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O vestido polêmico que Olivia Rodrigo resgatou e virou febre em 2026

O retorno do babydoll, impulsionado por Olivia Rodrigo, reacende o debate sobre feminilidade. Sua história é mais complexa que a "infantilização"

Por Ana Carolina Palermo 22 Maio 2026, 07h00
Imagem colorida composta por duas fotografias da cantora Olivia Rodrigo em um palco dispostas lado a lado mostrando-a de corpo inteiro usando um vestido curtíssimo no estilo boneca. Na primeira foto à esquerda Olivia está virada de perfil parcial para a direita com a cabeça levemente inclinada para cima e a ponta da língua para fora demonstrando descontração. Ela tem cabelos castanhos escuros longos e soltos. Veste um vestido branco muito curto e rodado com estampa floral miúda em tons de rosa e verde. A peça tem mangas curtas bufantes gola redonda fechada e a linha da cintura alta localizada logo abaixo do busto realçada por uma fita rosa e pequenos detalhes brilhantes deixando suas pernas totalmente à mostra. Ela segura um microfone preto na mão direita e calça botas pretas de cano alto com meias brancas aparecendo no topo. O palco está iluminado com luzes avermelhadas ao fundo. Na segunda foto à direita Olivia aparece na mesma posição e com o mesmo figurino mas agora está de frente sorrindo para a câmera com os braços para trás. O ângulo mais aberto revela que o vestido é extremamente curto e volumoso cobrindo apenas a região dos quadris. O cenário ao redor está banhado por uma forte iluminação rosa e roxa e é possível ver parte de uma bateria da marca Pearl à direita além de arranjos de flores escuras no chão do palco.
Olivia Rodrigo usando um babydoll durante sua apresentação em Barcelona (Reprodução/Getty Images)
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O vestido babydoll voltou ao centro da cultura pop — e a responsável por recolocar a peça no debate contemporâneo é Olivia Rodrigo. A cantora passou a incorporar o modelo nos figurinos de sua nova turnê e transformou o visual em um dos assuntos mais comentados das últimas semanas nas redes sociais.

Durante a divulgação do álbum You Seem Pretty Sad for a Girl So In Love, a artista apareceu usando diferentes versões do babydoll: de camisolas com babados inspiradas no glamour melancólico de Valley of the Dolls a vestidos florais retrô acompanhados de bloomers — uma espécie de short bufante com babados.

O visual rapidamente gerou controvérsia online, principalmente após o show realizado em Barcelona, no último dia 8 de maio. Parte do debate passou a interpretar o babydoll como um símbolo necessariamente ligado à ingenuidade infantil. A leitura, porém, ignora a própria história da peça.

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A origem do vestido babydoll na moda

Imagem composta por três fotografias antigas em preto e branco dispostas lado a lado mostrando mulheres vestindo roupas muito curtas no estilo boneca populares entre as décadas de 1950 e 1960. Na primeira foto à esquerda uma mulher jovem de pele clara e cabelos curtos ondulados está de pé e descalça em um provador. Ela veste um vestido branco muito curto e volumoso com babados na barra que cobrem apenas até o topo das coxas deixando as pernas longas à mostra e tem um laço de fita no decote. Ao fundo há araras com outras roupas penduradas. Na segunda foto ao centro uma mulher loira de cabelos curtos aponta o dedo em direção a um homem que aparece de costas vestido com uma camisa listrada. Ela usa uma camisola curta e clara com pequenos babados nas alças e na barra que termina logo abaixo dos quadris. O cenário ao fundo é um ambiente interno ligeiramente desfocado. Na terceira foto à direita a modelo Twiggy aparece de corpo inteiro sorrindo para a câmera com seu corte de cabelo curto e repartido de lado. Ela veste um vestido curto em formato de letra A com estampa xadrez clara mangas curtas e detalhe de laço no pescoço calçando sapatilhas escuras. Ao fundo há uma grande pilha de cadeiras de madeira escuras e empilhadas.
1942: criada por Sylvia Pedlar durante a Segunda Guerra Mundial, a camisola estilo babydoll nasceu como resposta ao racionamento de tecidos (Reprodução/Getty Images)

A trajetória do babydoll contradiz diretamente essa associação. A peça surgiu em 1942, criada pela estilista Sylvia Pedlar durante a Segunda Guerra Mundial. Em meio ao racionamento de tecidos, ela desenvolveu uma camisola curta, ampla e confortável como resposta prática às limitações da época.

O modelo ganhou projeção internacional em 1956, com o lançamento do filme Baby Doll, escrito por Tennessee Williams. No longa, a atriz Carroll Baker apareceu usando versões fluidas e encurtadas da camisola, consolidando a imagem do babydoll no imaginário popular.

