Suspender a menstruação é realmente benéfico?

Especialista esclarece as principais dúvidas sobre o tema

Antigo tabu social, a menstruação pode ser uma caixinha de surpresas com seus efeitos variando de mulher para mulher. Para algumas, ela não passa de um incômodo sangramento mensal. Para outras, contudo, pode representar algo muito maior. E pior.

A combinação de cólicas intensas, dores no resto do corpo, inchaços e toda a montanha-russa de humores da TPM contribui para que o período se torne um pesadelo para algumas mulheres. Assim, já não é incomum que muitas optem por interromper a menstruação. É fundamental, no entanto, que quem opte por isso tenha um acompanhamento médico. 

Por outro lado, há ainda uma certa nebulosidade quanto aos benefícios e riscos dessa escolha. Para sanar essas dúvidas, confira os esclarecimentos de Renato de Oliveira, ginecologista e infertileuta da Criogênesis:

Todas as mulheres podem suspender a menstruação?

Sim, porém qualquer método que possua estrogênio não deve ser utilizado por mulheres com hipertensão não controlada, que tenham passado por cirurgia de grande porte com imobilização prolongada, que tenham antecedente de acidente vascular cerebral, doenças cardíacas isquêmicas, enxaquecas severas, tumores hepáticos ou hepatites agudas.

Quem tem mioma e/ou endometriose pode se beneficiar com a suspensão?

Sim, suspender a menstruação também pode ser tratamento para algumas doenças como mioma e/ou endometriose. Para o mioma, por exemplo, o possível sangramento intenso pode ser controlado pela suspensão da menstruação.

No caso da endometriose, que caracteriza-se pela presença de tecido endometrial implantado fora da cavidade uterina, pode causar, para algumas pacientes durante sua menstruação, intensas dores, diarreia e até mesmo sangue na urina. Nesta situação, a suspensão seria uma excelente alternativa para diminuir esses sintomas, porém lembrando que essa técnica pode tornar a chance de gravidez praticamente nula. 

Parar de menstruar causa infertilidade?

Não, os métodos hormonais não causam infertilidade permanente. A interrupção do método e o retorno aos ciclos menstruais sugere o retorno à fertilidade. No entanto, há outros fatores que podem associar-se à dificuldade de engravidar, como a idade, por exemplo. Dessa forma, não é o fato de ter usado 10 a 15 anos de anticoncepcional que dificulta a gravidez, mas sim o fato de a paciente ter perdido esses anos de vida reprodutiva.

Quais são os métodos para suspender a menstruação?

O método mais comum é o uso contínuo da pílula anticoncepcional. Neste caso, a paciente toma o medicamento, que pode ser uma combinação dos hormônios estrogênio e progesterona, ou somente a progesterona, sem interrupções.

Dentre os outros métodos estão o DIU liberador de levonorgestrel, opção que pode evitar a menstruação e a gravidez, sendo aconselhado mantê-lo por até cinco anos; o Implante subcutâneo – um pequeno bastão flexível, mais fino que um palito de dente, é fabricado à base de progesterona e deve ser colocado sob a pele no antebraço; e a injeção trimestral de acetato de medroxiprogesterona.  

Como escolher o melhor método?

A suspensão da menstruação deve ser indicada por um especialista. A prescrição de qualquer método deve considerar a segurança para cada paciente conforme os critérios de elegibilidade da Organização Mundial de Saúde (OMS). Assim, a consulta médica é fundamental para evitar os riscos da automedicação.

Abaixo, o médico Drauzio Varella fala sobre o assunto.

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