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Brasileira afirma ter sofrido aborto por causa de polícia francesa

Débora A. estava grávida de 4 meses e meio e foi agredida por policiais durante abordagem na saída de um shopping em Paris

Por Da Redação Atualizado em 20 jan 2021, 17h59 - Publicado em 20 jan 2021, 18h30

Uma brasileira está acusando a polícia francesa de ter causado a perda de seu bebê após uma abordagem violenta em dezembro. Identificada apenas como Débora A., de 23 anos, a jovem estava grávida de 4 meses e meio quando tudo ocorreu.

Segundo reportagem do jornal francês Liberation, no dia 10 de dezembro Débora e sua prima, Céline H., haviam ido buscar uma encomenda em um restaurante chinês do centro comercial Arc-en-Ciel, localizado em Garges-lès-Gonesse, subúrbio de Paris.

Ao saírem do local, as mulheres foram paradas por um policial que solicitou que elas colocassem as máscaras, pedido que foi obedecido de imediato. Contudo, uma outra oficial se aproximou e, demonstrando um comportamento agressivo, segundo Débora, decidiu que iria multá-las.

Antes que as jovens pudessem enfim sair do shopping com as multas e máscaras, essa mesma policial voltou a abordá-las, alegando ter ouvido insultos. Para o jornal, Débora disse que ela e sua prima estavam apenas brincando.

Ao tentar defender Céline, que foi jogada no chão para ser algemada, Débora levou empurrões e foi jogada violentamente contra a parede três vezes, mesmo gritando que estava grávida. Detidas, as duas jovens foram levadas para a delegacia de Sarcelles, onde ficaram até às 21h30, indiciadas por ultraje.

Naquela mesma noite, a jovem começou a sentir fortes dores no ventre e, ao procurar o serviço médico no dia seguinte, foi diagnosticada com uma contusão lombar e metrorragia. Ela recebeu uma licença médica de oito dias e a orientação de que repousasse.

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Porém, as dores ficaram mais intensas e houve a necessidade de hospitalizá-la. No dia 21 de dezembro, a brasileira sofreu um aborto e perdeu o bebê. Ela esperava uma menina e essa era sua primeira gestação.

Vincent Brengarth, advogado da jovem, disse ao Liberation que entrou com uma queixa por violência que provocou “mutilação ou enfermidade permanente por uma autoridade pública.”

Segundo ele, “a relação de causa e efeito entre a violência policial cometida em 10 de dezembro e a morte do bebê é coerente. Existe inclusive uma presunção de culpabilidade.” Brengarth afirma também que a gravidez de Débora ia bem até o ocorrido.

Uma investigação preliminar foi iniciada pelo Tribunal de Pontoise. Débora pede que a justiça seja feita para sua filha e exige a realização de uma autópsia no bebê. Ela está convocada para uma audiência no dia 6 de julho por causa do registro de ultraje.

Contatada pelo jornal, a polícia declarou que a brasileira “não sofreu nenhum golpe” e que a investigação está demorando pois testemunhas ainda não se apresentaram.

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