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MP busca prender líder religioso suspeito de diversos abusos sexuais

Jair Tércio Cunha Costa é denunciado por violação sexual mediante fraude, estupro de vulnerável e lesão corporal com ofensa

Por Da Redação Atualizado em 17 set 2020, 15h24 - Publicado em 17 set 2020, 16h00

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) está em busca do líder religioso Jair Tércio Cunha Costa, de 63 anos, denunciado de violência de gênero. A ação “Fariseu” visa, além de prender o homem, cumprir mandados de busca e apreensão em dois endereços diferentes. Os mandados foram expedidos na manhã desta quinta-feira (17) e ele não foi localizado até o momento e, por isso, já é considerado foragido.

A denúncia apresentada pelo MP se baseou em investigação que mostrou indícios de crimes de violência de gênero contra quatro mulheres, sendo uma delas uma menina de 14 anos. “A denúncia hoje diz respeito a quatro vítimas e se refere a três crimes: a violação sexual mediante fraude, o estupro de vulnerável e a lesão corporal com ofensa e integridade mental das vítimas”, explicou a promotora de justiça Sara Gomes ao G1.

Jair Tércio é ex-grão-mestre de uma loja maçônica na Bahia e criador de uma doutrina pedagógica própria. Ele se autoproclama um ser iluminado e rotulava seu trabalho como o “despertar do ser humano”. Depois de adquirir a confiança das vítimas, as submetia a atos de violência sexual, moral e psicológica. Segundo sua defesa, as relações com as mulheres que o denunciaram aconteceram de forma consensual.

“Como ele se intitulava alguém com uma superioridade religiosa, espiritual, filosófica, essas pessoas se aproximavam dele, inclusive menores de idade, as vezes no momento de fragilidade maior, emocional, em um momento de dificuldade familiar, enfim havia várias situações em que as pessoas o procuravam justamente para ter um apoio e acabavam por serem de alguma forma seduzidas, porque elas tinham nele alguém a quem respeitar, que poderia ser um mestre, um guia, um guru”, contou Sara Gomes ao portal.

Além das quatro mulheres, o MP informou que outras 21 também querem apresentar denúncias contra Jair. Sua pena pode passar de 30 anos. No caso da menor de idade, foi analisado um telefonema que supostamente foi feito para o guru, em que ele afirma que não houve relação sexual com a menina, só “carinho e amor”. Quando a menor diz que vai ao ginecologista, Jair pede para que ela “esqueça isso”.
A primeira mulher a denunciar o guru foi a pedagoga Tatiana Badaró, que deu entrevista ao Fantástico no dia 2 de agosto. Ela afirmou que tudo começou quando foi convidada para preparar uma palestra na casa de Jair Tércio e, a partir desse dia, foi estuprada diversas vezes pelo líder, que a ameaçava e dizia que ela sofreria retaliações espirituais caso contasse para alguém o que estava acontecendo. No programa, outras duas mulheres também contaram suas histórias, mas sem revelar suas identidades.
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