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Google revela quais são os 5 temas mais urgentes para os negros

Para 91% dos entrevistados, o Dia da Consciência Negra (20) é importante para valorizar a luta da população negra

Por Ana Carolina Pinheiro - Atualizado em 17 fev 2020, 11h28 - Publicado em 20 nov 2019, 17h04

“O papel precisa ser ativo. Muitas vezes, as pessoas brancas escutam, dizem que entendem, mas a gente vê pouca coisa na prática.[…] É a forma que as pessoas agem quando têm que abdicar do privilégio e pautar isso nas suas empresas ou núcleos de amizade, que diz muito sobre elas”, disse a influencer Lorena Monique, conhecida como Neggata, em uma das entrevistas feitas para o estudo Consciência entre urgências: pautas e potências da população negra no Brasil.

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Apresentado pelo Google e realizado pela consultoria Mindset-WGSN e o instituto Datafolha, o levantamento realizado com 1.225 pessoas – que se reconhecem como pretas ou pardas – revela quais são as questões mais importantes e urgentes para os negros no Brasil.

Além de identificar os temas emergenciais, a pesquisa também perguntou aos entrevistados qual era a opinião deles sobre o Dia da Consciência Negra. Vale lembrar que a data foi escolhida por conta do dia em que Zumbi dos Palmares morreu. O líder do Quilombo dos Palmares foi uma das principais figuras na luta pelo direito à liberdade dos negros escravizados no período colonial.

Segundo 91% dos entrevistados, o Dia da Consciência Negra serve para valorizar a trajetória de afrodescentes. As classes D e E são as que mais salientam a importância da data. 85% dos entrevistados desse grupo identificam que o dia é um momento de luta.

Veja abaixo quais são as pautas mais urgentes identificadas pela pesquisa.

1º Mercado de trabalho

A falta de emprego é o principal problema enfrentado pelos negros segundo o estudo. 48% dos entrevistados acreditam que a pauta é urgente, mas pouco discutida atualmente. Para quem está no mercado de trabalho, o problema ainda não foi sanado, já que homens negros ganham em média 58% do salário dos brancos enquanto as mulheres negras recebem 55% do valor oferecido aos caucasianos.

2º Racismo estrutural e institucional

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44% dos entrevistados apontaram essa questão como urgente. O racismo estrutural e institucional é formado por um conjunto de práticas que coloca uma etnia em posição de vantagem em relação à outra. Ou seja, isso acontece em empresas que não contratam profissionais negros, universidades que não possuem sistema de cotas e até na ausência de representantes públicos. Inclusive, 7 entre 10 entrevistados revelaram que não se sentem representados pelos governantes e 68% também não se vê representado pela publicidade.

3º Feminismo negro

Tanto os homens como as mulheres negras apontaram o feminismo negro, que teve 27% dos votos, como uma pauta que merece atenção. O estudo ainda identificou que o nível de escolaridade interfere na opinião sobre as questões de gênero. Vale lembrar que, segundo o Atlas da Violência, a taxa de feminicídio entre as mulheres negras subiu 29,9% em dez anos.

4º Genocídio da população negra

“A gente normatiza a violência, é normal apanhar e dar graças a Deus que a gente não morreu”, desabafou um dos participantes da pesquisa. Essa foi a pauta que ficou em primeiro lugar entre os entrevistados jovens (16 a 34 anos), que também são os que mais morrem no país. Segundo a ONU, a cada 23 minutos um jovem negro morre no Brasil vítima de violência urbana. A pesquisa do Google ainda revela que, quanto maior o grau de escolaridade, maior a preocupação em relação ao genocídio da população negra.

5º Políticas afirmativas

As medidas que visam combater discriminação por etnia, aumentando a participação em processo político, no acesso à educação, saúde, emprego, entre outros ocuparam o 5º lugar do ranking, segundo os entrevistados. Para os homens negros, esse recurso é ainda mais urgente, já que 23% escolheu esse apontamento. As mulheres correspondem a 17%.

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