Leites vegetais: saiba como fazer em casa

A indústria leiteira envolve a intensa exploração de vacas e seus filhotes. Trocar o leite de vaca pelos vegetais é fácil e econômico!

“Você tem vontade de se tornar vegana?” Sim, é a minha resposta, e a pergunta que segue a confirmação 100% das vezes é “Por quê? A vaca não morre para dar o leite nem a galinha morre para dar o ovo”. Morrer imediatamente, como ocorre na indústria da carne não, mas a exploração que está envolvida na indústria de laticínios é gigante. 

Assista aos primeiros cinco minutos deste documentário e me diga se você também não quer parar de consumir estes produtos:

O filme foi produzido pela ONG chilena Elige Veganismo e denuncia os abusos desta indústria. Alguns dados relevantes para entender porque é importante tratar também da exploração que não vem diretamente da morte:

– Para dar leite, a vaca precisa estar grávida. O que significa que elas serão constantemente inseminadas artificialmente durante todo o período “útil” de sua vida para a indústria leiteira. Depois disso ela é morta para virar carne.
– Os filhotes são imediatamente separados da mãe quando nascem. A vaca volta para a ordenha e o filhote, se for macho, é morto – tanto para virar carne, quanto por não ter utilidade na indústria leiteira-, se for fêmea, terá o mesmo destino da mãe. Ambos choram por dias a ausência um do outro.
– A ordenha nas vacas é constante. Imagine máquinas atreladas 24h por dia, 7 dias por semana ao ubre do animal. Sangue e pus são comuns no meio do leite que é retirado delas.

Parar com os laticínios e derivados é um desafio, porque reduz fortemente as opções de consumo quando se está fora de casa. No entanto, como sempre defendo, é tudo uma questão de adaptar o paladar.

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Leites Vegetais

São inúmeras as opções: leite de arroz, de amêndoa, de castanha, de coco, de soja, de inhame, de avelãs, de gergelim, de aveia. É igual? Não. Não vá esperando semelhança com o leite de vaca. São produtos diferentes, com gostos diferentes e que vão te trazer experiências diferentes para o paladar

Não se torne vegatariano/vegano buscando encontrar substituições para tudo que você comia antes. É uma mudança de vida que inclui adaptar o paladar a novos sabores e esquecer antigos hábitos.

Isso não significa que os leites sejam ruins. Pelo contrário. Muitas vezes são melhores que o tradicional. Leite de castanhas morno com cacau e um pouquinho de baunilha é uma delícia. Leite de soja com chai então, perfeito! Eu, que tomava leite de vaca direto da caixinha, hoje consumo tranquilamente o de soja e não sinto falta alguma. 

Algumas preparações culinárias precisarão ser testadas e adaptadas para o melhor leite vegetal. Molho bechamel, por exemplo, não fica bom com leite de soja industrializado, por ele conter baunilha na composição. Há uma opção para uso culinário no mercado, mas até algum tempo a informação que eu tinha era de que o produto tinha vitaminas de origem animal. Vale investigar. 

Para preparos salgados é melhor usar o leite de inhame, o de quinoa, o de coco, o de amendoim, o de castanha de caju, ou ainda o leite de soja feito em casa. Não deixe ferver o leite no preparo para não saturar as gorduras. Para engrossar rápido, use polvilho (rápido e sem glúten) ou farinha de trigo (um pouco menos rápido e com glúten).

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Para o leite de coco, por exemplo, compro na feira um copo grande de coco ralado fresco. Separo uma xícara (daquelas medidas padrão) e bato no liquidificador com três xícaras de água morna. Depois passo por um coador de pano (voil – aqueles saquinhos que também são usamos para fazer suco verde) e pronto. Quase um litro de leite de coco por menos de R$ 5 (sobra coco fresco) e o resíduo do saquinho ainda vira cookie ou bolo.

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Quando for usar ingredientes como amêndoa ou avelã, a dica é sempre deixá-las de molho em água de um dia para o outro. Na hora de usar, descarte a água do molho e bata no liquidificador com outra água. Use sempre a proporção 1 medida de sementes para duas de água. E por favor, não coloque fora os resíduos! Eles ficam ótimos em bolos e cookies.

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O livro “50 doces veganos”, recém lançado pela editora Alaúde, traz ainda as receitas do leite de soja, quinoa e inhame, os mais diferentões do pedaço, mas nem por isso difíceis. O de inhame, por exemplo, é simples. Pique dois inhames sem casca e bata no liquidificador com 3 xícaras de água. Depois de bater bem, acrescente mais 2 xícaras de água e bata mais até obter uma consistência mais espessa. Coe e voilá, está pronto.

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Os leites de arroz (para fazê-lo é preciso cozinhar o arroz, ok?), coco e inhame são os mais baratos da lista. Ainda assim, o rendimento que se tem em casa com uma xícara dos ingredientes mais caros como avelã e amêndoa é muito maior e mais em conta do que comprar os industrializados. Ou seja, vale a pena. Seja pelo preço, pela sua saúde ou pelas vaquinhas, que agradecem a opção.