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Conheça a escritora que garimpou e leu autores de todos os países em um ano

A inglesa Ann Morgan devorou, ao todo, 193 títulos oriundos de países membros e reconhecidos pela ONU e mais Taiwan, Palestina, Vaticano e da região do Curdistão

Por Ana Paula Orlandi (colaboradora)
Atualizado em 28 out 2016, 13h15 - Publicado em 28 mar 2016, 18h48

Uma prateleira de livros pode revelar muito sobre seu dono. Foi por isso que a escritora inglesa Ann Morgan, 33 anos, se surpreendeu quando parou para avaliar a própria estante: na maioria, publicações assinadas por autores dos Estados Unidos e da Inglaterra. “Eu me achava cosmopolita e fiquei chocada ao descobrir que aquela seleção contava uma história diferente a meu respeito”, lembra. A constatação inspirou o projeto A Year of Reading the World (em tradução livre, “Um ano lendo o mundo”). Com ele, Ann se propôs a devorar, ao longo de 12 meses, um livro escrito em cada país do planeta. Ao todo, foram 193 títulos oriundos de países membros e reconhecidos pela ONU e mais Taiwan, Palestina, Vaticano e da região do Curdistão. Do Brasil, o escolhido foi A Casa dos Budas Ditosos, do baiano João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), que Ann define como “grande performance de um escritor no auge da boa forma”. 

O desafio foi encontrar em Londres, onde mora, a versão em inglês de exemplares produzidos mundo afora. Isso porque, de acordo com ela, as traduções representam apenas 4,5% de toda a literatura publicada anualmente no Reino Unido. “Grande parte vem do francês e de países com maior estrutura editorial, como a própria França e a Suíça, mas pouco se vê a produção de autores africanos que falam francês mesmo, por exemplo”, afirma. “Há muita desigualdade no mundo e algumas vozes ainda conseguem falar mais alto do que outras.” Em sua busca, Ann foi pautada pela recomendação de amigos, leitores apaixonados que conheceu por meio do blog do projeto e até de escritores – caso de Ak Welsapar, autor do Turcomenistão que traduziu o próprio romance especialmente para ela. “Deve ter sido o primeiro livro daquele país vertido para o inglês”, diz. “Foi uma experiência fascinante poder conhecer um pouco de sua cultura.” 

Essa é uma das histórias que a inglesa narra no recém-lançado Reading the Book: Confessions of a Literary Explorer (em tradução livre, “Lendo o livro: confissões de uma desbravadora literária”), ainda sem previsão de chegar ao Brasil. “Aprendi muito sobre o mundo e conquistei uma rede de amigos, mas o melhor foi ter estimulado o interesse de leitores de língua inglesa pela literatura estrangeira, como uma tradutora americana que resolveu transpor para o inglês livros da Ilha de Madagascar, na África”, conta. Ann prossegue alimentando o blog. “Como muita gente mandava sugestões, decidi continuar falando disso e fazer uma crítica por mês desses achados”, diz. Recentemente foi a vez de “Family Heirlooms” (ou Joias de Família), da paulista Zulmira Ribeiro Tavares.  

 

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