Vida online: 9 dúvidas solucionadas sobre etiqueta na Internet

Especialistas contam a CLAUDIA como evitar perrengues nas redes sociais

Está praticamente impossível separar o mundo real do digital. Use-o a seu favor e reforce relações pessoais e profissionais!

“Para ser simpática, curti selfies de um colega, mas agora ele acha que estou a fim dele. O que eu fiz de errado?”
 
Curtir uma selfie é inocente. Curtir várias, no entanto, denota um interesse mais específico. Assim como interagir com postagens antigas: mais que simplesmente gostar de algo que surgiu casualmente em sua timeline, o clique em imagens publicadas tempos atrás mostra que você navegou pelo perfil da outra pessoa à procura de algo. Outras ações virtuais que podem deixar dúvidas sobre suas intenções são comentar imediatamente todas as manifestações alheias, concordar com tudo que o outro escreve ou começar uma conversa do nada, sem motivo. Se não quer paquerar, evite.
 
“É feio postar foto com meus amigos ou os coleguinhas do meu filho sem consultá-los?”
 
Aqui, bom senso é essencial. Se seus amigos têm alma digital e costumam compartilhar o dia a dia nas redes, sem filtros, não precisa perguntar. Só avalie se, naquela foto em que você se acha incrível, sua prima, por exemplo, não saiu bem – e a postagem poderia constrangê-la. Já para aqueles menos ativos nas redes, vale consultar antes de publicar. Com as crianças, o cuidado é o mesmo e depende muito do grau de intimidade que você tem com os pais delas. No caso de festinhas infantis, avise que pretende mostrar as fotos em seus perfis e verifique se há alguma restrição.
 
“Uma amiga comentou que meu Instagram é egocêntrico, pois só tem selfie… Pega mal?”
 
Sem problemas, mas não crie dependência de curtidas! O alerta é de Jana Rosa, autora do livro Como Ter Uma Vida Normal Sendo Louca e muito ativa nas redes. “É uma escolha pessoal postar várias fotos de si, desde que esteja satisfeita com elas e não espere uma chuva de curtidas toda vez”, diz Jana. Carol Thibes, administradora da página de humor no Facebook Bonecas Trouxas, acredita que postar selfies muito parecidos pode ser maçante para o público: “Se tiver criatividade, aí sim é legal! Explore ângulos ou cenários diferentes.”
 
“Um parente faz comentários constrangedores nos meus posts. Converso com ele ou apago os comentários que me incomodarem?”
 
O perfil é seu. Portanto, você tem o direito de editá-lo da maneira que lhe convier. Se alguma imagem ou ideia não condiz com sua postura ou suas crenças, não é preciso mantê-la lá. Caso o tal parente venha a questioná-la, explique, no reservado, o porquê. Sem culpa! E, se não é a primeira vez que acontece, considere personalizar o status de cada publicação, excluindo apenas aqueles que você não gostaria que a vissem. Funciona no Facebook. Já no Instagram, você teria que bloquear o acesso total à sua conta.
 
“As piadas preconceituosas no grupo da família me desagradam. Como falo que estou pensando em sair?”
 
Preconceito. Machismo. Preferências políticas divergentes. Família. Junte tudo num mesmo grupo de WhatsApp e o resultado será desastroso. Ainda assim, não fique calada. Exponha sua opinião sem ser agressiva – não precisa divorciar-se definitivamente dos parentes. Na próxima reunião presencial, aproveite para dar uma aulinha básica sobre a importância de se evoluir no quesito piadas. Mostre a seus tios e primos que alguns pensamentos ultrapassados perderam toda a graça. Se não funcionar, peça licença e simplesmente exclua seu contato.

“Posso adicionar colegas e clientes no Facebook? E sou obrigada a aceitá-los?”

Avalie antes por que quer estabelecer essa relação. O Facebook não costuma ser usado como rede profissional. Ali, as pessoas compartilham opiniões, o dia a dia e, às vezes, sentimentos bastante íntimos. Se achar que vale a pena e fizer o convite, lembre-se de que a outra pessoa tem o direito de recusá-lo (assim como você). Além disso, ao incluir entre seus “amigos” as pessoas do trabalho, você precisa redobrar os cuidados ao fazer novas postagens. Tudo o que estiver ali poderá comprometer (ou valorizar) a imagem que seus colegas, clientes e chefes têm de você.

“Tudo bem mandar mensagem tarde da noite para minha equipe? E para minha médica?”

Depende. Se a empresa tem uma carga horária rígida, esse expediente só é válido em caso de urgência. Além disso, pela legislação trabalhista, conversas assim podem ser consideradas sobreaviso ou hora extra. No entanto, nas empresas mais modernas, que consideram jornadas flexíveis, a prática costuma ser aceita, desde que acordada com antecedência. Os combinados também valem para os profissionais de saúde. Se, no consultório, o especialista lhe oferece a possibilidade de enviar mensagens para tirar dúvidas, fique à vontade. No entanto, é preciso administrar a ansiedade pela resposta. Se for uma emergência, ligue. Ou vá a uma unidade de pronto atendimento.

“Quando usar emojis?”
 
Pense na relação que você tem com o chefe, o colega ou o cliente. A praticidade das carinhas e dos ícones, que substituem emoções, ações e frases com apenas um símbolo, vem acompanhada de um clima mais descontraído e da sensação de intimidade. Os caracteres especiais podem dar um toque de personalidade à comunicação de uma marca, por exemplo, e até aproximar os fregueses. Mas também podem aparentar preguiça de digitar, falta de seriedade e infantilidade. Há ainda o risco de você ser mal compreendida. Na dúvida, não exagere.
 
“Vale incluir no WhatsApp um colega ou outra pessoa que só conheço de vista?”
 
Uma primeira abordagem pelo aplicativo pode parecer invasiva. Por isso, é melhor tentar falar com a pessoa antes, por e-mail. Se não for possível, inicie a mensagem se apresentando. Diga quem você é, como conseguiu o número e o motivo do seu contato.
 
“Qual a melhor foto para o perfil nas diferentes redes?”

 
No caso de veículos criados para fins profissionais, como o e-mail corporativo e o LinkedIn, é bom usar um retrato que transmita mais seriedade, a não ser que você trabalhe em uma área mais informal. Em qualquer caso, atente para a qualidade da foto – pega mal escolher uma sem foco ou de baixa resolução. Eleja um fundo neutro, roupas de acordo com a profissão e uma postura com a qual você se identifique. Nas redes como Facebook, Twitter e Instagram, o ambiente é mais descontraído.  

*Reportagem de: Ana Paula Machado e Letícia Paiva. 

Colaboraram: Joyce Moysés, coautora de Mulheres Modernas, Dilemas Modernos – E Como os Homens Podem Participar (de Verdade) (Primavera Editorial); Ailton Amélio, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo; Constanza Fernandez, do blog Futilish; Claudia Matarazzo, autora de Etiqueta sem Frescura (Planeta); Elen Souza, assessora de carreiras da Catho; Maria do Carmo Carrasco, coach em comunicação digital; José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching; Regina Canedo de Souza, psicóloga e coach; Beatriz Alves, diretora do Inove Coaching Office, em Belo Horizonte; Juliana Ali, do blog Juliana e a Moda.

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