“Enojada”, diz mãe de menino assassinado sobre indicação ao Oscar

A produção "Detainment" é baseada em uma história real e vem gerando reações polêmicas pelo seu conteúdo

Detainment” está concorrendo ao Oscar 2019 como um dos melhores curta-metragens da temporada. A indicação, no entanto, não agradou a todos os espectadores.

O filme reconstitui entrevistas da polícia com os assassinos de James Bulger, morto em 1993. Na época, os algozes dele tinham apenas 10 anos. Denise Fergus, mãe de Bulger, afirmou que o filme a deixa “enojada” por trazer recordações do passado.

O crime que aconteceu na Inglaterra e teve repercussão internacional serviu de inspiração para a redução da maioridade penal para 10 anos na Grã-Bretanha – na época, a pena era dada a maiores de 14 anos.

“Eu não consigo expressar como estou enojada e chocada por esse filme ter sido feito e agora indicado ao Oscar”, escreveu Denise em sua conta no Twitter.

“Uma coisa é fazer um filme como esse sem contatar ou pedir permissão à família de James e outra é ter uma criança encenando as últimas horas de vida dele, os momentos que antecederam o seu assassinato brutal, e fazer a mim e a minha família reviver tudo isso!”.

“Detainment” ou Detenção – em tradução livre para o português – foi produzido pelo diretor inglês Vicent Lambe. O cineasta emitiu um comunicado a imprensa se desculpando “por qualquer mal estar que o curta possa ter causado” e pediu perdão por não ter avisado a Denise sobre o drama.

O crime

O menino James passeava em um shopping nos arredores de Liverpool com a mãe quando foi raptado. O caso aconteceu em 12 de fevereiro de 1993. Robert Thompson e Jon Venables, que na época tinham 10 anos, foram identificados como as crianças que atraíram James.

Os dois espancaram o garoto até a morte usando tijolos e uma barra de ferro. Depois, deixaram o corpo em uma linha férrea. Os policiais só chegaram a vítima dois dias depois.

Em novembro daquele ano, as duas crianças acusadas do assassinato foram condenadas e cumpriram 8 anos de prisão em um reformatório. Os dois são as pessoas mais jovens a serem condenadas por esse crime na Inglaterra.

Quando alcançaram a liberdade, ganharam novas identidades e vivem sob anonimato.

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