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“Apenas Uma Noite” e a tentação de trair

Filme com Keira Knightley e Sam Worthington estreia esse mês

Por Redação M de Mulher 9 Maio 2012, 21h00 | Atualizado em 16 jan 2020, 14h04
Leandro Quintanilha
Leandro Quintanilha (/)
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“Apenas Uma Noite” estreia no final de maio em todo o Brasil
Foto: Divulgação

Joanna (Keira Knightley) e Michael (Sam Worthington) são felizes no casamento. Até que, em uma festa, ela conhece uma linda colega de trabalho do marido, de quem ele nunca falou direito. Quando Michael viaja a trabalho com Laura (Eva Mendes), Joanna encontra Alex (Gillaume Canet), uma antiga paixão mal-resolvida. Este é o mote de “Apenas Uma Noite” , de Massy Tadjedin, que estreia no final do mês: marido e mulher, ao mesmo tempo, tentados a experimentar outras possibilidades.

Parece ser mais fácil compreender a infidelidade nos relacionamentos em crise. Como se a tentação fosse um sintoma e não pudesse emergir espontânea e inoportuna. A questão é que tudo pode correr bem – ou normalmente – e, ainda assim, haver desejo, curiosidade, tesão, empatia, por outrem. E lá se vai toda a construção histórica da monogamia na cultura ocidental judaico-cristã, de exclusividade afetiva e sexual.

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No início do filme, Joanna e Michael estão naquela fase do relacionamento em que um parece adaptado ao outro. Um amor confortável. Há uma cena sutil, no quarto do casal, em que ele se deita de lado na cama, levantando o braço como uma peça de encaixe, para que ela se abrigue no seu corpo. O hábito, a repetição, não são sinais de enfado, mas de intimidade.

Algumas cenas adiante, Laura e a Alex, os amantes possíveis, podem ameaçar essa estabilidade. Não por serem usurpadores. Desejam apenas, como Joanna e Michael. O filme brinca com a curiosidade (e os desejos) do espectador. Será que os cônjuges vão sucumbir? Não seria respeitoso estragar a sua experiência com uma resposta, mas uma coisa há de se adiantar: eles caem na tentação de flertar.

O que se percebe ao longo do filme, antes de saber no que tantos pequenos avanços e grandes hesitações vão dar, fica claro que não há desfecho fácil para a situação. Joanna e Michael – e  mesmo Laura e Alex – terão de escolher entre a frustração e a culpa.

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No livro “Amor Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos” (Ed. Zahar), o sociólogo polonês Zygmunt Bauman critica a extraordinária fluidez das relações contemporâneas: os amantes migram de um romance a outro, sem se comprometer.

Diante das primeiras complicações, parece mais fácil tentar outra vez, outra pessoa. A atual liberdade para a escolha de parceiros e a possibilidade de se desfazer uma união a qualquer momento, duas conquistas da civilização, podem se converter em não escolher propriamente.  Apenas variar.

É um insight pertinente sobre as relações de hoje. Em contrapartida, se não escolher implica a superficialidade da simples variação, fazer uma opção supostamente definitiva nos condena à angústia da impossibilidade de outras experiências.

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Aquela citação batida de Oscar Wilde diz que o único jeito de se superar uma tentação é se render a ela. Será? De todo modo, não parece inteligente partir do pressuposto de que tentações não existirão – ou serão sempre vencidas. Porque é da natureza do desejo ser imprevisível e, às vezes, avassaladora. Qualquer noite pode ser a última.

Leandro Quintanilha trabalhou no Estadão e no UOL. Hoje, escreve para revistas. Ele adora livros, séries e filmes, que prefere analisar pela perspectiva comportamental. Leandro confessa que acha muito esquisito escrever sobre si mesmo assim, na terceira pessoa.
E-mail: leandroq@gmail.com
Twitter: @leandroquin

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