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Repórter é assediada ao vivo por torcedor

Jornalista estava no meio da torcida do Vasco, do Rio, quando torcedor a beijou

Por Da Redação Atualizado em 15 mar 2018, 15h28 - Publicado em 15 mar 2018, 15h05

A repórter Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, que foi assediada ao vivo com um beijo de um torcedor enquanto trabalhava, desabafou em suas redes sociais. “Senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão”, escreveu. […] “Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.”

Ela estava perto da torcida do Vasco,  perto da entrada do estádio São Januário, no Rio de Janeiro, quando um torcedor a beijou. O ato aconteceu sem o seu consentimento e o homem saiu rindo.

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Sempre fui uma repórter que adora uma festa de torcida. Não me importo com banho de cerveja, torcedor pulando, pisando no meu pé… sempre me deixo levar pela emoção e tento sentir o momento para fazer o meu trabalho da melhor maneira possível. Sempre me orgulhei por ter uma boa relação com todas as torcidas e por ser tratada com muito respeito!! Mas ontem, senti na pele a sensação de impotência que muitas mulheres sentem em estádios, metrôs, ou até mesmo andando pelas ruas. Um beijo na boca, sem a minha permissão, enquanto eu exercia a minha profissão, que me deixou sem saber como agir e sem entender como alguém pode se sentir no direito de agir assim. Com certeza o rapaz não sabe o quanto eu ralei para estar ali. O quanto eu estudei e me esforcei para ter o prazer de poder contar histórias incríveis e estar em frente às câmeras mostrando tudo ao vivo. Faculdade, cursos, muitos finais de semana perdidos, muitos jogos de futebol analisados, estudo tático, técnico, pesquisas etc. Mas pelo simples fato de ser uma mulher no meio de uma torcida, nada disso teve valor para ele. Se achou no direito de fazer o que fez. Hoje, me sinto ainda mais triste pelo que aconteceu comigo e pelo que acontece diariamente com muitas mulheres, mas sigo em frente como fiz ao vivo. Com a certeza que de cabeça erguida vamos conquistar o respeito que merecemos e que o cidadão que quis aparecer é quem deve se envergonhar do que fez. Sou repórter de futebol, sou mulher e mereço ser respeitada.

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O Esporte Interativo divulgou uma nota. “Temos um time grande de mulheres trabalhando nas mais diversas funções, inclusive na frente das câmeras, e temos plena confiança na competência dessas profissionais que, nas ruas ou nos estádios, enfrentam dificuldades comuns da profissão. […] Ontem, ninguém se divertiu. Pedimos respeito a todos os profissionais, a todas as mulheres e que siga o jogo dentro das regras, confiando nas pessoas e no espírito esportivo.”

O homem, que se identificou apenas como Júnior, gravou um vídeo em que pede desculpas. “Eu não sou isso daí que você  imaginando, Bruna. […] Eu estou totalmente errado, totalmente envergonhado. Eu não queria fazer aquilo, mas eu bebi e fiz, to todo errado. Acho que você está 100% na razão de reclamar.”

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