Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Mãe deu lição poderosa a diretor de escola após filha ser barrada

Após a filha ser barrada por usar um short fora dos padrões para a escola, Catherine Pearlman resolveu convidar o diretor para fazer compras com a menina

Por Roberta Tinti Atualizado em 22 Maio 2017, 16h09 - Publicado em 22 Maio 2017, 16h08

O que você faria se sua filha fosse barrada na escola apenas por usar um short que não passa das pontas de seus dedos? Catherine Pearlman, a assistente social de Long Island, Nova York, já estava farta dos códigos de vestimentas impostos para as crianças e resolveu convidar o diretor da escola para ir às compras com sua filha, Casey, de apenas 13 anos.

“Alguns de vocês devem saber que eu estou cansada desses códigos. São injustamente focados nas garotas, discriminam certos tipos de corpo e são mensagens horríveis e vergonhosas sobre o corpo de jovens meninas”, comentou ela em um post no Facebook. “Casey já levou duas advertências e está a apenas uma da detenção. Ela é alta e tem braços compridos, é impossível encontrar um short que seja bonito e que esteja abaixo da linha da ponta de seus dedos”, completou Pearlman.

É por isso que a mãe resolveu convidar o diretor, por meio de uma carta, para que fosse às compras com sua filha. “Obrigada por mandar um bilhete pelo segundo dia seguido para dizer que minha filha estava vestida inapropriadamente na escola. Quero agradecer especialmente por ter forçado ela a colocar grandes shorts de malha que foram usados por sabe lá deus quem e provavelmente nunca lavados”, começou Pearlman na carta.

“Para recompensá-lo por tratar minha filha com tamanha preocupação, convido-o cordialmente para levar minha filha às compras. Aqui vão algumas especificações que você deverá levar em consideração. Te desejo muita sorte”, continuou a mãe. Casey tem 1,70 m de altura e tem pernas e braços excepcionalmente compridos. Nada rosa, roxo, com babados ou logos visíveis; calças a fazem suar muito e isso poderia causar uma cena no pátio da escola; nada também de vestidos, são apenas algumas das restrições. No entanto, segundo a mãe, Casey usará qualquer camiseta que tenha super-heróis, Green Day ou algo relacionado à United States Football League.

Leia mais: Garota de 12 anos é vetada de torneio por vestido “provocativo”

O debate suscitado por Pearlman ressalta um problema muito maior. As meninas são sempre as mais penalizadas por conta das roupas que vestem do que os meninos – e, na maioria das vezes, são consideradas responsáveis pela existência desses códigos de vestimenta. Suas pernas, ombros e quadris são sexualizados e vistos como distrações e provocações para os garotos e professores. Esse pensamento, basicamente, ensina diz às garotas que seus corpos são objetos sexuais que precisam ser cobertos e escondidos.

Catherine, depois de todo texto, desafiou ainda mais esse sistema. “Esqueci de te agradecer por deixar claro para minha filha que o corpo dela é, de alguma maneira, uma distração, tanto para ela mesma quanto para os meninos. Eu pensei que ela poderia ter perdido essa mensagem no começo do ano quando o professor de educação física falou para ela que ela não deveria usar calças legging porque os garotos não são capazes de se controlar”, finalizou.

Confira abaixo a tradução completa da carta de Catherine Pearlman:

Queridos administradores da escola,

Obrigada por mandar um bilhete pelo segundo dia seguido para dizer que minha filha estava vestida inapropriadamente na escola. Quero agradecer especialmente por ter forçado ela a colocar grandes shorts de malha que foram usados por sabe lá deus quem e provavelmente nunca lavados.

Para recompensá-lo por tratar minha filha com tamanha preocupação, convido-o cordialmente para levar minha filha às compras.

Continua após a publicidade

Aqui vão algumas especificações que você deverá levar em consideração. Te desejo muita sorte.

Ela tem 1,70 m de altura e 13 anos de idade. Já que puxou mais para o pai, ela tem pernas e braços excepcionalmente compridos.

Ela não gosta de nada rosa, roxo ou com babados.

Ela não vestirá calças porque ela sua muito facilmente. Acredite em mim, eu já vi isso e causará uma cena no pátio da escola.

Ela não vestirá um vestido também.

Nenhuma roupa pode ter um logo visível porque, para ela, isso não é legal. No entanto, ela vestirá qualquer camiseta que tiver super-heróis, Green Day ou algo relacionado à United States Football League, caso você as encontre. Você talvez também poderá tentar Beatles, mas nem sempre dará certo.

Não se esqueça de que você também precisará encontrar nas lojas algo que se enquadre no seu código de vestimenta. Aqui são as áreas mais difíceis de se evitar. De acordo com suas regras, ela não pode usar regatas e shorts ou saias que sejam menores que a linha da ponta dos dedos dela (Isso é dificinho).

Então, se eu fosse você (e estou muito feliz por não ser), eu focaria no short primeiro. Ela tem dedos bem longos, o que faz ser impossível a tarefa de achar shorts que não a farão ser mandada para a sala do diretor (Olhando pelo lado bom, o professor de piano diz que aqueles dedos são perfeitos). Eu programaria algumas tardes e fins de semana para essa jornada. Posso dizer, pela minha experiência, que apenas ir ao shopping e à lojas como Target ou outros outlets não serão suficientes. Não há muito para ela por lá, eu já chequei.

Um último ponto: por favor, tente ficar dentro de um orçamento razoável. Não podemos gastar uma fortuna com as roupas de Casey, afinal, ela ainda está crescendo.

Eu te agradeço profundamente por assumir essa tarefa. Que alívio para mim.

Sinceramente,

Mãe Cansada de Códigos de Vestimenta

Obs: Esqueci de te agradecer por deixar claro para minha filha que o corpo dela é, de alguma maneira, uma distração, tanto para ela mesma quanto para os meninos. Eu pensei que ela poderia ter perdido essa mensagem no começo do ano quando o professor de educação física falou para ela que ela não deveria usar calças legging porque os garotos não são capazes de se controlar. Eu aprecio o quanto vocês estão trabalhando para que ela leve esse ponto para casa.

Continua após a publicidade
Publicidade