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Renata Sorrah fala sobre Célia Mara

A atriz conta por que se apaixonou por essa mulher batalhadora

Por Redação M de Mulher Atualizado em 21 jan 2020, 13h55 - Publicado em 23 out 2008, 21h00

Para a atriz, Célia Mara inspira as 
pessoas a não guardar ressentimentos
Foto: Renata Xavier

A carioca Renata Sorrah, 60 anos bem vividos, é uma mulher de muitas caras. Ela já fez 30 novelas e vários filmes, nos quais mostrou inúmeras facetas do ser humano. Na TV, a estrela foi, por exemplo, a memorável alcoólatra Heleninha Roitman de Vale Tudo (1988), a valente prefeita Pilar Baptista de Pedra sobre Pedra (1992), a cafetina Zenilda de A Indomada (1997), e a megera tresloucada Nazaré de Senhora do Destino (2004). 

Atualmente, em Duas Caras, a atriz interpreta Célia Mara, que assume ter traído o marido por anos e paga por seus erros sem lamúrias. A personagem também chama a atenção pela delicadeza da relação que tem com a filha disléxica, Clarissa, papel de Bárbara Borges. 

Na vida real, Renata é mãe da médica Mariana, 26 anos, de seu casamento com o diretor e ator Marcos Paulo. Ela também já foi casada com o ator Carlos Vereza e com o autor e diretor Euclydes Marinho. Atualmente, está solteira, porém, muito feliz. Nesta entrevista, a querida artista abre o coração e fala com amor da carreira e do trabalho atual.

tititi – Segundo pesquisa da Globo, a relação entre Célia Mara e Clarissa é um dos assuntos de que os telespectadores mais gostam em Duas Caras. A que você atribui esse sucesso?
Renata Sorrah – Principalmente, à abordagem da dislexia da Clarissa, um transtorno que pouca gente conhece. E também à maneira como Célia Mara reage ao problema da filha. Ela tem uma relação de carinho, cuidado e paciência.

Como está sendo o retorno do público?
Imenso, as pessoas estavam carentes de informação sobre esse distúrbio. Muitas mães que têm filhos com problemas escolares querem saber como proceder, que tipo de médico procurar… Algumas me param e comentam: “Ah, meu filho não passa de ano, só agora entendi por quê!”

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O relacionamento entre você e sua filha, Mariana, se assemelha em algo com o de Célia Mara e Clarissa?
Quando minha filha era pequena, eu adorava estudar com ela. Agora, ela já está grande e, claro, não faço mais isso há anos! (risos) Ela já é médica e está se especializando em pediatria no Hospital Municipal Jesus, aqui no Rio (diz, toda orgulhosa).

Você já trabalhou em várias novelas de Aguinaldo Silva: Pedra sobre Pedra, A Indomada e Vale Tudo, na qual ele foi co-autor de Gilberto Braga. Como está sendo em Duas Caras?
Está ótimo. Aguinaldo é um autor muito quente, não é de ficar em gabinete. 

Como você vê a Célia Mara?

É uma mulher encantadora, batalhadora, popular. Perdeu seu amor, o pai, foi expulsa de casa nas piores condições, de forma baixa, mas nem por isso tem mágoas. Ela não vive com pena de si mesma, se fazendo de coitadinha, e também não usa o chicote para se punir. Ela inspira a gente a não guardar ressentimentos e a buscar uma vida plena

Você cursou psicologia. Isso a ajuda a construir seus personagens?
Cursei dois anos e meio de psicologia, mas deixei tudo para estudar teatro. Na verdade, penso que os dez anos que fiz de terapia foram muito importantes. O autoconhecimento ajuda no processo de criação. Faço isso no dia-a-dia, estando atenta ao que acontece à minha volta. É preciso prestar atenção no ser humano, nos amigos, nas pessoas que você não conhece, ler livros, assistir a filmes, se atualizar sempre.

Para você, qual é a função social da sua personagem da sua personagem?
A novela e a dramaturgia sempre apontam alguma coisa por intermédio de um personagem ou diálogo. É para dar ânimo, para se reconhecer fatos e sentimentos por meio das tragédias da vida, que são diluídas no humor da trama.

A Célia Mara vai se envolver com um homem comprometido com a Branca, intepretada pela Susana Vieira. Ela tem fixação em tomar o que é da outra? 
Acredito em coincidências. Por infelicidade, elas cruzaram com os mesmos homens duas vezes na vida. Não é um carma e nem a Célia quer se vingar.

Ela é livre, sem preconceitos?
Não. Assumiu a traição porque foi descoberta. Não sentia culpa, mas não carregava a bandeira de casamento liberal.

O que falta para você fazer na TV?
Atuei em apenas uma minissérie, A, E, I, O… Urca (1990), e gostaria muito de fazer outra, com uma produção bem cuidada, com tempo para ser rodada e que se passasse nos dias de hoje. No mais, estou muito feliz!

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