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Uma mulher transgressora, curiosa e acima de tudo, atual

Exposição Revelando Hilda Hilst, no MIS, apresenta lado menos conhecido da esxritora

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 11 fev 2020, 22h55 - Publicado em 31 jan 2020, 13h00

Hilda Hilst faleceu há 16 anos, no dia 4 de fevereiro. Ela tinha 73 anos e se recuperava de uma cirurgia depois de ter sofrido uma queda em casa, fraturando o fêmur.  No ano em que completaria 90 anos, ela ganha uma homenagem no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, com uma exposição dedicada ao seu trabalho. “A proposta é revelar a Hilda em suas inúmeras facetas”, explica Jurandy Valença, curador da mostra Revelando Hilda Hilst, que começa sábado (1) no MIS.

Coleção Maria Luiza Mendes Furia/Divulgação

Valença, ainda no início de sua carreira, morou e trabalhou com a autora paulista na Casa do Sol, em Campinas. Ele lembra de como a conheceu e, nervoso, leu para ela uma poesia que tinha escrito. Ela ouviu em silêncio para simplesmente dizer que o que ele tinha feito não era poesia. Enquanto ele ainda se recuperava de um feedback tão direto (como ela sempre fazia), Hilst entregou quatro livro que considerava leitura obrigatória. “Quatro livros de filosofia”, comenta Valença. Um ano depois ele voltou a escrever. Se arriscou novamente à uma opinião sincera. A reação ainda o emociona. ” Agora sim você é um poeta”, ela disse. “Para ser um grande poeta tem que conhecer filosofia porque poesia é uma viagem para dentro e apenas a filosofia pode ajudar”, ela explicou. O ensinamento ficou para a vida.

Considerada uma das maiores escritoras brasileiras do século XX, a poeta, cronista e dramaturga nasceu em São Paulo e ficou na capital até a metade dos anos 60, quando decidiu ir para Campinas e construir a casa onde passou o resto de sua vida, a Casa do Sol. Lá, filósofos, escritores, músicos, políticos e atores se encontravam para discutir sobre tudo. Ali ela desenvolveu sua obra, que incluiu livros premiados e peças teatrais.

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Em Revelando Hilda Hilst, o público verá retratos da escritora, desenhos, 15 edições originais de seus livros, com capas de artistas como Tomie Ohtake, Jaguar e Millôr Fernandes, entre outros.

“Ela era uma artista visual pouco conhecida”, comenta Valença. Para ele, algumas das fotos também são reveladoras. “Tem fotos que mostram ela holywoodiana, linda e outras mostram ela solar, divertida”, ele antecipa. “A obra dela era densa, mas ela era uma pessoa extremamente solar”, explica.

Além das fotos, há uma parte interativa importante. A instalação sonora Rede Telefonia, de Gabriela Greeb e Mario Ramiro, permite que se ouça a voz da própria Hilst através de gravações que ela registrou nos anos 70, quando se dedicou a tentar ser comunicar com o além. “Ela já tinha curiosidade [sobre o tema] e ao entrar em contato com um físico sueco, que desenvolveu uma pesquisa sobre o assunto, Hilda começou as gravações”, diz o curador. Mas não são espíritos que serão ouvidos. Via QR Code o público também poderá ouvir áudios com cerca de 20 poemas lidos pela própria autora.

Gal Oppido/Divulgação

Na programação paralela há boas oportunidades de conhecer um pouco mais a obra da escritora com leituras de seus poemas feitos por Glamour Garcia, Bete Coelho, Cida Moreira, entre outros artistas, assim como a exibição dos filmes Hilda Hilst pede contato e O Unicórnio.

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“Hilda foi uma mulher transgressora e incrível. Sua obra permanece muito atual e suas peças ainda dialogam com o que está acontecendo hoje”, diz Valença.

A exposição será inaugurada sábado (1) e a entrada é gratuita.

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