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Por que encorajar sua filha ir para a área da ciência e tecnologia

No Dia Internacional da Menina, a discussão gira em torno de estereótipos que prejudicam a vida de garotas e também o mercado de trabalho

Por Luciane Dalmolin - Atualizado em 8 out 2020, 18h20 - Publicado em 11 out 2020, 11h00

Não é nenhuma novidade que as mulheres ainda não ocupam posições de destaque em algumas áreas, como tecnologia, ciências e matemática. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio do IBGE, de 2018, apenas 20% dos profissionais que atuam no mercado de TI no Brasil são mulheres.

A realidade é ainda mais chocante quando destacamos que, apesar de as profissionais do sexo feminino possuírem um grau mais elevado de instrução do que os homens, elas ainda recebem um salário, em média, 34% menor.

E é mais triste constatar que mesmo com toda a luta pela equidade de gênero, as meninas ainda não recebem o incentivo necessário para mudar essa situação no futuro. Segundo dados da Unesco, estima-se que 74% das jovens possuem interesse em matérias como ciência, tecnologia e matemática, no entanto, apenas 35% das alunas se inscrevem para cursos científicos nas universidades.

Fica claro, portanto, que a luta pela igualdade de oportunidades para mulheres no setor da tecnologia ainda tem um longo caminho a percorrer. E é muito importante entender que as iniciativas nesse sentido não valem só para que as adultas que já estão no mercado de trabalho – para que essas se desenvolvam na carreira e tenham direito de salários iguais aos dos homens.

É preciso atuar também para que as jovens e até mesmo as crianças recebam o incentivo para ter interesse nas áreas de exatas desde a primeira infância. Hoje (11), a ONU comemora o Dia Internacional da Menina e, para celebrar a data, a instituição estimula a discussão de temáticas relacionadas à violência contra a mulher e de caminhos para reduzir a desigualdade de gênero no ambiente cultural, social e econômico.

Atuo há mais de 20 anos no setor de tecnologia e, apesar de entender que estamos hoje em um cenário muito mais promissor para as mulheres do que quando comecei na carreira, vejo que ainda temos um caminho bastante difícil para nós mulheres.

A consultoria de recursos humanos Korn Ferry estima que, em 2030, a força de tecnologia global terá uma escassez de 4,3 milhões de funcionários. Observando este cenário, é essencial que as empresas, universidades e que a sociedade como um todo atue de maneira a estimular que parte dessas vagas sejam ocupadas por profissionais do sexo feminino, o que passa não só pelas políticas das empresas públicas e privadas, mas também pelo incentivo à formação e educação de mulheres.

É preciso repensar e começar a agir na forma como as meninas são estimuladas – ou desestimuladas – para as áreas que envolvam os estudos de STEAM (Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).

A igualdade de gênero demanda mudanças profundas em casa, na escola, na sociedade e nas empresas. Só assim, teremos ganhos efetivos na participação das mulheres no mercado de trabalho e criaremos oportunidades igualitárias de desenvolvimento. Para isso, precisamos com urgência desconstruir estereótipos de que atividades são “de homem” ou “de mulher”.

Devemos fazer com que as meninas acreditem que assuntos ligados às áreas STEAM não são, de maneira alguma, exclusivamente para meninos, e que elas são ser igualmente capazes de prosperar nesse ramo.

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O empoderamento feminino está em todos nós. Vamos usar o Dia Internacional das Meninas para refletir, agir e buscar um futuro melhor para as mulheres e para toda a sociedade! E como já disse Malala Yousafzai: “A educação é o poder das mulheres”.

Tamires Kopp/Print Maker/Divulgação

*Luciane Dalmolin, diretora de vendas para pequenas e médias empresas da Dell Technologies no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

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