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Roberta Rodrigues fala da pouca representatividade negra em ‘Segundo Sol’

"Precisamos fazer a transformação", diz ela, que é uma das únicas atrizes negras do elenco.

Por Júlia Warken - Atualizado em 16 jan 2020, 14h38 - Publicado em 5 Maio 2018, 10h00

A nova novela das nove, Segundo Sol, estreia no dia 14 de maio e, desde o lançamento do primeiro trailer, o folhetim vem gerando comentários negativos por conta da escassez de atores negros.

A trama se passa na Bahia, um estado com uma enorme população de afrodescendentes e, em pleno 2018, a produção optou por desperdiçar a chance de fazer jus a isso nas telas. Salvador é a capital mais negra do país e também é a cidade mais negra do mundo fora da África. Mesmo assim, mais uma vez, o embranquecimento se faz presente na televisão.

A BAHIA É BRANCA, OXE…

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Descrição deles:Trama de João Emanuel Carneiro, com direção artística de Dennis Carvalho e direção geral de Maria de Médicis, mostrará ao público a chance de um novo começo, de um segundo solRecomeçar. Reconstruir. Refazer. Ou desfazer, desconstruir, começar de novo. Essas ações poderiam conduzir as vidas de Beto Falcão (Emílio Dantas), Luzia (Giovanna Antonelli) e muitos outros personagens da próxima novela das 9, Segundo Sol. Ambientada na Bahia, entre Salvador e a fictícia Boiporã, a história de João Emanuel Carneiro traz duas fases separadas por 18 anos. E é justamente o tempo que vai dar o pontapé para que os personagens se movam e busquem seus objetivos de forma ativa, sem esperar que o destino decida por eles.

Posted by AD Junior on Thursday, April 26, 2018

Uma das pouquíssimas atrizes negras do elenco principal, Roberta Rodrigues conversou com a gente sobre essa questão e deixou bem claro que gostaria de ver mais pessoas pretas nas novelas. Confira aqui a nossa entrevista:

MdeMulher – Muito tem se falado sobre o fato de que “Segundo Sol” se passa na Bahia e, mesmo assim, há bem poucos atores negros no elenco. Qual a sua opinião sobre isso?

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Roberta Rodrigues – É um mercado inteiro, se a gente analisar. Independentemente dessa novela, de séries e outros programas, a gente sente uma grande carência, de realmente não ter uma representatividade de negros em qualquer produto. Essa novela, “Segundo Sol”, vem comigo, Dan [Ferreira], Claudinha [di Moura]… e eu confesso que é bem complicado a gente falar disso, porque quando eu cheguei na novela já tinha sido escolhido [o elenco].

Tem uma pessoa que escolhe isso, que escolhe a história, o personagem que está dentro daquela história. E é como o próprio Dennis [de Carvalho, diretor artístico da novela] fala: a novela se passa na Bahia, mas poderia se passar em qualquer outro lugar, não estamos contando a história do povo baiano diretamente. Mas tem a questão do Carnaval e, se a gente analisar o Carnaval da Bahia, realmente, dentre todas as pessoas que “aconteceram”, não tem negros. São pouquíssimos. Só que isso não é justificativa para nada.

Eu sinto muita falta e acho que sim, tinha que ter mais [representatividade negra], mas eu não tenho posse, diante disso, nesse produto. Estou aqui representando e vou fazer o máximo, vou dar todo o meu amor, todo o meu profissionalismo, para poder representar bem toda essa galera que está junto comigo. Mas eu acho que isso é algo que a gente precisa se preocupar sempre, precisamos fazer a transformação. Sinto falta, sim [de representatividade negra], mas, infelizmente, não sou eu que tenho esse poder na novela. 

MdM – E qual seria o panorama ideal, em se tratando de representatividade negra?

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RR – Eu acho que a gente tem que começar a ver pessoas como pessoas, sem ver cor de pele, sem ver classe social. São pessoas e a gente tem que ver todo o povo representado. Quando eu falo de pessoas, eu não falo só da questão do negro, eu falo do nordestino, do índio, do japonês, eu falo do Shrek, da Fiona, do Bob Esponja, seja lá quem for. Amarelo, preto, branco, roxo, cinza. E eu acho que a gente tem que começar a ter respeito pelo profissional, independentemente de cor e de onde ele vem, tanto que eu sempre falo: eu não quero mais fazer a personagem que seja a médica negra, a advogada negra. Não, eu sou a atriz Roberta Rodrigues e posso fazer a médica, a advogada, a vereadora, seja lá o que for. Então, a gente tem que começar a entender que é muito mais fácil do que a gente imagina. É uma questão de respeito, de se ver como ser humano e não ficar taxado por isso [a cor da pele e a origem].

MdeM – E você consegue citar algum programa de TV ou filme que já esteja nesse caminho?

RR – Tenho visto “How To Get Away With Murder” e outras séries que têm isso. Tratam pessoas como pessoas mesmo.

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