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Quais os fatores de risco, causas e os sintomas de aborto espontâneo?

Médica ginecologista tira as principais dúvidas sobre aborto natural, cita os sinais para prestar atenção e se há ações de prevenção

Por Camila Pati Atualizado em 30 nov 2020, 09h33 - Publicado em 27 nov 2020, 13h00

Nesta semana, Meghan Markle divulgou uma carta aberta no jornal The New York Times em que relata a dor física e emocional de sofrer um aborto espontâneo. Em um texto sincero, a duquesa de Sussex, de 39 anos, compartilhou a dor de um luto que ainda é pouco tratado. (Leia o relato aqui)

Mas, ao contrário do que muita gente imagina, o aborto espontâneo é comum entre as mulheres. “Cerca de 20% a 30% das mulheres com gestação confirmada sangram durante as primeiras 20 semanas de gestação, metade delas aborta espontaneamente”, explica a médica Polyanna Pereira de Azevedo, ginecologista da Clínica Leger.

Isso significa que a incidência do aborto espontâneo é de 20% das gestações confirmadas. “Sem contar nos casos não confirmados, em que essas taxas aumentam ainda mais”, diz a ginecologista.

A maior probabilidade de o aborto espontâneo ocorrer é até a 12ª semana. Após esse período, o aborto é chamado de tardio e é bem mais raro. A idade é um fator importante, pois a incidência aumenta nas duas pontas da idade fértil: até 19 anos e após os 35 anos.

“O risco de ele acontecer pode ser de até 40% em mulheres que estão grávidas aos 40 anos e esse percentual pode aumentar ainda mais com o avanço da idade”, diz Polyanna.

No entanto, a idade não é único fator de risco para aborto espontâneo. “Tabagismo, vício em álcool e drogas ilícitas, uso de medicamentos, baixo ou alto peso também são fatores de risco”, diz a médica.

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O fato de ser primeira, segunda ou terceira gestação não tem influência nos riscos de aborto. “Mas o risco aumenta consideravelmente quando há duas ou mais perdas prévias. E obviamente, com a avançar da idade materna, maior o risco da perda”, explica.

Quais os sintomas e sinais de aborto espontâneo?

Meghan Markle relatou que sentiu uma forte contração e soube, naquele momento, que estava perdendo seu bebê. Entre os principais sintomas estão o sangramento de intensidade variável via vaginal, dores abdominais tipo cólica e dor lombar. Ao detectar esses sinais, vá ao médico para realizar exames de ultrassom, recomenda a médica, a fim de verificar se há, de fato, alguma complicação na gestação.

É importante destacar que nem todos os abortos espontâneos apresentam sinais perceptíveis, segundo a ginecologista.  “Principalmente quando ocorre no início da gestação, onde só é possível identificar o aborto através de exame de ultrassonografia”, diz Polyana.

Quais as causas de aborto espontâneo?

Mais da metade dos casos de aborto se devem a anomalias cromossômicas. Para os abortos em início de gestação, com até três semanas de gravidez, existe uma grande dificuldade em diagnosticar a causa. “É complicado colher material para exame genético, uma vez que ainda nem existe atraso menstrual”, explica a médica.

Como prevenir aborto espontâneo?

A melhor maneira é manter os exames e as idas ao ginecologista em dia. “Com isso, é possível detectar e controlar problemas como diabetes, hipertensão, alterações na tireoide, além de descobrir e tratar miomas e avaliar o colo uterino. Na consulta, você deve informar o uso de medicações contínuas. Também é preciso manter as vacinas em dia, como a rubéola”, diz a ginecologista.

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