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Mulher é libertada após 38 anos em condições de escravidão

Reportagem do Fantástico revelou as condições em que Madalena Gordiano, 46 anos, vivia desde os oito, quando foi adotada por professora branca

Por Da Redação 21 dez 2020, 12h24

Uma mulher negra de 46 anos foi libertada por auditores fiscais do trabalho e pela Polícia Federal no fim do mês passado, após passar 38 anos em situação análoga à escravidão em casas de uma mesma família em Patos de Minas (MG). A história foi revelada em reportagem da edição do último domingo (20) do Fantástico, da TV Globo.

Madalena Gordiano foi adotada aos 8 anos pela professora Maria das Graças Milagres Ribeiro. Desde então, além de ser obrigada a limpar o imóvel, sem remuneração e direito à descanso ou às férias, ela também era impedida de sair do apartamento onde dormia.

Ao programa, Madalena contou que tudo começou quando, ainda criança, batia na porta de casas para pedir comida. Ao aparecer na casa de Maria, ela teria dito: “Não vou te dar pão, você vai morar comigo”. Como a mãe de Madalena não tinha condições de criar nove filhos, ela aceitou a adoção, que foi realizada, mas nunca formalizada.

Ao chegar à nova casa, a garota foi tirada da escola e passou a viver para ajudar os filhos de Maria e a realizar tarefas domésticas, sem poder brincar, nem sair do imóvel sozinha e, tampouco, ter contato com a família de origem.

Após 24 anos na casa de Maria, Madalena foi dada a um dos filhos da professora, Dalton Ribeiro. Na casa dele, ela viveu sob as mesmas condições anteriores. Segundo o depoimento anônimo de um morador do prédio onde ela vivia, a mulher acordava às 4 horas da manhã para passar roupas e não podia conversar com outros moradores do prédio.

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Ao Fantástico, Humberto Monteiro Camasmie, auditor fiscal do Ministério Público do Trabalho (MPT), revelou as condições do local onde Madalena era exporada: “Era um quarto bem pequeno, não deve ter três metros de comprimento por 2 de largura. Não havia janela, não havia nenhuma ventilação, era um quartinho bem abafado.”

Em depoimento, Dalton diz que foi escolha de Madalena dormir em um quarto pequeno, se recusando a ficar em um quarto maior. Ele ainda afirmou que foi ela quem decidiu parar de estudar. A suposta escolha dela não foi questionada por ele, já que o mesmo não acreditava que os estudos trariam benefícios a ela. Além disso, o homem afirma que não a considera empregada e sim “parte da família”.

Em 2001, um tio da esposa de Dalton se casou com Madalena, mas eles nunca chegaram a morar juntos. Ex-combatente das Forças Armadas, ele acabou falecendo pouco tempo depois, deixando à esposa duas pensões que somadas, passam mais de 8 mil reais por mês. Madalena não recebia esse dinheiro, pois sua conta bancária era controlada.

Dalton está sendo investigado pelo MPT por “submeter uma pessoa a condição análoga à escravidão” e por “tráfico de pessoas”. Maria também pode ser responsabilizada. Já Madalena está vivendo, atualmente, em um abrigo para mulheres vítimas de violência.

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