‘Nasce uma Estrela’ tem dose de clichê, mas faz doer o coração

Remake com Bradley Cooper e Lady Gaga como protagonistas estreia nesta quinta-feira (11)

Ainda que apele para um dos clichês favoritos de Hollywood, aquela velha história do astro que tem tudo e ainda assim cai em depressão, Nasce uma Estrela, que estreia nesta quinta-feira (11) nos cinemas, é de partir corações.

A quarta versão do título (as outras são de 1937, 1954 e 1976) é protagonizada por Bradley Cooper, que também faz sua estreia como diretor, e Lady Gaga, que, apesar de certa experiência como atriz, está longe de ser uma veterana. No longa, ele vive Jackson Maine, um roqueiro decadente, que mistura álcool a comprimidos para sobreviver às fortes dores no ouvido e à depressão. Ela é Ally, uma garçonete que canta à noite em um bar de drag queens e ouve do pai que “nem todos chegam lá”.

Os dois se cruzam quando Jack, recém saído de um show, acaba com sua única garrafa de bebida no carro e encosta em um bar à procura de mais. Ele fica imediatamente encantado ao ouvi-la entoando La Vie En Rose, de Edith Piaf.

 (Divulgação/Divulgação)

A partir daí, os dois têm um início torto de romance, mix de situações manjadas de comédia romântica com ares de Cinderela moderna – primeiro encontro no estacionamento do supermercado, pedido de demissão, encantamento no jatinho particular ao lado do melhor amigo para encontrá-lo.

Mas não se trata disso. Não é sobre a fascinação de uma aspirante a cantora sendo cortejada por um ídolo internacional. Quando se encontram, os dois são apenas humanos. É isso que arrebata o espectador. Nos altos e baixos da saúde mental e física de Jack rolando simultaneamente à ascensão meteórica de Ally, eles vivem um amor cru, bonito, daqueles que enchem a nossa cabeça de questões e de contradições, bem como é na vida real. Ally não é resignada ou passiva diante das situações envolvendo Jack. Pelo contrário, ela é racional e forte, inclusive para mantê-lo no caminho que considerava mais seguro e necessário para ele até o final.

Naturalmente, a música é o fio condutor e embala o romance. Destaque para Shallow, que deve receber uma indicação na categoria de Melhor Canção Original no Oscar. Gaga, é claro, está em seu habitat natural e tem seus melhores momentos no palco. Bradley, que fez aulas de canto por três anos e laboratório com o cantor Eddie Vedder, do Pearl Jam, também convence – e faz lembrar Jeff Bridges em Coração Louco.

O longa não desliza em excessos, ainda que dramático em muitos trechos, mas existem algumas questões. O miolo peca por um ritmo mais enrolado e poderia tranquilamente ser enxugado das mais de duas horas de filme. As questões de Ally com a própria carreira, por outro lado, são pouco exploradas e não instigam. Isso deixa claro que, apesar do reconhecimento dela, o personagem masculino ainda é o foco da trama.

Ainda assim, Nasce uma Estrela tem a combinação-sessão-da-tarde de drama, trilha sonora e uma paixão arrebatadora sem perder o pé no chão. É só se deixar levar. No fim das contas, te desafio a não derrubar algumas lágrimas.

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