Vítimas de violência doméstica não estão sós no isolamento

A violência contra mulher teve um aumento de até 50% em alguns estados durante o distanciamento social, segundo o Instituto Maria da Penha

Poderia ser uma chamada de vídeo normal com os parceiros de trabalho, mas que por sinais de uma não normalidade salvou uma mulher. O vídeo do Instituto Maria da Penha que viralizou nesta semana traz essa situação corriqueira para fazer o alerta que a violência doméstica está mais próxima do que muitos imaginam. Além da proximidade, a frequência em que os casos acontecem é alarmante. A cada 2 segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil, conforma dados do Instituto.

O espaço doméstico para as mulheres que são vítimas de agressão não é sinônimo de segurança, principalmente em tempos distanciamento social, em que passam mais tempo ao lado do agressor. Segundo o Instituto, desde o início do isolamento social, os casos de violência doméstica atendidos pela polícia militar apenas no estado de São Paulo aumentaram 44,9%.

Além de São Paulo, de acordo com um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), comparando com os meses de março e abril do ano passado, as agressões contra mulheres também cresceram no Acre, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará.

Para Regina Célia Barbosa, cofundadora e vice-presidente do IMP, há pontos modificados na relação da vítima e agressor na quarentena. “Primeiro é que o agressor passa a ter acesso irrestrito ao celular da vítima, provavelmente ele a obrigou a retirar a senha para vasculhar todos os seus contatos e mensagens. O que leva ao segundo ponto, quando a vítima fica desgastada e cede mais rápido às chantagens, pois não suportar ficar muito tempo tensionada emocionalmente”, explica Regina.

O resultado desses agravamentos, segundo a cofundadora do Instituto, é o controle total do agressor à mulher. “A violência psicológica e moral em sua permanência faz com que a vítima entre em depressão e não ofereça nenhuma resistência aos ataques”, comenta. Por isso é uma responsabilidade coletiva ter atenção aos sinais de anormalidade. “Expressão deprimida, sem querer falar muito, desanimada são formas de expressar a sensação de que está sendo controlada, vigiada e violentada”, alerta Regina

Mas, assim como Carla conseguiu avisar à colega de trabalho Mariana, que tinha sido agredida pelo marido e receber ajuda no vídeo fictício, na vida real nenhuma vítima também está sozinha. Por isso, falar com alguém em que se sinta à vontade ou esteja próximo e denunciar são recomendações essenciais para a segurança das mesmas. No número 190 (Polícia Militar), é possível falar sobre emergência. Já no 180 (Central de Atendimento à Mulher) são recebidas as denúncias. O Instituto também oferece orientações jurídicas e psicológicas às mulheres vítimas de violência pelo direct no Instagram e no e-mail institutomariadapenharecife@gmail.com.

Assista ao vídeo das agências F.biz e Vetor Zero, em parceria com o Instituto Maria da Penha:

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