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Ex-número 1 do tênis acusa ex-vice-premiê da China de assédio sexual

De acordo com postagem veiculada e excluída em sua rede social, Peng Shuai foi coagida a fazer sexo com Zhang Gaoli, hoje com 75 anos

Por Da Redação 3 nov 2021, 14h06

Considerada uma das maiores estrelas do esporte na China, a tenista chinesa Peng Shuai, de 35 anos, utilizou uma rede social para acusar o ex-vice-premiê do país de forçá-la a ter relações sexuais anos atrás. A mensagem publicada foi deletada posteriormente da página da atleta. 

Segundo uma captura de tela da conta verificada da tenista no Weibo, rede chinesa que se assemelha ao Twitter, a atleta, que é ex-número 1 do ranking mundial de duplas do esporte, afirmou que Zhang Gaoli a coagiu a fazer sexo e, depois, eles tiveram uma relação consensual intermitente.

Acusado, Zhanng Gaoli, de 75 anos, já fez parte do Comitê Permanente do Politburo, órgão que representa a cúpula do Partido Comunista chinês.

Cerca de meia hora após a publicação ter sido feita, o post foi excluído do Weibo. A ação, no entanto, não evitou que o print do post fosse compartilhado em grupos fechados de redes de conversa, como o WeChat, nem que o nome da tenista se tornasse um dos termos mais procurados na internet chinesa, conhecida por ser hipercontrolada e sofrer diversas censuras.

De acordo com uma análise realizada pela Reuters através de uma ferramenta do Weibo, a hashtag com o nome de Peng, que tinha poucas ou nenhuma menção até esta terça-feira (2), atingiu mais de 20 milhões de visualizações desde que ela publicou a mensagem na plataforma. A postagem também gerou discussões envolvendo a hashtag, porém as referências despencaram conforme as publicações sobre o tópico eram excluídas.

Ao realizar uma nova análise na manhã desta quarta-feira, a agência de notícias identificou que as buscas pelo nome de Peng na rede social não traziam mais resultados. Além disso, os debates referentes ao tema foram bloqueados.

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Além da censura na internet, os usuários do WeChat e do QQ, outro aplicativo de conversa, tiveram a função de envio de reprodução de tela desabilitada. A conta de Peng no Weibo permaneça ativa, com posts anteriores visíveis, mas as opções de comentar e repostar não estão habilitadas.

Após a publicação, a esportista, que disse na postagem não ter evidências que sustentem suas alegações, não respondeu a uma solicitação da agência de marketing esportivo APG para comentar sobre o assunto, nem à imprensa. Da mesma maneira, o escritório do Conselho de Informação estatal da China e as empresas Weibo e Tencent, responsáveis pela operação do WeChat, não retornaram aos pedidos de comentários.

Durante uma entrevista coletiva concedida diariamente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Wang Wenbin, foi questionado sobre o caso, no entanto, ele disse não ter conhecimento da questão e alegou que o assunto “não é uma tema relacionado a política externa”.

Apesar do crescimento do movimento #MeToo na China, casos de assédio e abuso sexuais continuam sendo raramente abordados e, quando conseguem ir a público, são censurados. 

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