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O que Brasil x EUA revela sobre a Copa do Mundo Feminina que o Brasil vai receber em 2027

55 mil torcedores no Castelão encerram série de amistosos e mostram que o Brasil está pronto para receber o mundial em 2027

Por Allana Ostan 10 jun 2026, 15h54 | Atualizado em 10 jun 2026, 15h56
Jogadoras de futebol brasileiras, de costas, em círculo no campo, abraçadas, com uniformes coloridos em tons de verde, azul e amarelo. Ao fundo, torcedores nas arquibancadas, vestindo camisas amarelas, e um letreiro vermelho com a palavra Itaú
Seleção feminina reunida no Castelão antes do amistoso contra os Estados Unidos, diante de mais de 55 mil torcedores (Lívia Villas Boas/ CBF/Reprodução)
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A seleção brasileira feminina foi derrotada pelos Estados Unidos por 1 a 0 nesta terça-feira (9), na Arena Castelão, em Fortaleza. Apesar do resultado, a partida entrou para a história por um motivo muito maior: mais de 55 mil torcedores lotaram o estádio cearense, estabelecendo o maior público já registrado em um amistoso da seleção feminina no Brasil.

A marca supera com folga o recorde anterior, de 33.272 espectadores, alcançado em 2024 na Arena Pernambuco, em Recife, na goleada brasileira por 4 a 0 sobre a Jamaica.

Dentro de campo, o único gol da partida saiu em um chute de Wilson que desviou em Isabela e enganou a goleira Lorena. Na súmula, o lance foi registrado como gol contra da defensora brasileira.

O confronto também teve momentos de preocupação. Aos 31 minutos do primeiro tempo, Dudinha deixou o gramado chorando, com fortes dores no joelho, e precisou ser amparada pelas companheiras. Na etapa final, o clima esquentou: Bia Zaneratto e Tarciane foram expulsas, assim como o técnico Arthur Elias.

Após o apito final, a árbitra espanhola Paola López ainda mostrou cartão vermelho para Kerolin e Ludmila por reclamação. Marta, que voltou a vestir a camisa da seleção após a Copa América de 2025, entrou nos minutos finais, quando o Brasil já atuava com apenas nove jogadoras.

O que esse jogo revela sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027?

As expulsões, a lesão de Dudinha e a derrota para as norte-americanas acabaram ficando em segundo plano diante do que se viu nas arquibancadas. Os mais de 55 mil torcedores presentes no Castelão representam um sinal claro da força que o futebol feminino vem conquistando no país.

O recorde de público funciona como um termômetro do interesse dos brasileiros pela modalidade a pouco mais de um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. A mobilização em Fortaleza reforça que existe demanda, engajamento e expectativa para o maior evento do futebol feminino mundial.

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Se milhares de pessoas foram ao Castelão para um amistoso preparatório, o que esperar quando as melhores seleções do mundo estiverem em campo? O público do Campeonato Brasileiro Feminino cresceu 57% em quatro anos, segundo levantamento da Lance — e não só em decisões: jogos de meio de semana e fases iniciais passaram a lotar arquibancadas. O interesse pelo futebol feminino no país subiu 34% desde 2018, com as buscas na internet crescendo 170% nos últimos cinco anos.

O crescimento do futebol feminino

O crescimento do interesse pelo futebol feminino no Brasil e no mundo não aconteceu da noite para o dia. Para quem acompanha o setor de perto, ele é resultado de um conjunto de movimentos que se acumularam ao longo dos últimos anos, e que agora começam a se refletir nas arquibancadas.

Mônica Esperidião, CSO da FSports, agência que detém os direitos de comercialização do futebol feminino da CBF no ciclo 2025–2029, vê no recorde desta terça um sinal concreto dessa consolidação. “Esse marco é resultado de um trabalho consistente desenvolvido em várias frentes e que visa aproximar a Seleção Brasileira Feminina dos torcedores, fortalecendo a conexão do público com a categoria em todos os cantos do país”, afirmou.

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Mas o que explica, afinal, esse salto? Bianca Santos, criadora por trás do perfil @falasemgritar e referência sobre futebol feminino nas redes sociais, aponta a Copa do Mundo Feminina de 2023 como o grande divisor de águas. Foi a primeira vez que o torneio teve transmissão ampla na televisão aberta e no YouTube, levando o futebol feminino para a tela de quem nem sabia que a Copa estava acontecendo.

Antes disso, torneios como o de 2019 passavam quase despercebidos pelo grande público, sem transmissão ampla, sem cobertura consistente. “A gente não sabia que estava acontecendo Copa feminina”, lembra ela. “Já em 2023, não. Se você parava as pessoas na rua, elas sabiam que ia ter Copa.”

A jornalista esportiva Lara Gruppi, que acompanha as transmissões de futebol feminino de perto, reforça esse raciocínio. Para ela, a Copa de 2023 e a Eurocopa de 2025 foram decisivas para consolidar a modalidade como um dos esportes de maior crescimento global. “Quando o público consegue acompanhar com regularidade, ele se engaja. E isso impacta diretamente a presença nos estádios e o interesse das marcas“, afirma.

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Além da acessibilidade, Bianca enxerga uma mudança de narrativa. Por muito tempo, o futebol feminino foi tratado pela mídia como uma história de superação — atletas que venciam adversidades estruturais para chegar até ali. Esse enquadramento, segundo ela, começou a ceder espaço para algo diferente: a cobertura do jogo em si, das jogadoras como esportistas de alto nível, das histórias de carreira sem o peso do discurso vitimista.

Há também um novo perfil de torcedor sendo formado — e ele tem relação com o que o futebol masculino repele. Bianca identifica um público que busca o esporte como um hobby saudável, sem o fanatismo e a hostilidade que frequentemente marcam as torcidas do futebol masculino.

“Essa nova torcida representa quem se interessa por futebol, mas de maneira saudável — não quer algo doentio, quer um hobby.”

Quando será a Copa Feminina de 2027?

O torneio começa em 24 de junho de 2027 e vai até 25 de julho, com a grande final no Maracanã. Oito cidades vão receber jogos: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Brasília e Porto Alegre. Será a primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul, e o Castelão, que nesta terça virou palco de um recorde histórico, já está entre os estádios escolhidos.

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