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O que você deve saber antes do seu filho voltar às aulas presenciais

Da vacina às condições da escola, a médica Raquel Muarrek alerta sobre os cuidados que envolvem os estudantes, os profissionais da educação e a sociedade

Por Nathalie Silva (colaboradora) Atualizado em 26 jul 2021, 14h50 - Publicado em 26 jul 2021, 14h30

Apesar de ainda terem o poder de decidir se seus filhos vão retornar à escola ou não, neste momento, mães, pais e responsáveis estão preocupadas com a retomada das aulas presenciais durante a pandemia.

O governo do Estado de São Paulo anunciou na última terça-feira (20) a volta com 100%  dos alunos da rede pública e particular a partir de 2 de agosto. As escolas que não conseguirem manter as normas de saúde contra Covid-19, como distanciamento de um metro, farão rodízios de turnos e horários. Nas creches, o retorno será com 60% da capacidade. 

De acordo com o secretário municipal de educação Fernando Padula, crianças com algum tipo de comorbidade devem permanecer no ensino remoto. “Cada escola fará sua organização, de acordo com o número de alunos e o tamanho e metragem dessa escola. Vale lembrar que os alunos com alguma comorbidade devem ficar em casa. E continua valendo a lei municipal dizendo que a ida presencial do aluno à escola é uma decisão deles”, disse em coletiva à imprensa.

Em São Paulo, é estimado que 589 escolas municipais de educação infantil (EMEIs) terão que dividir os alunos em turmas diferentes para conseguir dar conta dos 235 mil estudantes. Já nas municipais do ensino fundamental, 580 unidades terão que fazer rodízios para atender os 467 mil estudantes. 

Para reforçar a seguranças dos alunos e dos profissionais, até o momento, a secretaria municipal de educação investiu mais de 200 milhões de reais. A partir de 30 de julho, mais 130 milhões de reais serão direcionados para as escolas se adequarem às medidas sanitárias e ao rodízio; e 23,4 milhões de reais para a compra de equipamentos de proteção. 

Opinião das mães

Para a agente de modelos, Lena Melo, 45 anos, de São Paulo, expor suas duas filhas ao ambiente escolar é um grande risco. “Estou preocupada e nervosa, pois sabemos como vai funcionar na teoria, mas na prática podem ocorrer imprevistos. Não sei o que esperar”, diz.

A filha mais velha de Lena, de 16 anos, já contraiu Covid-19, o que fez a família persistir na decisão de manter as crianças em casa. “Apesar dela não ter tido sintomas fortes, fizemos o isolamento. Foram dias de muita angústia para nós. Enquanto tiver opção, ela e a minha mais nova, de 11 anos, não retornam”, afirma a mãe, que tem as filhas matriculadas no ensino público.

Em Niterói, a jornalista Priscila Correia, 37 anos, também teme o retorno presencial do filho mais velho, de 9 anos, ao quinto ano do ensino fundamental pela rede particular.

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“Meu desejo pessoal é esperar até que as crianças estejam vacinadas, mas não sei se será possível diante de tamanha flexibilização que já estamos vendo”, salienta.

Outro ponto que faz Priscila ter receio é que tanto sua mãe como a sua avó, que tem comorbidade, moram no mesmo prédio que ela e os filhos. “Se nossa família ficar doente, será bem complicado cuidar das coisas sem apoio da minha mãe. Teríamos que entrar em quarentena pelo bem de todos e, principalmente da minha avó, que é do grupo de risco”, revela. 

Cuidados durante a retomada

A infectologista Raquel Muarrek alerta para os cuidados que educadores e estudantes devem ter durante a retomada.”O ideal em cada cidade é saber como está a taxa de contaminação e transmissão. Também é necessário o preparo das escolas para o recebimento das crianças com distanciamento, uso correto de álcool em gel e cobrança da troca das máscaras de maneira correta. Além disso, a vacinação completa de todos os funcionários é crucial”, informa.

A especialista lembra que ainda não atingimos a meta de vacinação de 80% da população para ter uma grande diminuição significativa das mortes causadas por coronavírus.

“É essencial que 80% das pessoas estejam vacinadas com duas doses para termos um controle da doença. Não chegamos a esse ponto. A maioria das pessoas que já recebeu o imunizante tomou apenas a primeira dose”, salienta. 

Caso a família opte pela volta dos filhos às aulas presenciais, que também é uma escolha válida, Raquel orienta os pais e responsáveis que comuniquem a escola sobre qualquer alteração de saúde. Além disso, a médica reforça que a criança ou o jovem não deve ir à escola com sintomas ou após ter contato com alguém que testou positivo.

“Isso evita uma transmissão do vírus de uma pessoa assintomática para outra. É imprescindível que todos tenham o senso e o dever de avisar os casos positivos e negativos dentro de casa para o colégio”, orienta.

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