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Sex/Life, nova série da Netflix com muito sexo e confusão para ver a dois

Um casal decide apimentar o casamento, mas as aventuras geram mais questionamentos do que eles imaginam

Por Isabella D'Ercole Atualizado em 25 jun 2021, 18h56 - Publicado em 25 jun 2021, 18h30

Billie não é uma personagem difícil de se identificar e nem com uma história inédita. Ela é casada com um homem gentil e respeitoso, mãe de duas crianças sonhadas e planejadas, vivendo numa casa incrível no subúrbio. Mas é infeliz. Ela sente saudades dela, da Billie de antes dessas escolhas todas, da Billie livre. Não só isso, mas Billie também não se desconectou 100% do passado amoroso dela, que vai voltar para assombrá-la.

Imagina essa trama com muitas cenas de sexo, num tipo de Cinquenta Tons de Cinza MUITO melhorado. É isso que Sex/Life, série que estreou hoje na Netflix, entrega. O elenco tem muita química e a história libera as fantasias de muita gente. Mais do que isso, mostra que as mulheres estão cansadas de fazer escolhas e que tudo bem querer ter tudo.

“A série sempre foi pensada para ser uma perspectiva feminina, diferentemente da maioria dos filmes e séries nesse gênero. Em vez do corpo feminino ser fetichizado, é o masculino que ganha esse olhar”, explica J. Miles Dale, produtor da série.

Para Sarah Shahi, a atriz que interpreta Billie, o roteiro causou identificação imediata. “Eu nunca julgaria a Billie, eu me vejo nela. Eu tenho três filhos, 41 anos. As coisas que eu queria antes de ter filhos, aos 20 e poucos anos… É como se você não pudesse mais querer isso. Eu me sentia numa cela. E a Billie também se sente assim. Ela quer mais do que ela tem. E ela tem a coragem de correr atrás disso, esse é o diferencial dela. Muita gente pensa nessas coisas, mas ela questiona e fala em voz alta”, reflete Sarah.

Billie com Cooper
Netflix/Divulgação

Billie é casada com Cooper, um homem atencioso, ótimo pai, com uma carreira brilhante. Mas ele se esquece dela, da paixão, do fogo. As outras características são tão importantes, porém, que Billie acaba aceitando por muito tempo essa estrutura, até que ela se cansa. “Meu marido tem 85% de tudo que eu queria, mas esses malditos 15% mudam tudo”, fala a protagonista em certa altura da trama.

Um dia, Cooper descobre um diário da esposa, onde ela deposita essas angústias e fala das suas necessidades sexuais. É então que a história  começa, com o casal tentando se reencontrar. “Eu vejo no Cooper muitos maridos em casamentos reais. A preguiça, a complacência que casais que estão juntos há muito tempo desenvolvem e permitem que isso impacte a relação. E aí você às vezes se surpreende quando o outro se comunica. É um trabalho constante ficar com alguém”, fala Mike Vogel, o ator que interpreta Cooper. “Você dorme no volante e é acordado para entender que você precisa ter romance com sua parceira. Isso é mais comum do que as pessoas deixam transparecer”, completa.

Se não bastassem todos esses elementos, a trama ainda agrega mais dois: a melhor amiga de Billie, Sasha, que é livre e tem uma vida agitada, e o ex-marido de Billie, Adam, que resolve se reaproximar. Aos poucos, a história vai ficando mais clara. Em flashbacks, Billie nos conta como a relação começou e terminou.

E se…

“Acho que todo mundo tem um caso de ‘e se?’. É aquele namorado ou namorada, uma paquera de verão, alguém que foi embora e que você não sentiu que deu toda chance. Isso é um elemento de escape, porque a Billie se permite pensar mais a fundo nessa questão. Ela é mãe e uma criatura sexual, ela não quer escolher entre um ou outro. Mas, para isso, precisa sacrificar algumas coisas”, completa Dale.

Para Stacy Rukeyser, a escritora e criadora da série, a trama é levada de uma forma em que ninguém consegue fazer a escolha no lugar de Billie, mas, ao mesmo tempo, opiniões vão divergir muito de um episódio para o outro.

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“Tem vezes que as pessoas vão ser do time do Cooper, depois do time do Adam, mas sempre do time da Billie. Claro que alguns vão ficar revoltados, porque ela corre o risco de perder o marido, que é atencioso. Ao mesmo tempo, a gente pensa: ‘Por que ela não pode ter tudo? Por que ela não pode ter o cara gato e sensual também?’ Mas a reflexão mais para o final da temporada é que não importa muito quem é a pessoa, mas o que nós fazemos com as relações a longo prazo. Não tem resposta, essa pergunta fica no ar, pelo menos nessa temporada”, explica Stacy.

A intérprete de Sasha, Margaret Odette, vê em Sex/Life a oportunidade da gente falar sobre mulheres sem tentar encaixá-las em padrões, sem ter que representar apenas a mãe ou a solteira que não se comprometeu. “Mulheres são mais complexas e precisamos reconhecer e trabalhar isso em produtos culturais. Muitos filmes ou séries colocam um filtro de culpa ou vergonha em personagens femininas com apetite sexual”, diz ela. “Eu também fiquei muito feliz da Sasha ser complexa e ser uma mulher negra. Eu, como atriz, nunca tinha visto uma mulher como Sasha, que se parece muito comigo, na verdade”, acrescenta. 

O ator Adam Demos, que interpreta Adam, concorda que é urgente naturalizar para a mulher o que já é naturalizado para os homens. “Vemos muitos personagens masculinos com a vida que Billie deseja, mas ainda há muito estranhamento por ser uma mulher”, diz

Billie com Adam

Batalha de mães

Billie e o marido moram no interior, numa linda casa branca e com uma forte comunidade escolar cheia de eventos e obrigações. Como já vimos em outros filmes americanos, as mães têm muitas responsabilidades com os filhos e quase nenhuma trabalha. Começa, então, uma discussão sobre o papel da mulher na maternidade. As rixas se tornam ainda mais fortes quando as aventuras sexuais de Billie e Cooper vêm a público.

“Eu sempre fui uma mãe que trabalhou. Quando eu encontrava outras mães que não trabalhavam e faziam tantas outras coisas, eu não me encaixava, parecia que éramos muito diferentes. Mas aí, quando comecei a trabalhar nessa série e levei essa parte da maternidade pra elas, entendi que a gente não era tão diferente assim”, explica Stacy.

Billie também compreende que sua maternidade nunca pode ser questionada e que também não pode ser motivo dela permanecer numa vida que a deixa infeliz. Soa familiar?

Sex/Life tem elementos pra conquistar diferentes tipos de espectadores e pode ser uma ótima série pra maratonar a dois.

 

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