Asteroide pode causar “inverno de impacto” na Terra; veja qual é o risco real
Com cerca de 500 metros de diâmetro, o asteroide Bennu é monitorado há décadas pela Nasa
O asteroide Bennu, um dos objetos próximos da Terra mais estudados pela Nasa, voltou aos holofotes nesta terça-feira (14). Com aproximadamente 500 metros de diâmetro, o corpo celeste é acompanhado continuamente por cientistas, que classificam o risco de impacto como muito baixo.
Bennu pertence ao grupo dos chamados asteroides próximos da Terra (NEOs, na sigla em inglês) e realiza uma aproximação do planeta aproximadamente a cada seis anos. Em suas passagens, pode chegar a cerca de 299 mil quilômetros da Terra, distância inferior à que separa o planeta da Lua, sem representar ameaça imediata.
Segundo os cálculos mais recentes da Nasa, a probabilidade de Bennu atingir a Terra até o ano de 2300 é de cerca de 0,057% (aproximadamente 1 chance em 1.750). A data que concentra o maior risco é 24 de setembro de 2182, mas mesmo nesse cenário a chance de colisão é estimada em apenas 0,037%, ou cerca de 1 em 2.700.
Na prática, isso significa que há mais de 99,9% de probabilidade de o asteroide não atingir o planeta.
O que aconteceria se Bennu atingisse a Terra?
Caso um impacto realmente ocorresse, os efeitos seriam significativos. Simulações feitas por pesquisadores indicam que Bennu poderia liberar uma quantidade de energia equivalente à de 22 bombas nucleares de grande porte, provocando uma intensa onda de choque, terremotos, incêndios, radiação térmica e a formação de uma enorme cratera.
Os impactos não ficariam restritos ao local da colisão. Estudos apontam que entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de poeira poderiam ser lançadas na atmosfera, reduzindo a incidência de luz solar e desencadeando um fenômeno conhecido como “inverno de impacto”.
Em um cenário extremo, a temperatura média global poderia cair cerca de 4°C, enquanto o volume de chuvas diminuiria aproximadamente 15%, afetando ecossistemas e a produção agrícola.
Como a Nasa monitora Bennu
O conhecimento sobre Bennu avançou significativamente graças à missão OSIRIS-REx, lançada pela Nasa em 2016. A sonda chegou ao asteroide em 2018, estudou detalhadamente sua composição, massa, formato e trajetória, e coletou amostras da superfície em 2020.
O material retornou à Terra em 2023 e continua sendo analisado para ampliar o entendimento sobre a formação do Sistema Solar e aperfeiçoar os cálculos da órbita do asteroide.
Os cientistas também acompanham fatores que podem alterar sua trajetória ao longo do tempo, como a aproximação prevista para 2135, quando Bennu passará relativamente perto da Terra, e o chamado efeito Yarkovsky, uma pequena força causada pela absorção e emissão de calor pelo próprio asteroide, capaz de modificar sua órbita lentamente ao longo de décadas e séculos.
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