Por que câmeras digitais e outros itens retrô voltaram a ser moda?
Especialista em tendências explica como a estética da nostalgia ganha cada vez mais adeptos
Nos últimos anos, você já se deparou com algo e pensou: “Nossa, isso aqui é da minha época”? Ou então: “Isso é tão antigo que achei que nem existisse mais”? A sensação de reencontrar objetos ou referências que fizeram parte do imaginário de tantas pessoas pode não ser apenas uma impressão.
Em um mundo cada vez mais acelerado, marcado pela constante renovação de tendências e pela sensação de que tudo se torna obsoleto rapidamente, o retrô tem surgido como um novo desejo de consumo.
“A cultura digital criou um paradoxo. As pessoas são expostas a um fluxo constante de conteúdos, estéticas e produtos, o que pode fazer com que tudo pareça cada vez mais repetitivo. Nesse contexto, o retrô se torna atraente não apenas porque funciona bem visualmente online, mas porque parece mais pessoal, tátil e emocionalmente enraizado”, afirma Sydney Stanback, diretora global de tendências e insights do Pinterest.
Quando o passado volta a ser tendência
Esse movimento tem se tornado cada vez mais visível, especialmente entre millennials e a geração Z, que passaram a incorporar referências do passado em diferentes áreas do consumo — da moda à decoração, passando por beleza e estilo de vida.
Segundo Sydney, as redes sociais desempenham um papel central nesse fenômeno. Mais do que refletirem tendências, elas ajudam a moldar a forma como as pessoas descobrem, reinterpretam e compartilham referências culturais.
“O retrô ressoa particularmente bem nesse ambiente porque oferece um vocabulário visual forte: é reconhecível, emocionalmente marcante e altamente adaptável”, explica.
A saturação das tendências digitais
Ao mesmo tempo, o ritmo acelerado do universo digital acaba gerando um tipo de saturação estética. Com tantas tendências surgindo e desaparecendo rapidamente, muitos consumidores passam a buscar algo que pareça mais estável, pessoal e significativo.
No Pinterest, esse comportamento aparece de forma clara. “As pessoas não estão simplesmente copiando o passado — estão reinterpretando-o através de uma lente contemporânea”, diz.
Isso revela uma mudança importante no comportamento de consumo. Em vez de apenas seguir tendências, os usuários querem curar, personalizar e transformar referências em algo próprio, utilizando o passado como matéria-prima para a construção de identidade.
Nostalgia como conforto emocional
Além das redes sociais, fatores emocionais e culturais também ajudam a explicar o fascínio por objetos e estéticas do passado.
Em um cenário marcado por incertezas e estímulos constantes, a nostalgia pode oferecer uma sensação de estabilidade.
“O retrô oferece conforto. Ele traz referências familiares e uma sensação de continuidade”, afirma Sydney. “Hoje, a nostalgia não é apenas sobre saudade — ela é usada como uma forma de tornar o presente mais significativo.”
Uma jaqueta encontrada em um brechó, um relógio analógico, cartas escritas à mão ou móveis inspirados no Art Déco evocam uma sensação de permanência que contrasta com a lógica descartável da cultura digital.
Consumo consciente e peças com história
O consumo retrô também dialoga com novas preocupações econômicas e ambientais. Plataformas de revenda e brechós permitem que consumidores mais jovens acessem produtos únicos, muitas vezes gastando menos e consumindo de forma mais consciente.
“Para muitos, comprar de segunda mão não é apenas uma decisão financeira; é também uma escolha de estilo e de valores. Isso combina sustentabilidade, originalidade e narrativa pessoal”, pontua a especialista.
A saudade de um tempo que não foi vivido
Outro aspecto curioso desse movimento é o fascínio crescente por décadas que muitas pessoas sequer viveram. A infância e a adolescência dos anos 1990 e 2000, por exemplo, voltaram a ocupar um lugar central na cultura pop e nas tendências.
A experiência de registrar momentos com uma câmera digital, ouvir a banda favorita em um MP4 ou usar peças marcantes da moda da época são referências que ganharam um novo significado.
Para muitos millennials, revisitar esses objetos e estéticas também representa uma forma de reconectar-se com a própria infância — ou até realizar desejos que não puderam ser vividos naquele momento.
Grande parte das pessoas era muito jovem para aproveitar plenamente aquela fase ou não tinha acesso aos produtos que se tornaram símbolos culturais da época. Hoje, com maior independência financeira, esses artefatos reaparecem como uma forma de revisitar memórias e atender a desejos antigos.
Já para as gerações mais novas, essas referências funcionam como uma forma de pertencimento cultural — uma maneira de experimentar, ainda que simbolicamente, o que era ser jovem naquele período.
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