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Desaparecida, ativista do Me Too pode ter sido presa na China

A principal hipótese é que a jornalista Sophia Huang Xueqin pode ter sido alvo da repressão política chinesa

Por 24 set 2021, 16h42 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h44
Sophia Huang Xueqin
 (Thomas Yau/South China Morning Post/Getty Images)
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Principal nome do movimento Me Too na China, a jornalista Sophia Huang Xueqin, 33 anos, é considerada desaparecida. Vista pela última vez no domingo (19), mesmo dia em que interrompeu o contato com seus amigos, a ativista teria sido detida em seu país de origem.

Sophia foi contemplada com uma bolsa de estudos em Londres, por isso estava com uma viagem agendada para a última segunda-feira (20), quando sairia de Hong Kong com destino a capital britânica. Ela deveria iniciar os estudos de pós-graduação na Universidade de Sussex.

As razões para a suspeita de detenção da jornalista permanecem indeterminadas. No entanto, constatou-se que no dia de seu desaparecimento, Huang estava acompanhada do ativista sindical Wang Jianbing. 

Familiarizados com casos envolvendo o desaparecimento de ativistas, a Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) especula que Wang pode ter sido apreendido por “incitação para subverter o poder do Estado” por causa das reuniões que ele e amigos realizaram em sua residência. Como Sophia estava em sua companhia, ela também teria sido levada. 

#MeToo

Sophia Huang ganhou destaque internacional em 2018 por mobilizar a versão chinesa do movimento #MeToo. Na época, a jornalista escreveu um relatório de pesquisa sobre assédio sexual e casos de agressão enfrentados por mulheres chinesas da indústria jornalística.

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No mesmo ano, a ativista ainda ajudou mulheres que acusaram de assédio sexual um professor da Universidade Beihang, em Pequim.

Em novas ações, Sophia participou, em 2019, de protestos em Hong Kong contra o projeto de extradição apresentado pelo governo, que acabou sendo retirado.

Em outubro daquele mesmo ano, a jornalista foi detida por “criar brigas e provocar problemas”, mas foi libertada três meses depois.

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Apesar do histórico de luta contra a repressão, Robert Cheng, identificado pela imprensa como amigo de Sophia, defendeu que a jornalista, pensando na viagem que faria, adotou nos últimos meses uma postura restrita a fim de se manter imparcial e invisível, já que na China posturas críticas ao governo são usadas frequentemente como motivo para detenções de jornalistas. “Ela se manteve discreta por meses, esperando que pudesse fazer a viagem”, disse.

Em nota, um porta voz da Universidade de Sussex, onde a chinesa estudaria, expôs o posicionamento da instituição de ensino. “Estamos preocupados com a segurança e o paradeiro de nossa aluna”, disse. “Nossa equipe está em contato com a organização da Chevening [programa de bolsas] para obter mais detalhes.”

A IFJ classificou o desaparecimento da jovem como “preocupante”. “A detenção tem sido cada vez mais usada pelo governo chinês para reprimir a dissidência política”, afirmaram.

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