Pedreiro começa a fazer balé para acompanhar filhas autistas

Joilson Santos é o único homem entre oito mães e nove alunas na turma

Joilson Santos, de 54 anos, passou a frequentar aulas de balé para acompanhar e ajudar no desenvolvimento de suas suas filhas, Isabele, de 8 anos, e Iasmin, de 10, que foram diagnosticadas com transtorno do espectro autista. O pedreiro é o único homem entre nove mães que participam da primeira turma do projeto Ballet Azul, iniciativa criada para aumentar a qualidade de vida de crianças diagnosticadas com autismo.

Desde março, Joilson deixa de ir ao trabalho às quartas e sextas-feiras para frequentar o estúdio de dança, mantido gratuitamente pela prefeitura de Feira de Santana (a 115 km de Salvador). Sua esposa e mãe das meninas, Jaqueline Amorim, também participa das aulas acompanhando a filha mais velha, enquanto ele acompanha a mais nova.

Joilson e Jaqueline com as duas filhas

Joilson e Jaqueline com as duas filhas (Marina Silva/Jornal Correio/Reprodução)

“Eu não planejei participar do balé, mas como as crianças precisam de acompanhante, não podia deixar uma de minhas filhas sem par”, contou Joilson à Folha. Em agosto, os mentores e as crianças fizeram uma apresentação pública de dança. “Não estou nem aí pro que dizem. Faço qualquer coisa pela dignidade das minhas filhas”, disse o pedreiro. 

 (Marina Silva/Jornal Correio/Reprodução)

Isabele e Iasmin foram diagnosticadas com autismo há sete anos, quando os pais as levaram ao médico por conta do comportamento agressivo. Joilson conta que, desde que passaram a frequentar as aulas, o temperamento das duas melhorou. A mais velha começou até a pronunciar as primeiras palavras. Para intensificar o aprendizado delas, o pai improvisou uma linha com fita isolante preta para que as filhas possam praticar o equilíbrio durante os finais de semana.

Segundo informações do jornal, o professor da turma elogiou o pedreiro, afirmando que ele é um aluno dedicado e que se doou completamente ao balé. “O amor de Joilson é tão grande que já inspirou outros homens a participarem das aulas, mas ele é o mais assíduo, por ter um trabalho com horário mais flexível”, exaltou o professor.

Agora, a preocupação dos pais é conseguir encontrar uma escola que receba as filhas para aumentar ainda mais o crescimento e a independência delas. A renda da família é próxima de R$ 300 reais por semana, além de um benefício de um salário mínimo da filha caçula. Porém, boa parte dessa renda vai para a compra dos medicamentos que não conseguem pelo SUS. “Eu não vou viver para sempre. Preciso ter a tranquilidade de que elas sabem se virar. Por elas, eu vou catar latinha, recicláveis, para não deixar faltar”, disse o pai.

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