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Paixão ou medo?

Para nossa colunista Marcela Leal, o melhor estado emocional é, sem dúvida, o da estabilidade e não o do medo

Por Marcela Leal (colaborador)
22 fev 2016, 17h04 • Atualizado em 28 out 2016, 20h53
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  • Outro dia, eu estava no meio de uma aula sobre comédia quando um aluno me perguntou: “Você já é comediante há tantos anos… Você ainda sente aquele friozinho no estômago antes de subir no palco?”. E eu respondi: “Não.”

    Quase toda a turma demostrou incômodo com a minha resposta, e então logo vieram as argumentações: “Mas poxa, esse nervosinho antes de entrar em cena é bom!”, “Ficar nervoso é importante!”, “Este friozinho na barriga é que mantém a gente vivo”…  E blá blá blá.

    Não, esse friozinho na barriga não é bom. O friozinho na barriga que sentimos em qualquer situação, inclusive quando estamos apaixonados, se chama MEDO. É uma alteração emocional que causa uma alteração física e desestabiliza a produção de um hormônio chamado cortisol no sangue, e o resultado é estresse. Falando a grosso modo, toda vez que você sente este friozinho no estômago significa que você está envenenando o seu corpo, você esta se matando aos poucos. Vai envelhecer mais cedo, causar danos ao metabolismo, aos órgãos internos, ter insônia, imunidade baixa, depressão, doenças e daí é só ladeira abaixo. Esta crença de que friozinho na barriga é bom e da mesma família crença que tem quem diz: “tem gente que só funciona sob pressão” e que ser pressionado ou que pressionar alguém pode trazer resultados positivos. Não! Não é positivo.

    Sobre o friozinho na barriga que sentimos quando estamos apaixonados e que você acha legal, amiga, sabe como chama? Isso mesmo, novamente, o MEDO. Temos medo de não sermos aceitos pelo outro e estes períodos de “teste”, nos quais ainda não sabemos se o relacionamento vai ou não ser legal para nós e se nós vamos ou não ser legais para o outro, é o período do friozinho na barriga, vulgo “borboletas no estômago” (sofrimento romantizado). Sobre a paixão, além do cortisol, os outros hormônios que são jogados na corrente sanguínea de forma anormal são a endorfina e a dopamina, que são ótimos, porém estão totalmente em descontrole por decisão de sua própria mente apaixonada. Por isso, o momento da paixão não é o melhor momento para você decidir se a pessoa serve ou não para você, afinal você está com a produção de todos os hormônios descontrolada, ou seja, você está “cega”, projetando no outro todas as coisas legais que gostaria que o outro tivesse, mas que nem sempre são reais. Difícil de engolir isso, né? Eu também acho. Pena que é verdade e cedo ou tarde vamos ter que olhar pra ela.

    O medo turva a nossa visão e a nossa percepção, seja em doses menores ou maiores, e não faz bem. Quando estamos tomados pelo medo, projetamos nossos fantasmas internos nas mais diversas situações. Vemos todas as cenas de forma distorcida e enxergamos só o pior em cada situação. Ou seja, não estamos olhando para a cena que está na nossa frente como a cena verdadeiramente é, porque estamos tomados pelo medo e vendo apenas nossas inseguranças ali.

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    Durante anos, eu vivi neste estado sem me dar conta de o medo me dominava. Vivia assim e para mim era só o que existia. Até que um belo dia comecei a meditar, fui para a yoga, todas as terapias zen possíveis, leituras, e, aos poucos, comecei a perceber que existia uma outra forma de viver chamada PAZ (estabilidade emocional) e que o estado mental que eu julgava normal era na verdade uma espécie de inferno. Ainda estou longe de atingir o nirvana, ainda sinto medo, raiva e ainda jogo cortisol no meu sangue, mas em doses bem menores. Hoje consigo passar muito mais tempo neste estado de estabilidade emocional, de paz.

    Sem dúvida o estado ideal é o da estabilidade emocional. Acredito que só sendo estável emocionalmente conseguimos ser realmente conscientes e ver as coisas como são, alcançar a verdadeira criatividade e inspiração e mover nossas vidas no caminho certo, o caminho da verdade e da felicidade. Bora meditar!

    Marcela Leal é humorista e escreve aqui no site quinzenalmente. Escreva para ela!

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