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Mulheres afegãs serão proibidas pelo Talibã de praticar esportes

De acordo com vice-chefe da comissão cultural do Talibã, esporte feminino é inapropriado e desnecessário

Por 8 set 2021, 12h12 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h43
Afeganistão
 (Foto: Haroon Sabawoon/Anadolu Agency/Getty Images)
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Mulheres serão proibidas de praticar esportes no Afeganistão, afirmou Ahmadullah Wasiq, vice-chefe da comissão cultural do Talibã, em entrevista à emissora australiana de televisão SBS. A determinação também valerá para a equipe feminina de críquete do país.

Durante a entrevista, Wasiq disse que o esporte feminino é considerado inapropriado e desnecessário, especificando a prática do críquete, que é muito comum naquela região da Ásia.

“Não acho que as mulheres terão permissão para jogar críquete porque não é necessário que as mulheres o joguem”, disse Wasiq. “No críquete, elas podem enfrentar uma situação em que seu rosto e corpo não estarão cobertos. O Islã não permite que as mulheres sejam vistas assim”, continuou.

O vice-chefe também alegou que, ainda que não pratiquem o esporte em si, as mulheres poderão continuar vendo suas iguais através da mídia. “É a era da mídia, e haverá fotos e vídeos, e então as pessoas assistirão. O Islã e o Emirado Islâmico [Afeganistão] não permitem que as mulheres joguem críquete ou pratiquem o tipo de esporte em que ficam expostas”, afirmou.

A medida foi tomada cerca de uma semana depois do novo governo autoritário permitir que as mulheres afegãs frequentassem as escolas e universidades, ainda que separadas dos homens, sob promessas políticas de que os direitos das mulheres não estão sob risco.

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Embora os funcionários do conselho de críquete do Afeganistão digam que não foram informados oficialmente sobre o destino do críquete feminino, o programa do conselho para meninas já foi suspenso. Algumas mulheres já chegaram a relatar que são ameaçadas de violência pelos combatentes do Talibã, caso sejam flagradas jogando.

A proibição da prática de esportes é só mais uma das evidências crescentes de que as posicionamento do Talibã em relação às mulheres não é tão divergente de 20 anos atrás, última vez em que ocuparam o poder, apesar das afirmações contrárias aos fatos.

Governo interino

Na terça-feira (7), foi anunciado pelos atuais líderes do Talibã os nomes dos primeiros membros do governo provisório do Afeganistão. Apesar das promessas anteriores de formar um novo governo inclusivo, nenhuma mulher ocupou um dos cargos. Os novos membros começaram a atuar nesta quarta-feira (8).

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A falta de diversidade étnica e religiosa levantou debates e preocupações na comunidade mundial, principalmente da União Europeia, que alegou que o país não cumpriu com o pacto de incluir grupos diferentes na formação do governo, e dos Estados Unidos, que se diz preocupado com a presença de “personalidades com históricos preocupantes” a frente do governo do país. 

Países aliados ao Talibã, tal como Alemanha, China e Japão, também expressaram uma recepção monótona aos novos membros do governo do Afeganistão. Em fala, o ministro das Relações Exteriores alemão, Heiko Maas, expressou que a composição e as recentes ações do grupo extremista “não são sinais que dão motivos para otimismo”. 

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