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Netflix lança documentário imperdível sobre mulheres astronautas

"Sou a favor de mandar mulheres ao espaço, elas podem substituir os chimpanzés". Esse é apenas um dos MUITOS absurdos que elas ouviam nos anos 1960.

Por Júlia Warken Atualizado em 16 jan 2020, 15h06 - Publicado em 23 abr 2018, 15h13

Todo mundo que conhece minimamente a história da corrida espacial dos anos 1960 sabe que os EUA tomaram vários 7×1 da Rússia naquela época. Essa é a maior mancha no currículo da NASA, mas não é a única. Pouquíssimo se fala sobre isso hoje em dia, mas o desenrolar da operação conhecida como Mercury 13 também é uma vergonha na história para a agência. Por puro machismo, a NASA dispensou 13 candidatas a astronauta que passaram com louvor em todos as avaliações.

Essa história é recontada no documentário “Mercury 13”, produção da Netflix que está disponível no catálogo desde a última sexta-feira (20). E ele é totalmente imperdível!

A narrativa do filme é bem linear e traz aquele formato clássico: um mix de entrevistas com quem viveu os acontecimentos e imagens de arquivo, que contam a história da operação e a forma como essas 13 mulheres foram impedidas de realizar o grande sonho de ir ao espaço. Mesmo assim, o filme consegue surpreender quem não conhece os pormenores absurdos do que aconteceu naquela época.

Em resumo, o médico que coordenava os testes aplicados aos astronautas, Randy Lovelace, teve a ideia de desenvolver uma operação secreta, em que aplicava os mesmos testes em mulheres. Para isso, ele convocou as melhores pilotas dos EUA a participar do projeto. A ideia era fazer a operação de maneira independente e entregar os dados à NASA para surpreender todo mundo, caso suas suspeitas se concretizassem. Para ele, as mulheres poderiam ser até melhores do que os homens em certos aspectos cruciais para a adaptação no espaço. Lovelace estava certíssimo, mas a pesquisa foi incrivelmente mal recebida pela NASA. A desculpa usada era de que não havia necessidade de incluir mulheres na missão espacial. Já havia homens o suficiente fazendo esse trabalho.

A polêmica dividiu opiniões na época e a NASA se muniu de ~justificativas~ para barrar a ideia de Lovelace. Foi um verdadeiro show de misoginia.

“É simplesmente um fato. Os homens partem, lutam em guerras e pilotam aviões, depois voltam e ajudam a projetar, construir e testar esses aviões. O fato de as mulheres não estarem nesse campo é um fato de ordem social”, chegou a dizer John Glenn, o primeiro americano a entrar na órbita da Terra. Houve também quem garantisse que envolver mulheres na missão espacial seria um desperdício de dinheiro, já que, mais cedo o mais tarde, elas abandonariam a missão para se casar e ter filhos. Também não faltou piadinhas do tipo “sou a favor de mandar mulheres ao espaço, elas podem substituir os chimpanzés”. 

Ao final, “Mercury 13” é um documentário que merece ser assistido até mesmo para quem não dá a mínima para a NASA ou a história da corrida espacial. Não é só sobre astronautas, é sobre mulheres sendo impedidas de alçar voo quando representam algum tipo de ameaça aos homens. Uma vez que podem vir a ofuscar o brilho desses homens e inspirar outras mulheres a seguirem seus sonhos também.

Conhecer a história dessas 13 pilotas é bem desolador, mas vale a pena. Feminismo para quê? Eis aqui uma ótima resposta.

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