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Conheça as jornalistas da cobertura da Copa do Mundo feminina na Globo

Carol Barcellos, Lizandra Trindade e Ana Thaís Matos vão narrar os acontecimentos do campeonato pela primeira vez na TV aberta

Por Marina Marques Atualizado em 18 fev 2020, 07h48 - Publicado em 7 jun 2019, 11h22

O ano era 1979 e caía a lei que proibia, desde 1941, as mulheres de jogar futebol. A seleção brasileira masculina já acumulava três títulos de campeã do mundo. Esse fato representa bem a disparidade de gênero no esporte mais popular do Brasil. Quarenta anos depois, o cenário é outro. A jogadora Marta Vieira da Silva é referência. Por seis vezes foi eleita a melhor do mundo (cinco delas consecutivas), um recorde até entre os homens. Conhecemos pelo nome as escaladas para grandes jogos e acompanhamos vez ou outra partidas na TV a cabo. Mas agora, pela primeira vez desde sua criação, em 1991, a Copa do Mundo Feminina de Futebol, que acontece desta vez na França, será transmitida ao vivo pela TV aberta.

Galvão Bueno vai gritar os gols da narração acompanhado pelos comentários de Ana Thaís Matos, primeira e única mulher a ocupar esse espaço no canal, com a cobertura jornalística de Carol Barcellos e Lizandra Trindade, que estarão no gramado. “É impressionante como o futebol mexe com as pessoas. É uma mobilização diferente de qualquer outro esporte”, conta Carol, que entrou para a faculdade de jornalismo com a intenção de trabalhar na área de economia. Lizandra aprendeu a gostar dos jogos com o pai, que morreu quando ela tinha 16 anos mas deixou uma fã convicta das partidas de domingo. “Por um tempo, não acompanhei com tanta frequência, mas agora o futebol volta com força para minha vida”, constata, emocionada.

Para Ana Thaís, o trabalho foi consequência de uma paixão de anos. Como a jornalista havia praticado futsal, a intimidade com o assunto acabou se tornando uma vantagem na profissão. Mesmo com tanta experiência, teve de provar diversas vezes seu conhecimento. “Hoje dou risada, mas houve quem duvidasse de que já tinha chutado uma bola. Acontece constantemente de eu comentar alguma coisa em um ambiente com muitos homens e alguém falar: ‘Nossa, parabéns pela opinião’, surpreso com minha capacidade de avaliar com qualidade a questão”, revela.

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Fazendo reportagens com as jogadoras, outras histórias de resistência e luta pela igualdade também surgiram. “São assustadores os relatos que ouvi das jogadoras. E é duro ver que elas ainda precisam se provar, como se não apresentassem resultados suficientes. A Formiga (Miraildes Maciel Mota) vai para sua sétima Copa. Isso é um feito inédito, inclusive entre os homens. Seleção é seleção, tem que ter o mesmo respeito e a mesma estrutura independentemente de ser masculina ou feminina. Não fossem muito apaixonadas por futebol, essas atletas não estariam ali”, acrescenta.

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Meu time! Copa do Mundo Feminina na @redeglobo ♥️🏆⚽

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Ao entrevistar a lateral Tamires, única escalada que tem filhos, Lizandra, mãe de Marina, 3 anos, encontrou ali dilemas parecidos com os dela. “Tamires é uma mulher superenvolvida com o trabalho e quer prosperar, mas tem uma agenda irregular, o que a mantém longe da família em alguns momentos. Achei lindo quando ela contou que o filho joga futebol feminino no videogame só para escolher a própria mãe como personagem”, lembra.

O desejo de Ana Thaís, Carol e Lizandra é que a competição proporcione a tão merecida visibilidade para as mulheres no esporte. “Espero que daqui a dez anos as pessoas fiquem abismadas em saber que em 2019 esse assunto ainda era tratado dessa maneira”, torce Ana Thaís. Para Carol, o resultado já será vitorioso se, ao final do torneio, as atletas forem reconhecidas por seus esforços. “Que a Copa traga o respeito que essa seleção merece. São mulheres que compraram uma briga e a estão bancando”, completa.

Grandes nomes

Mesmo com um cenário não tão otimista, as jornalistas apostam na seleção. “O Brasil vem de nove derrotas seguidas, mas tem um time muito bom. A Formiga está no auge, aos 41 anos, e a Cris Rozeira é uma das principais artilheiras da categoria. Juntamente com Marta, elas carregaram o time brasileiro por muito tempo e hoje querem um final de carreira à altura. Podemos surpreender. Quem tem a melhor do mundo não passa batido numa Copa”, pontua Ana Thaís. O primeiro embate, contra a Jamaica, é dia 9 de junho.

Sejam as brasileiras campeãs ou não, esta edição da Copa do Mundo já entrou para a história. Foram vendidos mais de 700 mil ingressos para o evento, que atrairá os olhos de todo o planeta para o futebol feminino. “Agora que vai ser transmitido, imagina a emoção delas sabendo que a família vai poder torcer de casa. É uma conquista das jogadoras acima de tudo”, finaliza. Nós também garantimos nosso lugar na torcida pela taça e por mais igualdade dentro e fora de campo para as atletas.

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