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Lisa Montgomery será a primeira mulher executada nos EUA em 70 anos

Ela foi condenada por matar uma mulher grávida e depois cortar sua barriga e roubar o bebê, em 2004

Por Da Redação 19 out 2020, 18h40

Pela primeira vez em quase 70 anos, uma mulher condenada à pena de morte será executada nos Estados Unidos. No sábado (17), o Departamento de Justiça anunciou que Lisa Montgomery receberá uma injeção letal no dia 8 de dezembro. Ela foi condenada no sistema penal federal por estrangular e matar uma mulher grávida e ainda cortar sua barriga para roubar o bebê. O crime ocorreu no estado do Missouri em 2004.

Antes de Lisa, a última mulher a ser executada nos Estados Unidos foi Bonnie Heady, que morreu em uma câmara de gás em 1953, também no Missouri. Segundo o Centro de Informações sobre Pena de Morte, a mulher foi condenada por ter sequestrado e assassinado o filho de 6 anos de um grande empresário estadunidense. Ela cometeu o crime ao lado do namorado, que também foi executado da mesma forma.

Além da execução de Lisa Montgomery, o governo norte-americano também anunciou que Brandon Bernard, responsável pelo assassinato de dois jovens líderes religiosos em 1999, será executado no mesmo mês. O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, disse que os crimes pelos quais essas pessoas foram condenadas à pena de morte foram “assassinatos especialmente hediondos”.

O crime

Lisa Montgomery e Bobbie Jo Stinnett se conheceram em 2004 pela internet. Bobbie estava grávida de oito meses e mantinha um canil em sua casa. A condenada se aproximou dela fingindo que também estava grávida e, então, as duas se tornaram amigas e passaram a conversar sempre.

Em 16 de dezembro, Bobbie aguardava a visita de Darlene Fischer, que a contatou pela internet para comprar um dos cachorros do canil. Hoje, acredita-se que, na verdade, Darlene nunca existiu e, na verdade, era um perfil fake criado por Lisa para facilitar o acesso à casa da vítima.

Ela dirigiu do estado do Kansas até o Missouri e, quando entrou na casa, atacou e estrangulou Bobbie, até que a vítima perdesse a consciência. Então, com uma faca de cozinha, cortou a barriga da grávida, retirou o bebê e o sequestrou. Bobbie foi encontrada pela mãe aproximadamente uma hora após sua morte.

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Por meio das conversas no computador, Lisa foi identificada e presa no dia seguinte. O bebê ficou bem e foi entregue ao pai. Em 2007, quase três anos depois do crime, um júri a considerou culpada de sequestro e assassinato. Por unanimidade, ela foi condenada à pena de morte.

Os advogados da culpada defendem que ela tem distúrbios mentais devido a danos cerebrais decorrentes de diversos espancamentos que sofreu na infância e, por isso, não deveria ser condenada à morte.

Pena de morte

Atualmente, a pena de morte é legal em 29 estados dos Estados Unidos e em nível federal. No sistema de Justiça do país, os crimes podem ser julgados em tribunais federais, em nível nacional, ou estaduais, em nível regional. O caso de Lisa foi julgado em nível nacional.

Em 1972, a pena de morte foi proibida em todos os níveis pela Suprema Corte. Quatro anos depois, em 1976, outra decisão permitiu que os estados restabelecessem a pena, caso quisessem, e, em 1988, foi aprovada uma legislação que tornou o recurso disponível em nível federal. Ainda assim, a pena é raramente usada na esfera da Justiça federal.

Entre 1988 e 2018, 78 pessoas foram condenadas à morte nos Estados Unidos, mas apenas três foram executadas, segundo dados do Centro de Informações sobre Pena de Morte. Em julho de 2019, o governo Trump retomou as execuções federais pela primeira vez em 17 anos. A execução de Lisa será a oitava realizada apenas neste ano.

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