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Aos 99 anos, filha de escravo inaugura o primeiro Museu Nacional de História Negra

"Seu pai, Elijah Odom, nasceu na condição de servidão no Mississippi. Nasceu escravo, e como qualquer pessoa naquela situação lutou pela sua liberdade e conseguiu vencer: formou-se em medicina e deu vida à linda família que vemos hoje", disse Barack Obama durante a cerimônia de inauguração

Por Débora Stevaux (colaboradora) Atualizado em 28 out 2016, 06h36 - Publicado em 26 set 2016, 14h18

O que move as narrativas históricas é que os acontecimentos passados não ficam estagnados num posto de antiguidades intactas e imutáveis. Prova disso foi a inauguração do primeiro Museu Nacional de História Negra (Smithsonian National Museum of African American History and Culture), nos Estados Unidos. 

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A solenidade, organizada neste último sábado (24), contou com uma ilustre presença. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama e a primeira-dama Michelle Obama, receberam Ruth Bonner, uma senhora de 99 anos, filha de um homem que nasceu na condição de escravo, no estado de Mississippi. 

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O casal a ajudou a tocar o sino da celebração, que ocorreu no prédio em que abriga a instituição, em Washington. É necessário frisar que a cultura negra sempre foi colocada como inferior em todos os níveis, desimportante, e por vezes, nem sequer abordada em escolas e universidades ao redor do mundo. Em contrapartida, a eugenia, que coloca todos os valores eurocêntricos como superiores, é amplamente conhecida e preservada na maioria dos países. 

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Vice President Joe Biden greets 99-year-old Ruth Bonner, a daughter of a young slave who escaped to freedom, as Dr. Jill Biden greets another generation of the Bonner family who rang the Freedom Bell with the President and First Lady to mark the official opening of the Smithsonian National Museum of African American History and Culture.

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Por muito tempo, os negros foram afastados de sua própria história e origem, o que já foi usado como estratégia de enfraquecimento do movimento pelos direitos civis. “Hoje nós temos conosco uma família que reflete o preço do progresso do nosso país: Ruth carrega consigo a responsabilidade de ser a mais velha de quatro gerações – que culminou no nascimento da pequena Christine, de apenas 7 anos”, disse Obama em seu discurso: “Seu pai, Elijah Odom, nasceu na condição de servidão em Mississippi. Nasceu escravo, e como qualquer pessoa naquela situação lutou pela sua liberdade. Viveu o processo de Reconstrução Americana, enfrentou as leis segregacionistas de Jim Crow. Mas conseguiu vencer, formou-se em medicina e deu vida à linda família que vemos hoje – com sua brava ancestralidade refletida na existência de Christine, que nasceu livre e igual a todos os cidadãos perante a legislação americanas e aos olhos de Deus.”

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O sino que a família Obama tocou ao lado de Bonner pertence à primeira Igreja Batista em Williamsburg, Virginia. Foi construída por negros libertos e os que ainda viviam em regime de escravidão para reuniões que aconteciam em segredo. O objeto data de 1880, mas foi recentemente restaurado e emitiu seu som pela primeira vez neste ano, desde a época da segregação. 

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Assista ao vídeo do momento emocionante: 

 

 

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