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Bula, ler ou não ler?

Leia, desde que você esclareça as informações confusas com seu médico, não se impressione com possíveis efeitos colaterais e jamais use os dados para se automedicar

Por Redação M de Mulher 26 out 2008, 21h00 | Atualizado em 21 jan 2020, 12h54
Fabricio Pellegrino
Fabricio Pellegrino (/)
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Por lei, a letra deve ter 1,5 mm
Foto: Dreamstime

Se você é daquelas que dá uma olhadela na bula e decide, por conta própria, ingerir ou não o medicamento – ou, mesmo que tome, fica induzida a sentir todos os efeitos colaterais -, cuidado! O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) avaliou o texto de 19 fármacos brasileiros e constatou ausência de informações, fornecimento de dados confusos e falhas no cumprimento de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Detalhe: entre os grupos selecionados estavam anti-hipertensivos, vasodilatadores, anti-reumáticos, antiinflamatórios, ansiolíticos, antidepressivos e hipolipemiantes (redutores dos níveis de colesterol). Ou seja, remédios do cotidiano das pessoas. Para o Idec, as bulas precisam ser mais claras. Mas há quem veja nisso o risco de levar pacientes a se automedicarem. Nesse fogo cruzado, convém você usar a bula como mero apoio das informações que obtiver diretamente com o médico. E usá-las de forma responsável!

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Sobre o remédio, pergunte ao seu médico

· Nome (se é marca ou fantasia), princípios ativos e existência de genéricos mais baratos.
· Formas, horários e prazos de ingestão.
· Tipo de atuação e se cura os sintomas ou apenas alivia.
· O que fazer em caso de não eficácia.
· Possíveis efeitos colaterais e como agir diante deles.
· Permissão para grávidas, lactantes ou quem deseja engravidar.
· Permissão para uso de outras drogas e bebidas alcoólicas durante o tratamento.
· Necessidade de evitar o consumo de algum alimento e dirigir.
· Se causa dependência.
· Alternativas ao tratamento.

Opinião clínica

Acostumada a receber pessoas que se automedicam ou evitam a droga prescrita após ler as informações, Rita Jardim, psiquiatra do Rio de Janeiro, orienta: ”O paciente deve confiar no profissional e não na bula”. Leia a seguir a opinião da psiquiatra.

· Ler a bula pode prejudicar o tratamento?
Algumas informações atrapalham. Às vezes, descrevem um efeito colateral raríssimo e, por isso, alguns se recusam a tomar o remédio. Apesar de estarem descritos na bula, a maioria deles não acontece com tanta freqüência. Se constatar informações equivocadas na bula, comunique à Vigilância Sanitária do seu estado.

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· É possível alguém se condicionar aos sintomas descritos após ler o texto?
Isso acontece freqüentemente. O usuário lê sobre um determinado sintoma e começa a senti-lo após tomar o medicamento. Às vezes, isso é tão imediato que nem dá tempo de o remédio fazer efeito no organismo. Como a indústria farmacêutica coloca todas as possibilidades de efeitos colaterais, as pessoas ficam suscetíveis.

· Qual é a solução?
Algumas informações não devem aparecer tão completas, como doses, quantas vezes tomar, etc. O profissional consultado é quem deve determinar isso.

· O que a senhora recomenda?
O paciente deve confiar no profissional e não na bula. Um médico jamais indicaria a um paciente um fármaco que faria mal.

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· O problema é a automedicação?
Muitos remédios, como aqueles para dor e febre, são vendidos sem bula e podem gerar efeitos colaterais graves. Automedicação, com ou sem bula, é sempre perigosa. Algumas pessoas acham que podem controlar a própria doença e até medicam outras.

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