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Mutilação de criança na Europa reacende debate sobre procedimento grotesco

Menina foi passar o fim de semana na caso do pai, na região de fronteira com a Geórgia, no sudoeste da Rússia, e voltou pra casa mutilada

Por Da Redação - Atualizado em 17 out 2020, 15h40 - Publicado em 18 out 2020, 09h00

Acabar com a mutilação genital feminina (MGF) até 2030 é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU. Mas, tornar a meta uma realidade parece difícil quando se tem acesso aos números desta forma grotesca de controle da sexualidade feminina.

A prática já fez 200 milhões de vítimas, em 92 países com informações. Mas o número é bem maior por conta da subnotificação já que o silêncio parece ser uma regra em países em que a “tradição” manda mutilar suas meninas e mulheres.

Os dados estão em reportagem publicada pela Folha, sábado, 17 e indicam países em mais de 80% das mulheres são submetidas à remoção parcial ou total do clitóris que pode ser aliada ao corte dos pequenos e grandes lábios. Só na Europa, há 180 mil meninas em risco de serem mutiladas, segundo a Comissão Europeia.

E é do Velho Continente, onde estão mais 600 mulheres vítimas de mutilação, que parte mais uma triste história que expõe o tamanho do problema.  Um caso de mutilação na Rússia envolvendo uma menina de 9 anos foi parar na Justiça, depois que a mãe da menina prestou queixa contra o ex-marido, a mulher dele e a médica que fez o procedimento. A menina foi passar o fim de semana na caso do pai, na região de fronteira com a Geórgia, no sudoeste da Rússia, e voltou pra casa mutilada, com febre e chorando.

O processo judicial sobre o tema é inédito por lá, mas deve acabar sem punição, já que no país não há lei que puna ou proíba a prática. A médica que cortou a menina responde apenas por danos leves à saúde, mas a mutilação, segundo a OMS pode causar sequelas físicas, como infecções graves e hemorragias, e mentais por toda a vida.

Segundo a Unfpa, a agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas, a pandemia de coronavírus agrava o problema e pode resultar em 2 milhões de casos adicionais de mutilação genital feminina. Por conta do confinamento, as crianças estão mais expostas a esse tipo de violência.

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