51% dos professores da rede estadual de SP já sofreram violência

Pesquisa inédita conversou com professores, alunos e pais para saber como eles se sentem em relação à violência dentro das escolas

A situação na rede estadual de ensino de São Paulo é preocupante: 51% dos professores afirmam que já foram vítimas de violência no ambiente escolar. É o que mostra um estudo inédito divulgado nesta quarta-feira (27) pelo Instituto Locomotiva. Ele foi desenvolvido a pedido do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). 

Entre os profissionais que afirmam ter sofrido violência, 44% falaram em agressão verbal, 9% em discriminação, 8% em bullying e 5% em agressão física. A situação também é complicada entre estudantes, já que 39% deles também afirmam ter sofrido algum tipo de violência nas escolas – em 2014, essa taxa era de 28%.

“A pesquisa deixa claro que, infelizmente, a escola, que deveria ser um espaço seguro e acolhedor, é hoje um ambiente tão ou mais violento que as ruas do nosso estado. A violência é hoje uma epidemia na rede pública de ensino. Se não for tratada, poderá comprometer o futuro educacional e profissional de toda uma geração”, explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e autor da pesquisa.

“O quadro é gravíssimo. Se é verdade que se trata também de um reflexo da violência que existe na sociedade, não basta constatar esta realidade. É preciso saber como as autoridades educacionais e a comunidade vão lidar com uma situação que ocorre dentro das próprias unidades escolares”, destaca a presidente da Apeoesp Maria Izabel Azevedo Noronha.

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Pais e estudantes acreditam que drogas e álcool, o conflito entre estudantes e a falta de policiamento são as principais causas para o elevado índice de violência nas escolas de São Paulo. Já os professores creem que a falta de educação em casa é a causa disso tudo. Como solução, os dois grupos apontam que o ideal seria investir em cultura e lazer e aumentar o policiamento ao redor da escola.

A pesquisa foi feita entre os dias 1º e 11 de setembro e ouviu 2.553 pessoas. Foram feitas 649 entrevistas com a população maior de 18 anos, 600 pais e mães de estudantes, 602 estudantes e 702 professores da rede estadual de ensino de São Paulo.