Mostra Internacional de Teatro em São Paulo coloca em cena perspectivas da violência
Espetáculos que ocorrem pelos palcos da cidade de São Paulo jogam luz em temas como homofobia, imigração, controle social e violência contra a mulher
Entre os dias 06 e 15 de março, a cidade de São Paulo recebe a 11ª edição da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp). Serão 15 montagens nacionais e internacionais que abordam questões como violência, vigilância, homofobia, imigração e controle social.
Nesta edição, a mostra contará com a presença do francês Édouard Louis, autor de autoficções de best-sellers como Monique se Liberta, Mudar: Método, e Quem Matou meu pai, que deu origem à peça homônima que chega agora a São Paulo. Édouard representará a si mesmo no palco do Sesc Pinheiros, nos dias 11, 12 e 13 de março.
Para além desse espetáculo, trazemos aqui nossa seleção de peças imperdíveis
História da violência
Outro espetáculo baseado em um romance autobiográfico de Édouard Louis, a dramaturgia é, ao mesmo tempo, um relato pessoal e uma análise social sobre amadurecimento, desejo e migração. A obra reconstrói a noite em que o jovem autor conhece Reda, um homem de origem argelina, e o leva para seu apartamento em Paris. O encontro, inicialmente marcado pela intimidade, se transforma em uma experiência de extrema violência. Torna-se, também, um símbolo, revelando o racismo e a homofobia enraizados nas instituições francesas.
História da Violência, Édouard Louis e Thomas Ostermeier, Teatro Liberdade, 7 e 8 de março
Vigiada e Punida
Sublimar o ódio: esse é o objetivo da cantora e compositora Safia Nolin e do diretor Philippe Cyr. Juntos, os criadores canadenses transformaram milhares de insultos gordofóbicos reais dirigidos à artista em matéria-prima para uma obra musical.
A intérprete se coloca no centro da cena, encarando um coro que despeja sobre ela ofensas violentas, a fim de questionar o significado da liberdade de expressão. Em resposta à punição infligida pelo discurso público, Nolin se arma com seu violão e recupera, finalmente, o espaço do qual foi expulsa.
Surveillée et Punie, de Safia Nolin e Philippe Cyr, Théâtre Prospero Sesi SP, 13, 14 e 15 de março
Epílogo
Desafiando o fetichismo da juventude eterna e subvertendo a estética do corpo padrão, o espetáculo concebido pelo duo chameckilerner, coletivo brasileiro de dança sediado em Nova York, se utiliza da performance, misturando dança e teatro, para reproduzir nus icônicos da história da arte.
Essas pinturas, fotografias e esculturas ganham vida por meio de artistas com idades, habilidades, origens raciais e gêneros diversos. Movida por histórias pessoais, pela passagem do tempo e pelas experiências acumuladas em corpos reais, a obra mostra como marcas do tempo deixam de ser fonte de temor e passam a ser motivo de fascínio e desejo.
Epílogo, de Rosane Chameki e Andrea Lerner, Centro Cultural São Paulo (CCSP), dias 11 e 12 de março
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