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Ex-número 1 do tênis acusa ex-vice-premiê da China de assédio sexual

De acordo com postagem veiculada e excluída em sua rede social, Peng Shuai foi coagida a fazer sexo com Zhang Gaoli, hoje com 75 anos

Por 3 nov 2021, 14h06 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h46
Peng Shuai
 (Fred Lee/Getty Images)
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Considerada uma das maiores estrelas do esporte na China, a tenista chinesa Peng Shuai, de 35 anos, utilizou uma rede social para acusar o ex-vice-premiê do país de forçá-la a ter relações sexuais anos atrás. A mensagem publicada foi deletada posteriormente da página da atleta. 

Segundo uma captura de tela da conta verificada da tenista no Weibo, rede chinesa que se assemelha ao Twitter, a atleta, que é ex-número 1 do ranking mundial de duplas do esporte, afirmou que Zhang Gaoli a coagiu a fazer sexo e, depois, eles tiveram uma relação consensual intermitente.

Acusado, Zhanng Gaoli, de 75 anos, já fez parte do Comitê Permanente do Politburo, órgão que representa a cúpula do Partido Comunista chinês.

Cerca de meia hora após a publicação ter sido feita, o post foi excluído do Weibo. A ação, no entanto, não evitou que o print do post fosse compartilhado em grupos fechados de redes de conversa, como o WeChat, nem que o nome da tenista se tornasse um dos termos mais procurados na internet chinesa, conhecida por ser hipercontrolada e sofrer diversas censuras.

De acordo com uma análise realizada pela Reuters através de uma ferramenta do Weibo, a hashtag com o nome de Peng, que tinha poucas ou nenhuma menção até esta terça-feira (2), atingiu mais de 20 milhões de visualizações desde que ela publicou a mensagem na plataforma. A postagem também gerou discussões envolvendo a hashtag, porém as referências despencaram conforme as publicações sobre o tópico eram excluídas.

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Ao realizar uma nova análise na manhã desta quarta-feira, a agência de notícias identificou que as buscas pelo nome de Peng na rede social não traziam mais resultados. Além disso, os debates referentes ao tema foram bloqueados.

Além da censura na internet, os usuários do WeChat e do QQ, outro aplicativo de conversa, tiveram a função de envio de reprodução de tela desabilitada. A conta de Peng no Weibo permaneça ativa, com posts anteriores visíveis, mas as opções de comentar e repostar não estão habilitadas.

Após a publicação, a esportista, que disse na postagem não ter evidências que sustentem suas alegações, não respondeu a uma solicitação da agência de marketing esportivo APG para comentar sobre o assunto, nem à imprensa. Da mesma maneira, o escritório do Conselho de Informação estatal da China e as empresas Weibo e Tencent, responsáveis pela operação do WeChat, não retornaram aos pedidos de comentários.

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Durante uma entrevista coletiva concedida diariamente, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Wang Wenbin, foi questionado sobre o caso, no entanto, ele disse não ter conhecimento da questão e alegou que o assunto “não é uma tema relacionado a política externa”.

Apesar do crescimento do movimento #MeToo na China, casos de assédio e abuso sexuais continuam sendo raramente abordados e, quando conseguem ir a público, são censurados. 

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