tempo. Queremos nos certificar de que eles não estejam em perigo. Há um esforço muito grande de assegurar que todos estejam bem.

Também fizemos uma doação equivalente a dois milhões de reais para todos os nossos entregadores que realizaram ao menos uma entrega nas semanas anteriores ao desastre. Queremos que eles consigam se manter durante esse período.

Para os restaurantes, estamos eliminando todas as taxas relacionadas à antecipação dos recebíveis. Há mais uma série de medidas que vêm sendo implementadas, e todas podem ser conferidas na página oficial do iFood.

CLAUDIA: Já que estamos falando sobre impacto social na prática, me conte sobre a sua trajetória profissional até chegar em sua atual posição. De onde vem a paixão por provocar mudanças notórias na sociedade?

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Luana Ozemela: Comecei a minha carreira em tecnologia, como programadora de software e gerente de projetos. E enquanto eu estava na área, comecei a estudar economia. Para mim, economia representou uma epifania. Eu venho de uma família de ativistas do movimento negro. Sempre fui muito compromissada, e atuei na área seja através do movimento feminista negro gaúcho, seja através de organizações de pessoas jovens de movimentos como o ENEGRECER.

Quando percebi que economia era o caminho para perseguir, fiz a transição. Me formei em economia na federal do Rio Grande do Sul, e depois, saí do Brasil com bolsa de estudo para fazer mestrado e doutorado em economia. Me especializei em economia de trabalho e discriminação racial.

Morei na Escócia, onde fiz o doutorado, trabalhei algum tempo com o governo angolano em políticas públicas, e comecei uma carreira em desenvolvimento internacional. Logo após o doutorado, passei a trabalhar no Banco Interamericano de Desenvolvimento em Washington, onde virei funcionária de carreira e passei oito anos da minha vida morando lá.

Durante dois desses anos, fiz trabalho remoto, pois me mudei para o Catar, onde meu marido estava trabalhando. Foi lá que engravidei do Chigo. Nesse meio tempo, me desdobrava em viagens entre a América Latina e o Oriente Médio. Isso durou dois anos. E então, decidi sair do BID, pois seis meses antes da pandemia, eles me pediram para retornar a Washington. Após eu pedir demissão, eles me contrataram como consultora, e eu passei mais um tempo atuando com análise de riscos de grandes empréstimos.

Simultaneamente, decidi abrir uma empresa de consultoria no Catar, no centro financeiro. Realizei parceria com a Unicef e fiz consultoria para algumas empresas, as ajudando a tornar-se sustentáveis na prática, usando mais as ferramentas da economia do que dos direitos humanos. O meu foco passou a ser construir um portfólio de empresas de impacto, companhias lideradas por pessoas negras que poderiam receber aporte tanto de investidores do Catar quanto de investidores a nível global.

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Também lancei um programa chamado PreCapLab, financiado pelo grupo Carrefour, que contou com três edições e apoiou cerca de 50 empresas, levantando cinco milhões de capital. Tudo remotamente.

E aí, decidimos nos mudar para a Noruega. Dois meses de chegada, o Ifood me faz o convite para ingressar na empresa. Aqui, eu comecei como VP em Residência, a fim de descobrir exatamente qual seria o meu papel na empresa. Depois de quatro meses, eu e o Fabrício Bloisi [CEO do iFood] decidimos criar a vice-presidência de Impacto Social, que é focada em melhorar as condições de trabalho dos entregadores, educação, equidade, proteção e segurança. Há um mês, essa vice-presidência, que era focada em impacto social, passou a ter foco também em impacto ambiental.

São cerca de 50 pessoas olhando para isso. Além das iniciativas serem muito escaláveis, e sermos muito data-driven, me orgulho muito de termos conseguido identificar a possibilidade de criar valor em todas as áreas do iFood.

Entrevista com Luana Ozemela.
Antes de migrar para a economia, Luana atuou alguns anos na área da economia. (Pino Gomes/Divulgação)

CLAUDIA: Você comentou que engravidou enquanto estava no Catar, em meio a inúmeros desafios profissionais e mudanças em sua trajetória. Como foi esse momento para você?

Luana Ozemela: Eu sempre quis ser mãe, desde que me casei. Porém, meu marido morava no Reino Unido, e eu, nos Estados Unidos. Nos víamos uma vez por mês. Era muito difícil construir uma família, mas acabou acontecendo. Tinha 38 anos quando me tornei mãe.

