Mônica Martelli: “Quando me separei, pensei: quero amar de novo”

A atriz contou à CLAUDIA que voltaria aos palcos em maio, mas, agora, para fazer rir com as agruras do fim do casamento

Mesmo em tempos de feminismo exacerbado, a atriz Mônica Martelli não se avexa em falar, abertamente, do quão desesperada ficou na época em que estava sem namorado. Ou do sofrimento com o fim do casamento. “O divórcio é a dor mais dolorosa da vida adulta – tirando as tragédias e doenças, claro. São anos de investimento naquela relação, o desejo de ser uma família e a frustração quando acaba”, declarou, tão logo pedimos as bebidas – suco de abacaxi com hortelã para ela.

A fluminense de Macaé não é dessas que se satisfazem em discutir suas relações na mesa de um bar com amigas nem durante o almoço com uma desconhecida: mais uma vez, transformou tudo em munição para o trabalho. Sua nova peça, Minha Vida em Marte, estreia no dia 19 deste mês, no Rio de Janeiro.

Nela, Mônica repete a fórmula de retumbante sucesso que lançou em 2005. Os Homens São de Marte… E É pra Lá Que Eu Vou carregou 2,5 milhões de espectadores ao teatro, nesses 12 anos. Dois deles foram em São Paulo, período em que almoçou quase todos os fins de semana no Pret a Manger, self-service caprichado nos Jardins, onde nos encontramos.

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“Quando toparam apoiar a peça, eles não imaginaram que eu ficaria dois anos em cartaz…”, sorri. Em 2014, a luta tragicômica da solteira Fernanda para arrumar um marido virou filme, com 2 milhões de espectadores. E, depois, série no GNT, que hoje está na terceira temporada.

“Prefiro o riso da identificação à gargalhada da piada”, Mônica sentencia. E é nessa premissa que ela volta a apostar. Só que, agora, o relacionamento de oito anos de Fernanda com o pai de sua filha, Joana, de 5, está em crise. “Ela inicia a peça dizendo que não quer se separar, que quer salvar o casamento.” A personagem, mais uma vez, é muito autobiográfica. “Não vivi todas aquelas cenas, mas a sensação: o passar por cima de você mesma para manter o casamento, a intolerância, a dificuldade de viver sem ele…

Foi, porém, necessário certo distanciamento para poder (fazer) rir de tudo aquilo. “Faz quatro anos que me separei, já estou bem, não fico ‘stalkeando’ a vida dele, também estou namorando, feliz.” Enquanto come arroz, feijão, farofa – “sou louca por farofa. Arroz e feijão como todos os dias!” –, não hesita em celebrar o novo romance: “Marcelo Augusto é o nome dele. Empresário. Um amor, um doce, superbom pai. É amigo de uma amiga minha”, e continua dando detalhes do primeiro encontro e também do mais recente.

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O ex-marido, ela confia, não vai se importar em se ver retratado nos palcos. “Jerry (Marques, produtor cultural) não vai ver só ele, mas todos os homens ali. Fui casada duas vezes (a primeira, aos 22 anos) e acabei de terminar um namoro de três anos. Mas o cara tem que saber: se envolveu comigo, um dia vai virar personagem”, gargalha.

Ela parece mesmo não ligar de compartilhar por aí histórias tão pessoais. “Entro em uma personagem. O Saia Justa é mais exposição, porque sou eu falando de tudo, ao vivo.” Mônica está na bancada do programa do GNT há quatro anos. Por causa dele, vem a São Paulo toda quarta-feira e tem que abrir mão da rotina com a filha, Julia, de 7 anos.

“Acordo todo dia às 6h45, tomo café com ela, troco e levo para a escola. Quando não estou ensaiando, ainda jantamos juntas e conto historinha na cama.” Com a pequena, ela adora costurar e customizar roupinhas de boneca – herança de uma avó modista. “Minha mãe foi a primeira mulher eleita à Câmara Municipal de Macaé. Já era feminista muito tempo atrás!”, avisa.