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Helen Mirren e suas escolhas

Dama do Império Britânico, a atriz Helen Mirren, 74 anos, fala a CLAUDIA sobre a força criativa que a impede de encerrar a carreira artística

Por Nadia Lapa, de Londres 22 dez 2019, 08h00 | Atualizado em 2 jul 2026, 11h52
Helen Mirren
 (Getty Images/Reprodução)
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Na ficção, ela já foi rainha da Inglaterra, imperatriz da Rússia e Cleópatra. Na vida real, tem uma coleção com Oscar, Globo de Ouro, Bafta, Emmy, Tony. Mas a atriz Helen Mirren senta-se à mesa para uma entrevista como se não carregasse consigo, além dos prêmios e do título de dama do Império Britânico, mais de cinco décadas de experiência nos palcos e diante das câmeras. Ela garante que nada de aposentadoria à vista. “O motivo pelo qual eu não quero parar é o mesmo que me fez começar: há uma força criativa sempre me movendo.”

Aos 74 anos recém-completados, Helen está acompanhada de Ian McKellen, seu parceiro em A Grande Mentira, longa que chegou há pouco no Brasil. “Nós nunca havíamos trabalhado juntos no cinema, e foi uma experiência absolutamente maravilhosa para mim”, conta.

O enredo parece simples. O estelionatário Roy (Ian) tenta atrair online viúvas endinheiradas para aplicar um golpe, e Betty (Helen) é a próxima vítima. “O filme tem muitas reviravoltas, surpresas, mistérios. Isso me atraiu”, revela Helen. “E traz um significado mais sério e profundo do que parece à primeira vista.”

Em atuação absolutamente brilhante, Helen toma o protagonismo, saindo da posição de vítima e mostrando a Roy que há muitas mulheres em uma só.

Com direção de Bill Condon e baseado em romance de Nicholas Searle, A Grande Mentira teve orçamento baixo, mas a vasta experiência no teatro ajudou os atores a se adaptarem ao ritmo corrido das gravações.

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“No palco, nós sabemos que às 7 e meia a cortina vai subir e temos de estar prontos. O mesmo aconteceu no filme; não tínhamos tempo a perder. Apesar do cronograma apertado, foi muito divertido viver Betty McLeish”, assume a atriz. “Mas eu não sou a Betty, e nem o Ian é o Roy!”, faz questão de dizer.

Segundo ela, é normal as pessoas confundirem personagem e ator. Só que, na vida pessoal, artistas são péssimos atores. “Nós não conseguimos mentir porque atuar envolve o processo de achar uma verdade na história.”

Claro que Helen se permite contar uma mentirinha de leve. De repente, a atriz muda a voz e os trejeitos imitando a si mesma nas pequenas invenções cotidianas: “Ah, estava absolutamente delicioso”, “A blusa fica ótima em você”. Em seguida, fala como as crianças, que, acredita ela, são especiais e não mentem. “Seu nariz é muito vermelho”, comenta com voz fininha, rindo. Talvez essas atuações não rendam prêmio, mas é quase impossível saber se Helen está dizendo a verdade ou não.

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O que move a britânica não é a recompensa material. “Como artista, quando a gente começa na carreira, não está pensando em dinheiro. Na verdade, a possibilidade de ganhar alguma coisa é bem pequena. Isso pode causar um grande sofrimento psicológico”, afirma ela. “Poucos têm a inacreditável sorte que eu e Ian tivemos, a de conseguir obter sucesso fazendo filmes e ganhando muito mais do que jamais sonhamos”, reconhece.

Hoje Helen pode escolher quais personagens interpretar. A cada ano, atua em pelo menos dois filmes. Neste ano, fez uma improvável participação num spin-off de Velozes e Furiosos. Também protagonizou e assinou a produção executiva da minissérie Catarina, a Grande, da HBO.

Ela realmente não consegue parar. “Mesmo com as dificuldades, qualquer artista, seja um escritor, um músico ou um pintor, simplesmente não pode reprimir a força interior de criar.” Sorte nossa.

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