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Eu já estava me preparando mentalmente para as adaptações que eu precisaria realizar, mas sempre tive em mente que tentaria priorizar as duas coisas. A minha estratégia foi seguir construindo a minha carreira, mas de uma maneira mais flexível, sabe?

Essa experiência nos mudou completamente. Sempre digo que sou uma pessoa paciente, mas acho que ser mãe me fez desacelerar um pouco. Tenho paciência para ensinar, por exemplo, mas também sempre tive grandes expectativas em relação às pessoas. Todos precisavam aprender rápido, pois foi assim que eu aprendi, foi na pressão, sempre fazendo dez mil coisas ao mesmo tempo.

Mas aí, quando tu olha para uma criança, cai a ficha de que as coisas seguem um passo a passo. Não dá para correr a toda hora. Então, passei a aplicar esse modo de pensamento na minha forma de liderar. Aprendi a me adaptar aos diferentes estilos de pessoas, com a compreensão de que é importante simplificar as coisas, trazer claridade, direcionar. Foi extremamente positivo ganhar essa percepção de que eu não preciso ser apenas uma executora de coisas.

CLAUDIA: Sobre o seu desejo de ser mãe: qual experiência acerca da maternidade te pegou de surpresa? O que ninguém te contou sobre essa vivência?

Luana Ozemela: Sou uma pessoa que gosta de ter o controle sobre as coisas. Gosto de previsibilidade. Como eu venho da economia, da lógica e da programação, espero que as coisas aconteçam da maneira que estou planejando. Porém, quando você é mãe, não é bem assim. Há a questão do pós-parto, que vem repleto de emoções. Nunca deixei o estresse me abalar, mas esse período, dos primeiros seis meses, foi de muita instabilidade emocional.

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“Como eu venho da economia, da lógica e da programação, espero que as coisas aconteçam da maneira que estou planejando. Porém, quando você é mãe, não é bem assim”

Luana Ozemela

Ainda bem que tenho um esposo que viu isso e sempre dizia: seja paciente contigo mesma. Ele me fez compreender que aquele momento era passageiro. Eu realmente não esperava ficar tão emotiva quanto eu fiquei.

Sempre fui e continuo sendo ambiciosa em termos de sonhar grande, não para mim, mas ambição de realizar sonhos que são muito grandes. Quando virei mãe, não é que deixei de fazer essas coisas, mas eu coloco meu filho na equação de decisão. Se amanhã eu recebo um convite para palestrar em algum lugar, caso eu não tivesse filho, eu pegava o avião e iria. Mas agora, eu penso: vale mesmo a pena? O que eu vou ganhar com isso? Comecei a pensar nos porquês. A proposta precisa valer muito a pena para eu largar tudo e ir.

Entrevista com Luana Ozemela, VP de Impacto Social do iFood.
Luana Ozemela e Chigozie, seu filho de cinco anos. (Luana Ozemela/Acervo pessoal)

CLAUDIA: Você afirmou que sempre sonhou grande. Essa é uma característica inerente a sua personalidade ou você aprendeu a pensar dessa maneira?

Luana Ozemela: Aprendi com o meu pai. No dia em que eu nasci, em julho, o Papa João Paulo II chegou em Porto Alegre. Lembro que meus pais estavam desempregados, morando em uma garagem. Mesmo assim, lá estavam eles: ganhando gêmeos no hospital.

Nesse dia, uma comitiva de jornalistas e funcionários do Papa chegou ao hospital, oferecendo dinheiro e visibilidade para que meus pais mudassem nossos nomes em homenagem ao Papa. A ideia era colocar Joana e Paulo. Eles prontamente negaram o pedido, afirmando que o dinheiro e a visibilidade acabariam em pouco tempo, enquanto os nossos nomes representavam o nosso futuro.

Havia um significado importante por trás dos nomes que eles haviam escolhido, e eles não iriam mudar isso. Meu pai sempre me conta essa história, e aquilo me fez acreditar que somos muito poderosos. Nós dissemos ‘não’ para o Papa!

Além disso, ele sempre fazia questão de me dizer o quanto eu era linda e inteligente. Desde muito criança, ele me colocava no topo do roupeiro e dizia: ‘Voa, porque tu precisa sonhar grande’. Isso me instigou a ser quem eu sou hoje.

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