Atleta paralímpica belga pedirá eutanásia após participar da Rio 2016

Os principais motivos que fizeram Marieke Vervoort optar por colocar um ponto final na vida e na carreira são os desmaios constates e os picos de dores fortíssimas, capazes de tirar seu sono diariamente

A atleta paralímpica belga de 37 anos, Marieke Vervoort, é conhecida mundialmente por ser sinônimo de garra e superação: é dela o mérito de ter quebrado os recordes mundiais no ano passado, durante o Mundial de Doha, no Catar, nos 400, 800, 1500 e 5000 metros rasos na cadeira de rodas, além de também ter levado o ouro na série de 100 metros, e ter sido laureada duas vezes com a prata durante os Jogos Paralímpicos de Londres, há 4 anos. Mas nem todos os prêmios do mundo são capazes de amenizar a sua dor diária.

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Vítima de uma doença crônica degenerativa, diagnosticada em 2008, responsável por ter paralisado seus membros inferiores, quando tinha apenas 14 anos, Marieke também sofre desmaios constates e picos de dores fortíssimas, capazes de tirar seu sono diariamente. Estes são os principais motivos que a fizeram escolher por um ponto final não somente na sua carreira de sucesso, mas também na sua vida. “Todo mundo me vê sorrir com a minha medalha de ouro, mas ninguém vê o lado negro. Sofro muito, às vezes durmo dez minutos por noite”, E completa: “É inútil queixar-me”.

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Após participar dos Jogos Paralímpicos, que ocorrerão no Rio de Janeiro, de 7 a 18 de setembro, a atleta será submetida à eutanásia, segundo declarações da própria ao periódico francês Le Parisien. “O Rio é o meu último desejo. Quero terminar minha carreira no pódio. Estou treinando duro, mesmo que tenha que lutar contra a minha doença noite e dia. É muito difícil perceber, ano após ano, aquilo que já não posso fazer”, desabafa ela não vê motivos para continuar após ter atingido sua “única razão de viver”. 

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Wielemie, como é carinhosamente chamada em sua terra-natal pelos fãs, apelido que, em língua portuguesa, significa “a roda e eu”, já preparou toda a papelada para por um fim na sua própria vida, procedimento permitido na Bélgica, desde 2002, com a autorização médica, e deseja fazer isso após conseguir um ouro nas competições de setembro. “Quero que toda a gente tenha um copo de champanhe na mão e se lembre de mim. Há uma chance de medalha, mas vai ser muito difícil porque a concorrência é muito forte”, conta.

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