Aos 99 anos, filha de escravo inaugura o primeiro Museu Nacional de História Negra

"Seu pai, Elijah Odom, nasceu na condição de servidão no Mississippi. Nasceu escravo, e como qualquer pessoa naquela situação lutou pela sua liberdade e conseguiu vencer: formou-se em medicina e deu vida à linda família que vemos hoje", disse Barack Obama durante a cerimônia de inauguração

O que move as narrativas históricas é que os acontecimentos passados não ficam estagnados num posto de antiguidades intactas e imutáveis. Prova disso foi a inauguração do primeiro Museu Nacional de História Negra (Smithsonian National Museum of African American History and Culture), nos Estados Unidos. 

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A solenidade, organizada neste último sábado (24), contou com uma ilustre presença. O primeiro presidente negro dos Estados Unidos, Barack Obama e a primeira-dama Michelle Obama, receberam Ruth Bonner, uma senhora de 99 anos, filha de um homem que nasceu na condição de escravo, no estado de Mississippi. 

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O casal a ajudou a tocar o sino da celebração, que ocorreu no prédio em que abriga a instituição, em Washington. É necessário frisar que a cultura negra sempre foi colocada como inferior em todos os níveis, desimportante, e por vezes, nem sequer abordada em escolas e universidades ao redor do mundo. Em contrapartida, a eugenia, que coloca todos os valores eurocêntricos como superiores, é amplamente conhecida e preservada na maioria dos países. 

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Por muito tempo, os negros foram afastados de sua própria história e origem, o que já foi usado como estratégia de enfraquecimento do movimento pelos direitos civis. “Hoje nós temos conosco uma família que reflete o preço do progresso do nosso país: Ruth carrega consigo a responsabilidade de ser a mais velha de quatro gerações – que culminou no nascimento da pequena Christine, de apenas 7 anos”, disse Obama em seu discurso: “Seu pai, Elijah Odom, nasceu na condição de servidão em Mississippi. Nasceu escravo, e como qualquer pessoa naquela situação lutou pela sua liberdade. Viveu o processo de Reconstrução Americana, enfrentou as leis segregacionistas de Jim Crow. Mas conseguiu vencer, formou-se em medicina e deu vida à linda família que vemos hoje – com sua brava ancestralidade refletida na existência de Christine, que nasceu livre e igual a todos os cidadãos perante a legislação americanas e aos olhos de Deus.”

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O sino que a família Obama tocou ao lado de Bonner pertence à primeira Igreja Batista em Williamsburg, Virginia. Foi construída por negros libertos e os que ainda viviam em regime de escravidão para reuniões que aconteciam em segredo. O objeto data de 1880, mas foi recentemente restaurado e emitiu seu som pela primeira vez neste ano, desde a época da segregação. 

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Assista ao vídeo do momento emocionante: 

 

 

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