Organize a papelada com o método da japonesa Marie Kondo

A editora de CLAUDIA, Luara Calvi Anic, testou o método Marie Kondo na sua estante de livros e na papelada. Confira suas dicas

A primeira vez que assisti a um vídeo da Marie Kondo, a japonesa que virou a guru da organizacão, achei ela um tanto exagerada. Ora, um pouco de bagunça deixa qualquer ambiente com cara de que alguém vive ali. Mas, conforme fui lendo as dicas – e principalmente botando em prática – percebi que suas ideias ajudam a organizar a vida. Ao diminuir a quantidade de tralhas gastamos menos tempo naquele ciclo de arrumar, baguçar e arrumar de novo. “Ao colocar a casa em ordem, você ordena também seus afazeres e seu passado”, disse Marie a CLAUDIA.

Eu não sou a única a dar atencão ao método Marie Kondo. A simpática japonesinha de 30 anos tem uma lista de espera para ser consultora pessoal que passa dos seis meses. Seus três livros já venderam mais de 2 milhões de cópias e ela foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do ano pela revista Time.

Seu mantra consiste em tudo o que não traz alegria, que está parado há anos, deve ser descartado. Resolvi aplicar o método de Marie no meu escritório, o que inclui duas estantes de livros e revistas e uma pilha de papéis que se reproduzem exponencialmente. Para isso, segui as lições do recém-lançado A Mágica da Arrumação – A Arte Japonesa de Colocar Ordem na sua Casa e na Sua Vida (Sextante, R$ 24,90). Confira as principais dicas e o resultado.

Lição # 1: Algum dia equivale a nunca

Antes de ser jornalista eu trabalhei em uma livraria. Tinha desconto nas compras e consegui montar uma boa biblioteca. Isso faz dez anos, e há títulos que até hoje eu ainda não mexi. “O problema dos livros que pretendemos ler é que são bem mais difíceis de descartar do que os que já lemos”, diz Marie. Concordo. Incrível como sempre aparece um lançamento mais interessante que acaba furando a minha fila de leitura. Enquanto isso, a estante só aumenta. Para Marie, se você perdeu a chance de ler um livro em determinado momento dificilmente irá voltar a ele. “Você pode ter desejado lê-lo quando o adquiriu, mas se não o fez até agora a função desse livro foi ensinar que você não precisava dele”, diz. “Será bem melhor ler um livro que realmente desperta seu interesse hoje do que um que deixou acumular poeira durante anos”.

Pablo Saborido Pablo Saborido

Pablo Saborido (/)

Lição # 2 Separe por categorias e coloque tudo no chão

Tire tudo da estante e espalhe todos os livros e revistas da casa no chão, todos juntos. Sim, é preciso ter braço para seguir o método da pequena Marie. Ela defende que um livro que fica muito tempo na estante entra em “estado de dormência”, se tornando quase invisível. Por isso é preciso encará-los, em vez de apontar pela lombada os títulos que não interessam mais. Além disso, reunir todos num só lugar dá uma visão (muitas vezes assustadora) da montanha de papel que acumulamos.

Segui a sugestão de Marie. Coloquei tudo no chão, exceto as prateleiras em que estão os livros e revistas do meu namorado. Marie descarta a possibilidade de mexermos na bagunça alheia – o que é ótimo. Ela acredita que o desapego provoca uma reação em cadeia. Vendo a sua parte arrumada, as pessoas que moram com você provavelmente seguirão seu exemplo. “Se você fica irritado com a bagunça de sua família, dê uma olhada no seu próprio espaço. Com certeza vai encontrar itens que podem ser descartados”.

Pablo Saborido Pablo Saborido

Pablo Saborido (/)

Pablo Saborido Pablo Saborido

Pablo Saborido (/)

Lição # 3 Mantenha apenas o que traz alegria

Ela indica um tática que pode parecer mais esotérica do que racional. Isso significa pegar cada objeto com as mãos e perguntar: “Isso me traz alegria?”. Em vez de escolher o que descartar, a ideia é focar no que que deve ser mantido. Marie afirma que devemos estar rodeados apenas de coisas que nos inspiram. Dessa forma, será natural cuidarmos delas da melhor forma possível, guardando sempre no lugar certo. “As pessoas perceberam que ter muitas coisas não significa estar satisfeito. Minha estratégia é baseada em ser feliz enquanto cuida bem do que é precioso para você”, diz.

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Pablo Saborido (/)

Seja realista quanto aos livros que você guarda por achar que vai reler um dia. A autora pergunta: quantos dos seus livros merecem ser lidos novamente? “Em geral, quem lê tantos livros mais de uma vez tem profissões específicas, como escritores ou professores. Na verdade, você vai reler bem poucos dos livros que guarda”, diz. Portanto, os que devem permanecer são apenas aqueles que integram o que ela chama de “hall da fama”. Ou seja, títulos que lhe marcaram profundamente e que fazem parte da sua história.

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Pablo Saborido (/)

Depois de uma seleção criteriosa minha estante ganhou muito mais espaço. E até cometi algo considerado gravíssimo pela guru: empilhar livros. Ela acredita que quando empilhamos coisas aumentamos as chances de acumulação. Sorry por isso, Marie. Eles ficaram tão charmosos dessa forma que resolvi mantê-los assim.

Lição # 4 Jogue todos os papéis no lixo

Após terminar a arrumação dos livros é hora de cuidar da papelada. Acumuladores sofrerão com a rigidez da escritora. Para ela, o destino de jornais velhos, envelopes, folhetos de pizzaria, caixas de celular ou qualquer outro papel é a lata de lixo (que depois deve ir para a reciclagem. Olha lá!).

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Pablo Saborido (/)

Lição # 4 Aposte na arrumação vertical

Sempre que mais um papel é colocado no topo de uma piha, o anterior vai ficando cada vez mais escondido lá no meio. Até que nos esqueçamos dele por completo. Por isso, tudo deve ser disposto em pé, de maneira vertical.

Aqui, minha mesa lotada pilhas de papéis, livros e jornais

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pablo saborido (/)

Joguei uma parte da papelada fora, e o restante organizei nesta estante. De maneira vertical, claro

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Pablo Saborido (/)

Lição # 5 Separe os papéis em três categorias

Não use pastas do tipo sanfonadas. Com elas, criamos categorias tão específicas que sequer conseguimos lembrar. Marie sugere descartarmos tudo o que não se encaixe nestes três grupos: o que está em uso atualmente, ou seja, as pendências (formulários e exames que devem ser entregues, jornais e textos ainda não lidos), o que precisamos guardar para sempre (documentos, contratos, garantias, etc) e o que será necessário durante um determinado período de tempo (comprovantes de pagamento). Dica: de maneira geral contas pagas devem ser mantidas por cerca de cinco anos. Mas empresas prestadoras de serviço são obrigadas a enviar um recibo de quitação anual, o que diminui muito o volume de papel.

O resultado é esta mesa com poucas coisas, onde posso visualizar minhas pendências, os livros que estou lendo. A sensação é ótima. Ainda assim, continuo achando que um pouco de bagunça não faz mal a ninguém. O mérito de Marie está em nos ajudar a descobrir o limite entre aquela bagunça que é a vida acontecendo e uma outra que, na verdade, é sinônimo de estagnação, de projetos esquecidos embaixo de uma pilha de papéis velhos.

Pablo Saborido Pablo Saborido

Pablo Saborido (/)

Confira também um vídeo com o passo a passo

 

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