María Dueñas fala sobre a praxe de retratar mulheres fortes em seus livros

A autora espanhola de sucesso mundial vem ao Brasil na próxima semana para lançar seu quarto livro, "As Filhas do Capitão"

Desde que lançou O Tempo Entre Costuras, seu primeiro livro, em 2009, muita coisa aconteceu na vida da escritora espanhola María Dueñas, 54 anos. Só no Brasil, foram vendidas 100 mil cópias do romance de estreia, porém, ao redor do mundo, seus três primeiros livros acumulam mais de cinco milhões de exemplares comercializados em 35 línguas.

E não para por aí. María acaba de lançar seu quarto romance, As Filhas do Capitão: três irmãs, dois mundos e uma cidade, que tem tudo para repetir o sucesso dos anteriores. Na próxima semana, a escritora vem ao Brasil para divulgar a obra e participará de uma conversa no dia 18, no Sesc Paulista, mediada por CLAUDIA.

Para dar um gostinho de como será esse bate-papo, a nossa repórter Clara Novais conversou com ela sobre o lançamento, o retorno ao Brasil – é a quarta vez que ela vem – e a importância da literatura com mulheres em papéis fortes.

CLAUDIA: Assim como em O Tempo Entre Costuras, As Filhas do capitão fala sobre mulheres jovens que se veem obrigadas a se adaptar a um novo país e cultura por se associar a homens que acabam saindo de suas vidas. Essa conexão entre seu novo livro e a sua publicação de maior sucesso foi intencional?

María Dueñas: O fato de os protagonistas serem jovens mulheres que vivem momentos complexos fora de seu mundo é apenas algo casual, não há uma maior relação entre as duas histórias. A costureira Sira Quiroga, do meu primeiro romance, mudou-se para o Marrocos por amor, da mão de um homem que acabou abandonando-a.

Por outro lado, Victoria, Mona e Luz, as três irmãs de As Filhas do Capitão, chegam a Nova York como imigrantes, reivindicadas por seu pai para trabalhar no restaurante da família e buscar um futuro melhor na cidade grande. A única coincidência é que todos acabam sendo mulheres simpáticas e admiráveis, cheias de coragem e coragem.

CLAUDIA: Em seus quatro livros, as protagonistas vão se descobrindo mais fortes que imaginavam. As narrativas sobre mulheres de fibra nem sempre tiveram destaque na literatura e em outras produções culturais, mas isso vem mudando de uns tempos para cá. Você acredita que isso traz benefícios para sociedade?

María: Totalmente. É importante para a sociedade ver as mulheres como realmente somos, agentes sob o controle do nosso destino, seres fortes, resilientes e capazes. A literatura é um canal formidável para mostrar isso.

CLAUDIA: E qual é o sentimento de saber que você contribui tanto para que histórias como essas se destaquem?

María: Me sinto satisfeita e grata por saber que as minhas histórias funcionam em todo o mundo e que os leitores de diferentes culturas e línguas entram em contacto com esse tipo de protagonistas femininos através das minhas páginas.

CLAUDIA: Você está vindo ao Brasil para a divulgação de As Filhas do Capitão, mas não é a primeira vez que você vem. Notou alguma semelhança entre a nossa cultura e a espanhola? Tem alguma expectativa para essa próxima visita?

María: É a quarta vez que venho ao Brasil para divulgar meus romances e a recepção pela mídia, livrarias e leitores é sempre fantástica, então me sinto muito honrada e sempre feliz em retornar. É claro que a proximidade e a afeição entre nossas culturas têm muito a ver e confio que essa nova visita será tão agradável quanto as anteriores.

CLAUDIA: Já pensou em escrever um livro que se passa no Brasil? Seria interessante, não?

María: O Brasil é um país fascinante, um território magnífico para possíveis aventuras literárias. Talvez no futuro, por que não?