Mano Brown: “Não faz sentido o homem ser beneficiado só por ser homem”

O cantor fala a CLAUDIA sobre como entender que a sua criação machista não era desculpa para agir assim mudou sua maneira de lidar com as pessoas

A revolução feminista tem dado muitos direitos às mulheres, mas ela também impacta os homens diretamente. Ao mesmo tempo que elas vêm ganhando mais autonomia, independência e lutando pela equidade, eles começaram a rever suas convicções, o jeito de agir, as velhas crenças.

Alguns homens, mais abertos a mudanças, observam o processo e tentam encaixar-se nele com certa naturalidade. Outros apresentam resistência e reagem agressivamente por considerar que perderam o poder sobre a fêmea.

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CLAUDIA convidou quatro homens que influenciam grandes públicos a falar sobre o que aprenderam com esse processo. Eles também contam como enxergam o perfil da nova mulher e de que forma isso os afetou. São eles: Fábio Porchat, Fabrício Boliveira, Mano Brown Contardo Calligaris.

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O terceiro depoimento é o do cantor Mano Brown. Confira:

“Fui criado de maneira machista, mas o mundo está mudando – e para melhor. Não podia continuar errado desse jeito. Não faz nenhum sentido o homem ser beneficiado só por ser homem; é injusto. Eu acompanho esse processo dentro de casa, com minha esposa, minha filha – vivo cercado de mulheres.

No momento em que entendi que, se eu não respeitar uma mulher, não vou respeitar ninguém, aí ficou fácil. Então mudei como pessoa, minha música mudou, minha abordagem, o entendimento do mundo… O homem tende a narrar o que está em volta dele. Minhas canções têm essa força das ruas, das gangues.

Para analisar que esse universo masculino também provoca o sofrimento das mulheres. Só que todo movimento de mudança encontra resistência. E hoje há dois grupos muito opostos: uma juventude conservadora e outra completamente libertária. Mesmo assim, as mulheres estão entrando com força total em todos os espaços, inclusive no rap.

Esse frescor e essa abertura são essenciais para a sobrevivência do gênero, dos sons, das ideias. Por isso que a gente tem que, cada vez mais, cantar as mulheres, colocá-las nos palcos, até para fazer esse movimento contrário à resistência. Eu sei que, quando olhamos, ainda não há mudanças muito significativas, mas elas virão, é inevitável.”

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