Poucos anos depois, em 1958, Cristóbal Balenciaga levou a silhueta para a alta-costura ao apresentar vestidos trapézio e modelos conhecidos como “sack dress”. O que antes era sleepwear passou a ocupar passarelas e editoriais de moda.

Já nos anos 1960, a estética foi absorvida pela Swinging London, movimento que revolucionou a moda jovem britânica. Estilistas como Mary Quant e modelos como Twiggy ajudaram a transformar o babydoll em símbolo de juventude e liberdade estética.

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Como o babydoll virou tendência novamente em 2026

Imagem colorida composta por duas fotografias de desfiles de moda dispostas lado a lado mostrando modelos na passarela vestindo roupas curtas e conceituais em tons claros com babados. Na primeira foto à esquerda uma modelo de pele clara cabelos castanhos longos e batom roxo escuro caminha de frente usando uma tiara delicada na cabeça. Ela veste um casaco ou vestido transpassado feito de tecido transparente bege com acabamento de renda branca nas bordas e mangas bufantes curtas. Por baixo dessa peça ela usa uma camisa de mangas longas com estampa xadrez miúda em preto e branco. Ela segura uma bolsa pequena com alça de corrente verde clara na mão esquerda. O fundo é uma parede brilhante e texturizada em tom dourado escuro. Na segunda foto à direita uma modelo negra de pele retinta cabelos curtos estilo crespo e óculos de sol escuros caminha em direção à câmera. Ela veste uma peça única curta e bufante na cor marfim ou gelo com decote ombro a ombro repleto de babados em camadas de renda fina. Na cintura há um cinto largo dourado e um grande laço de cetim volumoso que cai pela frente da roupa cobrindo parte das coxas. O fundo é minimalista composto por paredes de concreto em tom marrom acinzentado formando um vão triangular.
Miu Miu spring/summer 2016. (Reprodução/Getty Images)

Décadas depois, o vestido voltou a ganhar força nas passarelas. Quando Miuccia Prada colocou o babydoll no centro da coleção Primavera/Verão 2016 da Miu Miu, descreveu a peça como uma “armadura contra o conservadorismo”.

Anos mais tarde, Loewe, Chloé e Alberta Ferretti retomaram a silhueta em coleções recentes, consolidando o retorno do babydoll entre as tendências de 2026.

Olivia Rodrigo não está sozinha nesse movimento. Taylor Swift, Sabrina Carpenter e Gwyneth Paltrow também apareceram recentemente usando versões da peça.

A relação entre o babydoll e o movimento riot grrrl

Imagem colorida composta por duas fotografias de apresentações musicais de rock dispostas lado a lado mostrando mulheres loiras cantando expressivamente no palco com microfones. Na primeira foto à esquerda a cantora Courtney Love aparece de perfil parcial virada para a direita com a cabeça inclinada para trás os olhos fechados e a boca encostada em um microfone preto em pedestal. Ela tem cabelos loiros médios repicados e bagunçados com franja. Ela veste um vestido cinza claro justo com decote profundo em formato de V adornado com bordados em tons claros e mangas curtas caídas com pequenos babados. Uma alça preta cruza seu ombro esquerdo e o fundo da imagem é totalmente escuro. Na segunda foto à direita uma musicista loira de cabelos longos e ondulados com uma franja reta canta com a boca bem aberta expressando intensidade em um microfone com detalhes em azul e laranja. Ela veste um vestido azul claro de mangas curtas bufantes com acabamento de renda branca nas bordas das mangas e no decote. Ela segura e toca uma guitarra elétrica de corpo escuro e escudo branco da marca Rickenbacker presa ao corpo por uma correia preta. Ao fundo distorcido é possível notar elementos de um palco ao ar livre com árvores e equipamentos de som.
Courtney Love e Kat Bjelland usando modelos babydoll (Reprodução/Getty Images)
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Nos anos 1990, o babydoll reapareceu sob outra perspectiva: a do grunge e da contracultura feminina. Artistas como Courtney Love e Kat Bjelland passaram a usar vestidos babydoll combinados com maquiagem borrada, botas pesadas e guitarras distorcidas.

Mais do que delicadeza, o visual carregava uma estética de confronto e ironia. Historicamente, o vestido está ligado à moda adulta feminina e atravessa diferentes movimentos culturais — do glamour hollywoodiano à cena punk. Em algumas versões, os bloomers associados ao look também dialogam com referências do movimento sufragista e da moda reformista do século XIX.

Olivia Rodrigo e a discussão sobre feminilidade na moda

“Eu realmente amo a ideia de um vestido babydoll”, afirmou Olivia Rodrigo em entrevista recente à Vogue. A cantora também explicou que suas referências vêm diretamente da cena riot grrrl e de artistas como Courtney Love e Kat Bjelland.

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